InterRail, destino: Bruxelas

by RNPD

A Bélgica começou a sofrer a grande vaga contemporânea de imigração a partir, sobretudo, da década de 60 do século que findou, acompanhando uma tendência que foi generalizada aos países daquela parte da Europa. Hoje, quase 50 anos volvidos, a Bélgica pode orgulhar-se de ser um brilhante serviçal das doutrinas socialistas, liberais, “humanitaristas” e modernizantes que o “progresso” e a nova ordem global delinearam. A prova de que o combate das luzes da modernidade progressista contra a obscuridade reaccionária tem sido um retumbante sucesso é hoje a capital do país: Bruxelas.

Com efeito, em Bruxelas, hoje, a maioria da população, 56,5%, é de origem estrangeira e algumas estimativas apontam para que esse número atinja os 75% daqui a cerca de 10 anos( talvez com um pouco de sorte e ambição, continuando o bom trabalho realizado até agora, haja esperança de que daqui a 20 anos não sobrem belgas na capital da Bélgica…coragem, só mais um esforço). Tal é resultado do ritmo imposto pela imigração que se abate sobre o país e a Europa bem como das alterações à lei da nacionalidade rumo ao ius solis, o mesmo critério que saiu reforçado na nova lei da nacionalidade aprovada no nosso país (embora ainda não tão gravosa como a existente na Bélgica).(1)

Contra esta bizarria, para fazer frente à generalização deste cenário surreal, ergueu-se uma frente nacionalista, o Vlaams Belang, e contra o Vlaams Belang uniram-se todas as forças políticas, a tal ponto que o partido, mesmo sendo o maior do país, se vê impossibilitado de exercer influência maior, é confrontado com coligações que vão da extrema-esquerda à direita conservadora e que impedem o exercício do poder pelos nacionalistas. Mas essas coligações, generosamente apelidadas de cordões sanitários, como se grande parte da população belga fosse lixo, e que, no mínimo, levantam já por si só questões graves sobre a moral democrática, não são senão uma amostra da degeneração política em vigor nos regimes europeus, onde vale quase tudo para parar as forças de resistência ao novo ordenamento mundial e fazer avançar o processo de transmutação europeu em direcção a algo que nada tem que ver com as raízes do continente.

Merecem agora destaque, porque convém assinalar estas coisas para efeitos de memória, mais duas investidas recentes contra o partido (depois da ilegalização que forçou à mudança de nome e do corte no financiamento estatal que tentou estrangular o agrupamento nacionalista). Não as abordaremos por ordem cronológica porque deixaremos a mais interessante para o fim.

Uma das características marcantes das democracias modernas é o peso decisivo que o acesso aos grandes meios de comunicação social tem na determinação de quem chega ao poder. A batalha da informação e da mediatização decide quem pode ter aspirações políticas e quem não pode, a democracia depende cada vez mais do dinheiro, o dinheiro que paga a boa propaganda, a boa publicidade, a boa imprensa. Vivemos em sociedades massificadas onde é cada vez mais importante parecer do que ser, onde a reflexão rareia, as leituras são de consumo rápido e a consequente preparação crítica desaparece, abrindo lugar à hegemonia dos grandes grupos de comunicação sobre a chamada “opinião pública” sem que esta disponha dos meios de ver para além dos véus.

Dito isto imagine-se o impacto para o Vlaams Belang de um boicote jornalístico alargado, de um acordo de não publicação das ideias eleitorais do partido nos quotidianos flamengos. Mas um silenciamento exclusivamente dirigido àquele partido. Pois bem, é isso mesmo que pretendem fazer os jornais flamengos. O caso segue para tribunal, veremos o que daí resulta, no final, como diz o ditado, o que conta é a intenção, e essa ficou bem clara. Se para alguma coisa isto servirá é para voltar a expor o tipo de jornalismo que é dirigido aos movimentos nacionalistas e o sério obstáculo que por via disso os últimos enfrentam no actual sistema, porque quem assim pretende agir não pode com certeza pretender fazer crer que informa com isenção, mesmo quando é essa a ideia que cinicamente pretende transmitir. (2)

Mas a cereja no topo do bolo, nesta breve viagem ao reino da Bélgica, fica para o fim. Filip Dewinter chamou-lhe a terceira tentativa governamental para acabar com o partido mas pelo seu simbolismo esta é especial, encerra algo de verdadeiramente distópico. A ministra da Justiça, neste Abril que passou, levou a debate parlamentar uma lei que visava retirar os direitos políticos a quem fosse condenado, entre outras coisas, por… “racismo”! (3) Ora vale a pena lembrar que as legislações europeias, reflectindo o omnipresente dogma da multiculturalidade, abrem espaço para a facilitação e vulgarização deste tipo de acusações, contra aqueles que se manifestam em defesa de uma Europa europeia (passe a redundância), contra a imigração, a islamização, etc.

Para se perceber bem o alcance arbitrário deste tipo de coerções sobre a liberdade dos europeus basta referir que o próprio DeWinter foi acusado de racismo por ter dito algo tão simples quanto isto:”Não temos qualquer ódio aos estrangeiros, mas se tiverem de lhe chamar fobia então que seja islamofobia. Sim, eu temo o islão”.

Esta lei, que obviamente inclui também o sagrado holocausto, acorrentaria, decisivamente, os nacionalistas, de forma letal, quebrando assim qualquer possibilidade de fazer oposição às políticas imigratórias em curso no país, destruindo qualquer partido nacionalista e, mais do que isso, silenciando qualquer foco de contestação vindo da sociedade civil. A ironia última em tudo isto é que foi neste mesmo país europeu que nas mais recentes eleições se processou uma naturalização massiva de imigrantes, com grande impacto nos resultados eleitorais em prejuízo do Vlaams Belang, e enquanto se atribuem direitos políticos a cada vez maior número de alógenos, ameaçam-se os nacionais que a isso se opõem com a perda, precisamente, de direitos elementares de cidadania.

Por enquanto o partido conseguiu impedir a aprovação desta inenarrável proposta, mas a possibilidade que fica em aberto e a gravidade do que ali foi pretendido não deve passar inobservada, diz muito sobre o estado a que chegaram as nações continentais, sobre as forças que as dirigem e sobre o que aparenta ser o cada vez mais trágico destino das suas populações. Esta caminhada para o abismo, para a extinção cultural, imposta a uns poucos, que continuam a bater-se, mas voluntária em muitos, demasiados até, não tem paralelo na história da humanidade e indicia uma verdadeira “patologia colectiva”.

(1) Population Replacement in the Capital of Europe

(2)ELECTIONS07 Quotidiens flamands: pas de propagande du Vlaams Belang

(3)Dewinter will “seek asylum in NL”