Saint-Loup: La peau de l’aurochs

by RNPD

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A associação “les Amis de Saint-Loup” reeditou muito oportunamente um dos primeiros livros deste autor. Este romance, publicado em 1954 pela editora Plon, surge sobre muitos pontos de vista, à luz dos acontecimentos actuais, como profético. De facto, como assinala Robert Dun em “Réflexions sur une tenace espérance”, na compilação aparecida em 1991 e intitulada “Rencontre avec Saint-Loup”:

«Poucos sabem que o seu livro “La Peau de l’Aurochs” foi concluído em 1945. Olhando-o com atenção não podemos deixar de descobrir nesta obra uma visão de todas as linhas maiores que se concretizaram em situações históricas depois de 1945: A omnipotência dos tecnocratas que acossa os últimos autênticos humanos até nos mais inóspitos lugares dos altos vales alpinos, a ascensão da China que leva a cabo a conquista do mundo enquanto veicula o materialismo mais agressivo, a regeneração do judeu errante pelo regresso à natureza e à terra. Ora, o Estado de Israel e os Kibboutz, o comunismo chinês, a maré tecnocrata e a reacção ecológica que suscitou, não se manifestaram senão entre 5 e 20 anos depois do final da redacção deste livro profético que descreve também o misterioso eclipse dos tecnocratas agressores e a libertação da terra por aqueles que tiveram a coragem da última resistência. E qual foi a força que deu a vitória aos “partidários” da natureza? Uma ideologia? Não! A “pele do auroque”, o bom senso provincial, a percepção das forças ancestrais (…). O tema foi retomado em “La Republique du Mont-Blanc” que acrescenta ao livro anterior a invasão muçulmana e a acção consciente de destruição genética dos povos europeus.»

A estes temas juntarei outros (com o propósito de os enunciar claramente): a desertificação rural, o genocídio campesino, o cruzamento genético desorientador, a destruição do ambiente, a crítica do primado da razão técnica, o conflito cristianismo/paganismo, o enraizamento, a superação de si e a hipotética chegada de um suprahumanismo nietzschiano. Tudo isto há 50 anos, bem antes de Jean Raspail, Philippe Gauthier e tantos outros! Todos estes temas são evocados neste grande romance onde essa “República Valdostana”, que ele tão bem conheceu, vai renascer e depois sobreviver e regenerar-se graças à tenacidade de algumas almas fortes. Esta comunidade irá refugiar-se nas montanhas e procurar o desenvolvimento. Mas a civilização mundialista instalada no Vale vai um dia querer edificar uma barragem que destruirá as povoações. A comunidade deve então fazer face às forças de atracção-dissolução que essa cultura-mundo exerce sobre a etnia valdostana. Um último grupo resistente tentará sobreviver. Esta intriga, à vez simples e bem engendrada, permite evocar claramente e com grande plausibilidade todos estes temas no curso da história do livro, o que constitui em si uma proeza. Citemos simplesmente, a título de exemplo, esta descrição do mundo político que não deixa de nos fazer pensar, irresistivelmente, no nosso:

«Os políticos exprimiam as opiniões mais diversas mas congregavam-se todos, curiosamente, em torno de algumas ideias monolíticas, exactamente como os pretorianos de César! Todos defendiam a liberdade, preconizavam uma igualdade tão fraternal quanto burlesca entre os homens, encorajavam a confusão de raças. Prometiam todos uma felicidade ilimitada sobre a terra, a democracia cristã somente concedia um suplemento de felicidade no céu».

Pascal GARNIER