Month: Junho, 2007

De regresso ao Kosovo

O texto que se segue foi escrito pelo Major General Lewis MacKenzie e publicado no jornal canadiano The National Post de 6/4/2004. MacKenzie comandou tropas em Gaza, Chipre, Vietname, Cairo e América Central. Em Sarajevo, durante a guerra civil, comandou os contingentes de 31 nações.

«Há cinco anos as nossas televisões estavam dominadas por imagens de albaneses do Kosovo cruzando as fronteiras para a Macedónia e a Albânia procurando aí refúgio. Relatórios alarmistas diziam que as forças de segurança de Slobodan Milosevic conduziam uma campanha genocida e que pelo menos 100 000 albaneses do Kosovo tinham sido exterminados e enterrados em valas comuns por toda a província.

A NATO entrou em acção e, apesar de nenhum dos Estados membros desta aliança ter sido ameaçado, começou a bombardear não somente o Kosovo mas também as infra-estruturas e a própria população da Sérvia, sem resolução que o autorizasse por parte das Nações Unidas, instância, porém, tão venerada pelos governantes do Canadá, passados e presentes.

Aqueles de entre nós que chamaram a atenção de que o Ocidente estava a colocar-se do lado de um movimento independentista albanês extremista foram acusados de cobardia. Esqueceu-se convenientemente que a organização que combatia pela independência, o exército de libertação do Kosovo (UCK) fora universalmente designado como organização terrorista e conhecido por ser apoiado pela Al-Qaeda de Osama Bin Laden.»

(…)

«Desde a intervenção da NATO e da ONU, em 1999, o Kosovo tornou-se a capital europeia do crime. O comércio de escravos sexuais floresce. A província tornou-se a placa giratória da droga em direcção à Europa e à América do Norte. Para cúmulo a maioria da droga provém de um outro pais “libertado” pelo Ocidente: o Afeganistão. Membros do desmobilizado mas não eliminado UCK estão intimamente envolvidos no crime organizado e no Governo. A polícia da ONU prende alguns dos implicados neste tráfico e leva-os perante uma justiça permeável à corrupção e às pressões.

O objectivo último dos albaneses do Kosovo é purgar a região de todos os não-albaneses, incluindo os representantes da comunidade internacional, e, por último, fazer a fusão com a mãe Albânia, construindo assim a “Grande Albânia”. A sua campanha começou com os ataques a forças de segurança sérvias no início da década de 90 e conseguiram transformar a resposta musculada de Milosevic em simpatia mundial pela sua causa. O genocídio proclamado pelo Ocidente nunca existiu, os 100 000 mortos pretensamente enterrados nas valas comuns revelaram-se cerca de 2000, de todas as etnias, incluindo os mortos em combate durante a própria guerra.

Os albaneses do Kosovo manipularam-nos a seu bel-prazer. Financiámos e apoiámos indirectamente a sua campanha para um Kosovo etnicamente puro e independente. Não os condenámos nunca por serem responsáveis pela violência do início da década de 90 e continuamos a retratá-los como vítimas hoje, apesar das evidências em contrário. Quando atingirem o seu objectivo de independência, ajudados pelos dólares dos nossos impostos juntamente com os de Bin Laden e da Al-Qaeda, imagine-se a mensagem de encorajamento que isso constituirá para outros movimentos independentistas do mundo apoiados pelo terrorismo!

É engraçado como continuamos a cavar a nossa sepultura!»

Num sucinto comentário final ao texto chama-se a atenção para 3 pontos:

1-A facilidade e a eficiência com que se constroem mitos mediáticos em torno de extermínios selectivos de povos para fins políticos. No caso foram os 100 000, noutros casos os números atingem diferentes proporções, em todos eles, porém, essas realidades produzidas transformam-se nas realidades vividas e servem a legitimação de transformações políticas profundas. Tenho a certeza de que se questionados sobre isto a grande maioria dos “ocidentais” repetirá a versão oficializada, e provavelmente será essa a fazer História.

2-A referência às rotas de circulação de droga entre a Ásia e o “Ocidente” (particularmente ópio, heroína e haxixe). Desde que o Afeganistão foi “libertado”, o tráfico aumentou substancialmente. Trata-se obviamente de um dos negócios mais lucrativos do mundo com três rotas preferenciais que saem do Afeganistão. Uma que passa pelo Tajiquistão e liga à Rússia, outra que liga ao Paquistão e, finalmente, uma terceira que passa…pelo Irão e pela Turquia entrando na Europa pelo sudeste.

3-Apesar da relevância do que é dito na entrevista parece-me que existe um erro fundamental de análise quando, por ingenuidade ou boa-fé, MacKenzie parece insinuar que a intervenção “ocidental” foi enviesada por um erro de avaliação do problema da região. É minha opinião que não existiu qualquer avaliação errada da situação e que quem realizou essa intervenção conhecia, na generalidade, os factos. Não há um equívoco do “Ocidente” mas tão-somente a realização da sua estratégia global. Quanto muito haverá uma incompreensão por parte de alguns do que é de facto esse “Ocidente”. Assim reafirmo que foi uma operação movida por interesses económicos e geopolíticos (entre os quais o cerco à Rússia). De resto note-se simplesmente que são os mesmos que a fizeram que hoje pressionam internacionalmente para a efectiva independência do Kosovo.

Os círculos do circo

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Helena Roseta, candidata independente à câmara de Lisboa, queixa-se de ser discriminada na cobertura noticiosa das televisões, afirmando que teve apenas 15 minutos dedicados à sua campanha numa semana.

“Discriminação vicia as regras do jogo democrático”, escreveu-se no site oficial do movimento Cidadãos por Lisboa (www.cidadaosporlisboa.org).

Helena Roseta não representa nada de novo na vida política portuguesa, tal como Manuel Alegre nada representava de novo; apesar das pretensões de um e outro, ambos são, desde há anos, figuras destacadas nos velhos partidos políticos de poder em Portugal, e nem um nem outro representam qualquer crítica de fundo ao espaço político nacional. Que isto fique claro, também eles são um simples produto do triunfo da aparência sobre o conteúdo na esfera política, criações de marketing e pouco mais, sucede simplesmente que em situações particulares se sentiram órfãos dos aparelhos partidários e da sua força…

Porém, esta declaração de Helena Roseta é importante, e isto porque está-lhe subjacente o reconhecimento de algo que há muito nos parece evidente, esta democracia moderna é na realidade uma mediocracia. Só existe politicamente quem aparece nos grandes media, sobretudo na televisão, quem não aparece não pode ter aspirações de poder. A televisão cria a sua realidade. E demasiadas vezes essa é a única realidade colectiva, partilhada ou até conhecida.

O poder do “demos” é cada vez mais o poder dos media, são estes que formam a “opinião pública”, é através destes que se eliminam candidatos e se fabricam outros de “grande valia”. Grande valia essa que, em acessos de lucidez, não conseguimos realmente vislumbrar para lá da aparência… mas no final a televisão (e os jornais) garante-nos que sim, que são de enorme competência, gente excepcional, grandes “candidatos”( seja lá qual for o cargo…), e acaba-se por se interiorizar aquilo.

Acontece que para ter força nos media é preciso poder financeiro e redes de influência social. Isto gera um paradoxo interessante que explica a blindagem do sistema político e a razão por que, no regime da suposta alternância, se sucedem as décadas sem alternância alguma. É que, do ponto de vista político-partidário, se os poderes financeiro e societário antecedem o acesso à comunicação eles, porém, dependem dela, ou seja, tem poder nos media quem já tem poder à partida mas como são os media que, em larga medida, criam poder social, gera-se um círculo vicioso de difícil saída, que permite que as mesmas ideias e as mesmas forças se propaguem constantemente, mesmo que, às vezes, as operações de cosmética encomendadas na comunicação social e no entretenimento, sirvam para convencer os “consumidores de publicidade e propaganda” de que existe uma renovação de gentes, ideias ou propósitos, ou de que existe uma evolução, uma mudança.

Obviamente que o sistema mediático não é completamente fechado, existem focos de dissidência ou contestação, mas são micro-realidades que por enquanto não alteram o desenho da macro-realidade; esta última continua a funcionar como um rolo compressor sobre a sociedade, uniformizando-a e definindo-lhe os contornos. Helena Roseta sabe-o, nós sabemo-lo melhor.

Porque para além da questão do “aparecer”, existe uma outra igualmente importante, o “como aparecer”. Porque tanto como aparecer, que significa, no fundo, existir publicamente, é preciso aparecer bem, já que a imagem projectada de alguém ou de algum grupo marca determinantemente a forma como a sociedade reage perante o objecto descrito pelos media. Esta, naturalmente, é já uma questão que não se coloca nem a Helena Roseta nem a outras personalidades políticas que surgem como divergentes sem realmente o serem, mas apenas aos que o são de facto. É, pois, uma procedência que diz respeito sobretudo aos grupos que não têm os mesmos mitos fundadores dos regimes vigentes: a “liberdade dos liberais” e a “igualdade dos universalistas”.

E do paradoxo da “nenhuma liberdade para os inimigos da liberdade” o mesmo regime chega ao “nada de igualdade para os inimigos da igualdade”. Isto é, trata de forma desigual, menor, os que não partilham dos princípios do igualitarismo universalista. Gerando mais um dos paradoxos que fecham o próprio sistema sobre si mesmo, que o protegem contra a mudança de fundo.

E a solução – as vias de saída do labirinto –, para quem a pretende, é difícil, porque implica um jogo de equilíbrios precário entre o “espaço estatal” e o “espaço privado”. Isto porque o espaço estatal é aquele em que os tais mitos fundadores do pensamento filosófico liberal (não confundir com o liberalismo económico “stricto sensu”) ganham um enquadramento legal ou institucional, o que significa que é através desse espaço que são impostos à sociedade e é esse espaço que combate os mitos políticos divergentes, por textos constitucionais, outros códigos legais ou através da constituição de associações estatais ou para-estatais que com o dinheiro do erário público trabalham contra os grupos dissidentes ou de reacção.

Por outro lado o “espaço privado” é o reino de quem melhor está no sistema, isto é, de quem aí mais poder tem e de quem mais beneficia do enquadramento económico-social existente. Naturalmente que aí os grupos dominantes têm interesse em assegurar a continuidade (ou o aprofundamento) das variáveis que lhes permitiram alcançar o estatuto de que dispõem e não em financiar ou permitir a promoção de quem procura alterações ao paradigma.

Eleições em Lisboa

Está on-line um blog de divulgação da candidatura do PNR à Câmara Municipal de lisboa:Lisboa Cidade Portuguesa

Comemorações do 10 de Junho

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No dia 10 de Junho, novamente, o PNR vai celebrar o Dia de Portugal, com uma manifestação em Lisboa.

16.00 horas – Concentração no Príncipe Real.
16.30 horas – Desfile até ao Largo de Camões.
17.00 horas – Discursos (no Largo de Camões).

Em Coimbra a TIR celebrará igualmente o dia de Portugal.

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A Causa Identitária celebrará o 10 de Junho na bela Vila de Constância

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(Entretanto se alguém souber de iniciativas para o Porto que queira ver aqui divulgadas diga-o nas caixas de comentários)