Prometheus

by RNPD

Muitos dos que recorreram à opção política concedida pela hipótese “terceira via”, com eles trouxeram, exacta e precisamente, os mesmos “tiques, espasmos e feitios” com que adornavam outras paragens políticas.

O fundamental, essencial e absolutamente indispensável (valha a tautologia) é compreender que o problema não reside na forma da política que se pretende, mas sim no seu conteúdo. E o conteúdo da política é eminentemente cultural. É a cultura que determina a idiossincrasia do fenómeno politico !

(…)O fundamental é estruturar uma nova base cultural, assente na tradição europeia, na memória do povo que somos, e na realidade que enfrentamos.
E é já longo o tempo que percorremos sem querer arrostar o desafío !

Com todo o respeito que me merece António Sardinha, não creio que seja com entoações cristãs-católicas que devemos repensar Portugal e a Europa.
A raiz da cultura europeia fundamenta-se no mito de Prometeu, na entrega ao Homem do fogo que ilumina o conhecimento, que transfigura o “Ente” em “Ser”.
O mito cristão é de origem forânea, é de subserviência a uma divindade opressora, omnipotente e egoísta, redutora da coragem à caridade e do génio ao igualitarismo mediocre e servil.

O Homem europeu dirigia-se à divindade, em pé, de cara levantada, de braço erguido com a mão aberta, em sinal de fraternidade.
E essa atitude determinava-lhe o carácter e moldava-lhe o temperamento !
O Homem europeu nunca se arrodilhou perante nada nem ninguém.
E é essa mentalidade corajosa e fraterna que pretendem destruir (mesmo inconscientemente) os crentes no “ungido” profetizado pelo judaísmo.

A Europa que necessitamos não é somente anterior à revolução maçónica de 1789, mas também anterior ao “sacro império” de Carlos Magno.
Não só anterior ao economicismo de Marx, mas também ao consumismo liberal de Friedman.

Alguns pretenderão que o nacional-catolicismo de António Sardinha traduz a nossa tradição.
É caso para perguntar onde se inicia a tradição : nos “castros” celtas, ou nas catedrais ? Em Tonsoenabiago ou em S. Saturnino ?
É referido um livro de A. Sardinha “Ao Princípio era o Verbo”…
Como pode um tal enfeudamento às teses da Igreja ser produto de uma mente critica, tal como necessitamos para estruturar a nossa verdadeira cultura europeia ?
Sempre o “jugo” da heresia judaica. Para quando o “torque” celta ?

Voltemos “Ao Princípio era o Verbo”…
Os 18 primeiros versetos do Evangelho de João, denominados “Prólogo”, é um texto esotérico escrito em grego que refere :
“En arché en ho logos kai ho logos en pros ton theon…“
traduzido para latim (ecuménico) como :
“In principio erat verbum et verbum erat apud Deum et verbum erat Deus.”

Como se pode constatar “logos” é traduzido por “verbum”, e isso já no século V por Jerónimo (Hieronymus, santo da Igreja) na elaboração da Biblia “Vulgata”.

Ora, “logos” não significa “verbum” (“palavra”), mas sim “razão”.
“No Principio era a razão…” ; “In principio erat ratio…” !

Afirmar “Ao Principio era o Verbo”, significa uma deturpação, a falsificação de um texto. A sempre presente “pia fraus”…
O acerto da realidade pelo mito !

Mas, o monoteísmo em geral e o cristianismo em particular, são reincidentes na falsificação.
Será por acaso, ou por “obra do demónio”, que Eusebius Pamphili (c.263-339), bispo de Cesarea, confessor do imperador Constantino, ficou conhecido na História como “o falsificador” ?

Recordo que a primeira frase do “Bereshit” (1º livro da Torah judaica, a que corresponde o Génese do Pentateuco, na Biblia cristã) diz :
“Bereshit bara Elohim et hashamayim ve’et ha’arets”.
“No principio os Deuses fizeram o céu e a terra…”
que os cristãos (outra vez Jerónimo) traduziram como :
“In principio creavit Deus caelum et terram…” – “No principio Deus fez o céu e a terra…”.
Por que traduziram “elohim” (“deuses”) por “deus”, que em hebreu (arameu) se escreve “Eloah” ?

Uma mente critica, um pensador não influenciado por culturas alógenas à Europa (cristianismo ou marxismo, curiosamente com a mesma origem) não pode estar intelectualmente arrodilhado perante semelhantes despropósitos dogmáticos.

A Nova Europa, o Ocidente, o Hesperial, será verdadeiro… ou não será !

Acima fica um excerto de um texto de António Lugano publicado no fórum Terceira Via. O autor escreve no Prometheus. Visita altamente recomendável!