Month: Janeiro, 2008

O lobby judaico e a política americana

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À medida que os candidatos presidenciais norte-americanos se enfrentam para a liderança da única superpotência mundial há um assunto no qual todos, pelo menos em público, concordam – a relação dos EUA com Israel.

Para políticos proeminentes dos dois lados da divisão partidária essa relação especial é sacrossanta, largamente devido, dizem os críticos, ao poder dos grupos de lobbying pró-israelita.

Esses críticos também dizem que os grupos pró-Israel estão destinados a desempenhar um grande papel na vindoura batalha eleitoral, tanto em termos de financiamento dos candidatos como criticando publicamente qualquer candidato crítico de Israel ou da relação dos EUA com esse Estado.

John Mearsheimer, que, com Stephen Walt, é autor de uma controversa série de artigos e de um livro recente sobre o lobby israelita disse à Al Jazera: «Quase todos os principais candidatos fazem tudo para demonstrar o quão profundamente empenhados estão na relação especial dos EUA com Israel.

Dificilmente uma palavra crítica é dirigida a qualquer coisa que Israel faça, e isso deve-se à actividade do seu lobby.»

O que é o lobby pró-Israel?

O lobby é constituído por dúzias de comités de acção política pró-Israel que baseiam uma grande parte do seu apoio na comunidade judaica americana e financiam os candidatos presidenciais.

Mas os cristãos sionistas, que estão entre os mais vocais apoiantes de Israel nos EUA, também desempenham um papel de relevo.Acreditam que ao fortalecerem e apoiarem o Estado de Israel, estão mais próximos de apressarem a segunda vinda de Cristo como profetizado na Bíblia.

Na vanguarda do lobby está o American-Israel Public Affairs Committee (AIPAC) que trabalha sobretudo no congresso americano.Entre as suas recentes «vitórias» estão a decisão dos EUA de definirem a Guarda Revolucionária do Irão como uma organização terrorista, o assegurar da ajuda financeira dos EUA a Israel e o congelamento em 2006 da ajuda à Autoridade Palestiniana dirigida pelo Hamas.

Dinheiro e Poder

Os defensores do lobby israelita dizem que as opiniões dos candidatos presidenciais são na realidade um reflexo natural das opiniões da maioria dos americanos e que a questão tem pouca influência nas eleições.

Mas na política o dinheiro fala mais alto e os números contam uma versão diferente.

O Centre for Responsive Politics (CRP), que monitoriza o papel do dinheiro na política norte-americana, diz que os grupos e indivíduos pró-Israelitas já doaram mais de USD 845 000 a candidatos presidenciais na campanha de 2008 – 70% do qual para os Democratas.

Em toda a campanha presidencial de 2004 os interesses pró-Israel contribuíram com pelo menos USD 6,1 Milhões para candidatos federais e partidos.

«O dinheiro traduz-se em influência em Washington, por isso, geralmente, os interesses que gastam mais dinheiro terão mais influência e melhores resultados», diz Massie Ritch, director de comunicação no CRP.

E é fora da corrida presidencial e no congresso, que detém os cordões da bolsa da ajuda a Israel, que o lobby deixa a sua marca financeira.

O AIPAC e outros grupos gastaram mais de USD 1,5 Milhões em lobbying a nível federal em 2006 e mais de USD 1,25 Milhões na primeira metade de 2007, o que significa que este ano pode estabelecer um recorde para o lobby.

O lobby pró-Israel contabiliza cerca de ¼ de todo o dinheiro gasto pelos lobbies de política externa no Capitol Hill, diz o CRP.

Fluxo de Informação

Os esforços árabes para defender os seus interesses são, em contraste, mínimos.

A National Association of Arab-Americans e o American Arab Anti-Discrimination Committee divulgaram que gastaram apenas USD 80 000 em lobbying em 2006 e USD 40 000 no primeiro semestre de 2007.

O poder financeiro do lobby israelita também lhe permite providenciar informação unilateral aos políticos americanos, nem sempre familiarizados com as complexidades do conflito no Médio Oriente.

O AIPAC paga viagens educativas aos congressistas e seu pessoal – mais viagens do que qualquer outro patrocinador, segundo o CRP.

«Membros do congresso e respectivo pessoal foram mais vezes a Telavive nos anos recentes do que a Chicago», diz Ritch.

Acusações de anti-semitismo

Os defensores do AIPAC dizem que é aqui que a organização desempenha um papel importante, como fonte de informação para os políticos – incluindo os candidatos presidenciais americanos.

Mas os críticos dizem que os grupos de lobby pró-Israel vão muito mais longe – como afirma John Mearsheimer: «O lobby monitoriza atentamente o que os candidatos dizem.»

Em Março, o candidato democrata Barack Obama fez um discurso no Estado decisivo do Iowa em que disse: «Ninguém está a sofrer mais que o povo palestiniano.»

Um membro local do AIPAC contactou imediatamente os media para denunciar o comentário, descrevendo-o como «profundamente perturbador».

Em Julho, Jim Moran, um congressista democrata que havia criticado o AIPAC no passado, acusou a organização de instigar a guerra no Iraque.

Dezassete membros do congresso escreveram imediatamente uma carta a Moran condenando-o e afirmando que as suas declarações «encaixavam nos estereótipos anti-semitas que alguns usaram historicamente contra os judeus».

Eric Cantor, um dos líderes dos republicanos na Câmara dos Representantes, terá supostamente ido mais longe e é citado como tendo afirmado: « Infelizmente Jim Moran adquiriu agora o hábito de agredir a comunidade judaica americana. Julgo que os seus comentários são reprováveis, julgo que são anacrónicos, e remontam aos tempos de Adolf Hitler.»

Num semelhante clima político é fácil de ver por que é que os que procuram um lugar na Sala Oval se coíbem de falar em qualquer alteração na política externa americana face a Israel ou contra o AIPAC.

A acusação de anti-semitismo é usada regularmente pelo lobby israelita e foi uma das acusações enfrentadas por John Mearsheimer.

«Não somos anti-semitas e o livro não é anti-semita», diz. «Chamar anti-semitas aos críticos da política israelita ou da relação dos EUA com o Estado judaico é procedimento operacional normal para o lobby. É a estratégia normal que usam para silenciar o criticismo face a Israel e para marginalizar os seus críticos.»

Intervenção Militar

Para além da política eleitoral , os críticos do lobby dizem que os grupos de pressão pró-israelitas, depois de instigarem a guerra no Iraque, estão agora a advogar uma acção militar contra o Irão.

«Se se olhar para quem está a incitar os EUA a intervir militarmente contra o Irão, as duas forças motrizes são Israel e o lobby israelita», diz Mearsheimer.

Jim Moran, numa entrevista à Tikkun, uma revista judaica pacifista, disse que a intervenção americana contra o Irão é proposta apenas porque aquele Estado é uma ameaça para Israel.

«Ninguém sugere que o Irão é uma potencial ameaça para os EUA», disse, «como o Iraque nunca poderia ter sido.Com efeito, os mesmos indivíduos e grupos que pressionaram para a guerra com o Iraque estão a fazê-lo no sentido de uma guerra com o Irão.»

O AIPAC, contudo, nega veementemente, que esteja a pedir algo mais que sansões.
«O AIPAC apenas advoga sanções como a melhor forma de impedir o Irão de adquirir armas nucleares ou a capacidade de as produzir, disse à Al Jazeera Josh Block, um porta-voz do AIPAC.

Verdadeira Amizade

Mearsheimer argumenta que os EUA têm de normalizar a sua relação com Israel, tratando-o como tratam o Reino Unido, a Alemanha ou a Índia.

Ele e outros críticos, tanto de dentro como de fora da comunidade judaica americana, argumentam que Israel também sofre com a sua posição privilegiada em termos de ajuda americana.

Acreditam que o apoio do lobby israelita nos EUA encoraja Israel a agir sem receio de sanções internacionais.

Isto encorajou os lideres israelitas a aprovar a ocupação ilegal de terras palestinianas, a construção de colonatos e a prossecução de inúmeras violações de direitos humanos por parte do exército israelita.

«Se estes candidatos presidenciais fossem amigos verdadeiros de Israel, como afirmam ser, não só o criticariam pelas suas políticas nos territórios ocupados…mas estariam também a defender que os EUA pusessem significativa pressão sobre Israel e os palestinianos para alcançarem um acordo para a criação de dois Estados», afirmou Mearsheimer.

«Isso é o que um verdadeiro amigo faria».

Rob Winder

Rússia: A restauração com Putin e novas perspectivas geopolíticas

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Se se evoca a restauração putiniana na Rússia, depois da terrível deterioração sofrida pela antiga superpotência comunista sob o reino, bem vistas as coisas bastante breve de Ieltsin (1), convém fazê-lo correctamente: não simplesmente para enunciar factos diferentes que concernem a um mundo diferente do nosso, mas na perspectiva de construir uma alternativa geopolítica sólida face aos projectos de subjugação da Europa e do resto do mundo, cultivados pela única superpotência ainda em vigor, a saber: os Estados Unidos.

Esta perspectiva geopolítica não poderia ser uma construção do espírito, totalmente nova, sem raízes. As relações euro-russas têm, pelo contrário, raízes antigas e o eixo Paris-Berlim-Moscovo que preconizava, por exemplo, Henri de Grossouvre é, para além de uma imperiosa necessidade, o prolongamento e a reactualização de um projecto velho de cerca de um quarto de milénio. A perspectiva euro-asiática, na nossa família política infelizmente reduzida em número e estatuto, refere-se muito frequentemente ao sonho do nacional-bolchevista alemão Ernst Niekisch que havia imaginado, nos anos 20 e 30 do século passado, uma aliança germano-eslava, fundada sobre o campesinato e o proletariado, pronta a transformar um Ocidente pútrido, ideologicamente agarrado aos esquematismos do iluminismo do século XVIII. Mais fundamentalmente, percebemos, hoje, depois do inevitável desvio por Niekisch, os prelúdios coerentes do eixo de Henri de Grossouvre na aliança dos três imperadores sob Bismarck, sob os Czares germanófilos do século XIX e na aliança de facto que, no último quarto do século XVIII, unia a França de Louis XVI, a Áustria e a Rússia de Catarina II, permitindo vencer a talassocracia Inglesa em Yorktown em 1783 e correr com os Otomanos do Mar Negro contendo-os nos Balcãs (2). A Revolução Francesa arruinará esta unidade e estas conquistas, que poderiam ter salvo a Europa, permitindo-a manter a sua coerência e finalizar o assalto contra os Otomanos.

1759: Ano Chave

Mas já antes desta aliança geral, nas vésperas de 1789, a França, a Áustria e a Rússia haviam unido as suas forças durante a Guerra dos Sete Anos. Um historiador inglês actual acaba de demonstrar que este conflito interior europeu havia permitido à Inglaterra, potência insular situada à margem do Continente, lançar as bases reais do seu futuro império extra-europeu, a partir do ano chave que foi 1759 (3). A arte dos historiadores anglo-saxónicos de remeter a história inteligentemente em perspectiva traz também à nossa memória viva dois factos geoestratégicos tornados permanentes: 1) Utilizar uma potência europeia para desequilibrar o continente e romper a sua união, o instrumento desta estratégia foi à época a Prússia; 2) Aproveitar as guerras internas europeias para levar a guerra para fora da Europa, aproveitando frentes mais desguarnecidas e daí retirar fortes dividendos territoriais e estratégicos sem grandes perdas e sem grandes gastos, como foi o caso no Canadá e na Índia, de onde foi expulsa a França.

Quando analisamos hoje o despertar russo com Putin, é, então, na perspectiva de reencontrar as alianças estratégicas estabilizadoras de antes de 1789, onde as ideologias modernas, beligerantes ao extremo apesar do seu pacifismo auto-declarado, não desempenhavam ainda nenhum papel destabilizador. Entremos agora no cerne do problema.

De Gorbachev a Ieltsin, a Rússia parecia galopar directamente em direcção ao Caos, em direcção a uma nova «Smuta», um novo «Tempo de Dificuldades»: Perda do glacial leste europeu, perda da periferia báltica e caucasiana, perda das conquistas territoriais na Ásia central, etc., queda da moeda e deterioração social e demográfica a toda a linha. Ieltsin foi uma figura desde o início positivamente mediatizada por haver anunciado o fim do comunismo, empoleirado num carro de assalto; mas apesar desta imagem inaugurará um regime sem qualquer coluna vertebral: os oligarcas aproveitaram para adquirir pessoalmente, por todo o tipo de estratagemas duvidosos, as riquezas do país. Na indústria petrolífera, fizeram aumentar a produção graças a empréstimos do FMI, do Banco Mundial e do Banco de Nova Iorque e cederam a consórcios petrolíferos americanos e britânicos partes importantes na exploração dos hidrocarbonetos russos. Putin, desde a sua ascensão ao poder em Janeiro de 2000, mete rapidamente um travão a estas perversões. Imediatamente, potências anglo-saxónicas, petrolíferas, oligarcas e idiotas de serviço no mundo mediático mobilizam-se contra ele e declaram-lhe guerra, uma guerra que prevalece ainda hoje. Terrorismo checheno de Ahmed Zakaiev (com os seus apoios turcos), revolução das Rosas na Geórgia e revolução laranja na Ucrânia são os frutos amargos de um vasto e sinistro complot destinado a enfraquecer a Rússia e a defenestrar Putin. Só o ex-oligarca Roman Abramovic se retratará (4), devolverá os bens adquiridos no tempo de Ieltsin, tornar-se-á governador de Kamtchatka para dar vida a essa região deserdada mas altamente estratégica. Servirá igualmente como intermediário entre Putin e Olmert nos litígios russo-israelitas.

Rússia: potência ortodoxa

Depois da queda do comunismo e do regresso dos valores religiosos, sobretudo na área muçulmana, no Afeganistão antes de mais, depois na Ásia central ex-soviética, mas em menor dimensão, a Rússia encontra-se enfraquecida por décadas de propaganda anti-religiosa do sistema soviético, que quebrou o vigor da ortodoxia entre as populações eslavas e generalizou uma astenia espiritual delinquescente, mas não afectou tanto o Islão centro-asiático, revigorado pelo dinheiro saudita e pelo apoio americano aos moudjahidin afegãos. Mais, nos primeiros anos do pós-comunismo, a vaga de materialismo ocidentalista sacode por completo uma Rússia desnorteada mas, como o remédio cresce sempre ao mesmo tempo que o perigo, o regresso à ortodoxia de uma parte da população (60% segundo as sondagens) volta a dar parcialmente ao país uma identidade religiosa e política tradicional, da qual a Europa ocidental está desde há muito desprovida. Alexandre Soljénitsyne exortava o povo russo a reencontrar o espírito da Ortodoxia e o Patriarca Alexis II dá o seu apoio a Vladimir Putin, que acaba por definir o seu país como uma «potência ortodoxa» aquando da sua visita ao Monte Athos na Grécia em Setembro de 2005. Este regresso à ortodoxia reaviva um determinado anti-ocidentalismo, bem legível nas declarações de um concílio de Abril de 2006, onde a Igreja ortodoxa russa promulgou a sua própria «declaração de direitos e dignidade do homem», onde são fustigados o individualismo ocidental e a vontade de ingerência estrangeira procurando impor «direitos do homem» de tipo individualista na Rússia e em todas as outras terras ortodoxas. O texto acrescenta: «Há valores que não são inferiores aos direitos dos homens, como a fé, a moral, o sagrado, a pátria», onde o filósofo da história discernirá uma recusa da ruptura calamitosa que representa a ideologia dos direitos do homem de 1789 da vulgata mediática actual, quando a manipulamos com a hipocrisia que tão bem conhecemos. A 17 de Maio de 2007 as igrejas russas em estado de diáspora desde os anos 20 reconciliam-se com o Patriarcado de Moscovo (5), o que torna mais difícil a tarefa de voltar as opções da ortodoxia russa umas contra as outras.

Ucrânia: A revolução laranja resvala

A ingerência ocidental efectua-se sobretudo por via das «revoluções das cores» (6) novo modo de praticar a «guerra indirecta» e mutilar as franjas exteriores do antigo império dos Czares e da URSS, como as repúblicas caucasianas e a Ucrânia. Sabemos que a revolução laranja acabou por ser um fiasco para os seus comendatários ocidentais, Victor Iuschenko, o presidente eleito pelo seu programa pró-ocidental, não mudou nada, nem num sentido nem noutro, apesar da sua vontade de fazer entrar a Ucrânia na U.E. e na NATO. O ícone feminino da efervescência laranja de 2005, Iulia Timochenko, afundou-se na corrupção e na demagogia mais baixa, sem qualquer base ideológica clara. Ianukovich, o antigo líder pró-russo da Ucrânia oriental permanece pragmático: A Ucrânia não é matura para a Nato e a U.E. não quer Kiev, diz ele. Em finais de Setembro de 2007, para as eleições, não há manifestações nas ruas. A calma. As agências ocidentais já não pagam. Para o escritor Andrei Kurkov, as personagens da revolução laranja eram marionetas; o poder permanece nas mãos dos gestores da economia ucraniana, ligada à economia russa (7).

Na Geórgia, onde o actual presidente Mikhail Saakashvili tomara o poder em 2003 depois da revolução das rosas, uma contra-revolução acaba de estalar, sem líder bem perfilado (8), que destabiliza a criatura da americanosfera, ícone masculino dos media teleguiados a partir dos EUA. Apesar da sua vitória e da resolução do problema da Adjária secessionista em Maio de 2004, Saakashvili não conseguiu submeter uma outra província separatista, a Ossétia do Sul, encostada à faixa do Cáucaso. Este território de apenas 75 000 habitantes não conta com mais de 20% georgianos étnicos. A sua população é fiel à Rússia. Agindo sobre o descontentamento popular face à política pró-ocidental (e portanto neo-liberal/globalista) de Saakashvili e sobre as especificidades étnicas da Adjária e da Ossétia, Putin encontrou o meio de contrariar os efeitos de uma revolução colorida e de forjar as armas para anular aquelas que, eventualmente, emergiriam amanhã.

Outubro de 2007 – Cimeira de Teerão

Outro sucesso maior de Putin: a vasta estratégia petrolífera implementada, na Europa e na Ásia. Conseguiu quebrar a coesão dos oligarcas (9), apaziguar os perigos de conflito que existiam no Cáspio. A cimeira de Teerão em Outubro de 2007, que reunia os dirigentes da Rússia, do Irão, do Kazaquistão, do Azerbeijão e do Turquemenistão, tinha por objectivo estabilizar a situação nas margens do mar Cáspio e aí organizar um modus vivendi para a exploração dos recursos locais de hidrocarbonetos e de gás. Os acordos que daí saíram estipulam, nomadamente, que os países limítrofes, participantes na conferência, não permitirão que os seus territórios respectivos sirvam de base a potências de fora da zona para agredir um qualquer Estado signatário. Incluindo o Irão, entende-se (10).

No contexto actual, onde o atlantismo apela uma vez mais à matança e em que um dos seus cães de Pavlov, na personagem do sarkozista e ex-socialista Kouchner, junta os seus latidos sinistros ao lúgubre concerto dos belicistas, esta disposição da cimeira de Teerão bloqueia toda a veleidade americana de ingerência na Ásia central e preserva o território iraniano sobre o seu flanco norte, já que o Irão está hoje perigosamente cercado pelas bases americanas do Golfo, Iraque e Afeganistão. O Irão é a peça central, e ainda não controlada, de um território que pertence ao USCENTCOM ( que se estende do Egipto a Oeste ao Paquistão a Este). Este território, na perspectiva dos estrategas americanos, inspirados por Zbigniew Brzezinski, deve servir a prazo, com a sua «Youth Bulge» (a sua vitalidade demográfico e a sua natalidade em alta constante, excepto no Irão) de mercado de substituição em benefício dos EUA, porque a Ásia mantém reflexos autárcicos e a Europa possui um mercado interior menos acessível, e, ainda por cima, uma demografia em retrocesso. O controlo deste espaço implica evidentemente a eliminação do Irão – peça central e área nodal de uma imperialidade regional plurimilenar –, o isolamento estratégico da Rússia e o seu distanciamento de todos os territórios conquistados desde Ivan o Terrível, o controlo da Mesopotâmia e das montanhas afegãs e a desagregação das culturas «masculinistas» e portanto, anti-consumistas, dessa vasta área, certamente islamizada, mas escondendo ainda muitas virtudes e energias pré-islâmicas, permanecendo renitente ao fanatismo wahabita.

Corrente Sul e Corrente Norte

Os acordos do Mar Cáspio terão uma implicação directa sobre o aprovisionamente energético da Europa. O sistema de oleodutos e de gasodutos «Nabucco», favorecido pelos EUA, que pretendiam diminuir a influência russa e iraniana na distribuição de energia, será complementado pelo sistema denominado «Corrente Sul», que partirá de Novorossisk nas margens do Mar Negro para chegar às costas búlgaras ( portanto sobre o território da U.E.), de onde partirá em direcção à Europa central, de uma parte, e em direcção à Albânia, e de lá para o sul de Itália, de outra parte. A ENI italiana é parte envolvida no projecto (11). A realização deste, através da parte pacificada dos Balcãs, arruína automaticamente as manobras dilatórias das forças atlantistas no Báltico, onde os EUA também incitam as pequenas potências da «Nova Europa», cara a Bush, a aniquilar o projecto de encaminhamento do gás russo em direcção à Alemanha a partir de Königsberg/Kaliningrado ou do golfo da Finlândia, impulsionado pelo Chanceler Schröder à época simpatizante – mas tão brevemente – do eixo Paris-Berlim-Moscovo. O sistema de gasodutos do Báltico tem no nome de «Corrente Norte» (12) : a sua conclusão está hoje bloqueada pela oposição de Talim a todos os trabalhos ao longo da costa estoniana. Este bloqueio é ditado em última instância por Washington, que instiga nos gabinetes os países bálticos e a Polónia contra todos os projectos de cooperação euro-russa ou germano-russa, restaurando assim, de facto, o «cordão sanitário» de Lord Curzon e os efeitos mutiladores da Cortina de Ferro sobre as dinâmicas interiores da Europa no seu conjunto. O que foi desde sempre o objectivo das potências talassocráticas.

A vitória eleitoral de Putin em Dezembro de 2007 demonstra, para além da sua real popularidade apesar das campanhas dos oligarcas e dos media, que as estratégias das «revoluções das cores» não surtiram efeito: a essas Putin respondeu com uma mobilização citadina e patriótica criando o movimento «Nachi» ( «Os Nossos) que tomou as ruas em lugar e vez de patifes como Kasparov ou outros descerebrados sem inteligência geopolítica ou geoestratégica.

A Europa não pode querer uma Rússia destabilizada e mergulhada no caos, porque, nesse caso, ela seria automaticamente lançada, senão num caos similar, ao menos numa recessão de que poderia bem prescindir, visto o seu declínio demográfico, a sua relativa estagnação económica e os sinais precursores de um real empobrecimento das suas classes trabalhadoras, fruto de quase trinta anos de neo-liberalismo.

Conclusões:

Em conclusão, o fenómeno Putin deve levar-nos a pensar o nosso destino político nas categorias mentais seguintes:

– Não tolerar a influência de oligarcas de todas as espécies nas nossas esferas políticas, que alienam riquezas, fundos e capitais através de práticas de deslocalização; segundo o bom velho princípio do primado do político sobre o económico, que Putin conseguiu fazer triunfar;

– Compreender por fim a necessidade de uma coesão religiosa visível e com visibilidade (como pretendia Carl Schmitt), mais difícil de restaurar no Ocidente, vistos os danos profundos causados no longo prazo pelo protestantismo, o sectarismo diversificado e caótico que dele saiu e a deliquescência do catolicismo desde o século XIX e do concílio Vaticano II;

– Suscitar uma vigilância permanente contra as manipulações mediáticas que conduziram a França aos acontecimentos de Maio de 68 (para expulsar De Gaulle), às greves de 1995 ( para vergar Chirac na sua política nuclear em Moruroa), às revoluções das cores; é preciso ser capaz de gerar uma contra-cultura ofensiva contra o que as agências do lado de lá do Atlântico tentam vender-nos, afim de provocar, pelos efeitos desse «soft power» terrivelmente bem ensaiado, mutações políticas favoráveis aos EUA;

– É preciso procurar uma independência energética continental, não permitindo aos lóbis petrolíferos americanos controlar os fluxos de hidrocarbonetos na área continental euro-asiática, para benefício dos seus interesses e em detrimento da coesão do Velho Continente;

– É preciso seguir Putin nas suas ofensivas diplomáticas na Ásia, sobretudo em relação à Índia e à China; à Europa interessa estar presente no subcontinente indiano e no Extremo-Oriente, numa perspectiva de harmonização de interesses, como de resto havia já preconizado a China na sua resposta às tentativas ocidentais de ingerência intelectual (o «soft power», que age contra a cultura imperial chinesa).

As cooperações euro-russa, euro-indiana e euro-chinesa, abrem perspectivas mais sedutoras do que o aprisionamento atlantista, do que a nossa triste maceração nos despojos da dependência mediática e política, onde estamos mergulhados, para nossa vergonha. Todos os povos da terra esperam o despertar da Europa. Esse só é viável apoiado sobre a Eurásia, a começar pela Rússia, como no tempo das grandes alianças, começadas à época da Guerra dos Sete Anos.

Robert Steuckers

Forest-Flotzenberg, Dezembro 2007.

Notas :
(1) Cf. « L’eredità di Eltsin », in Linea, 15 de Novembro 2007 (artigo tirado da revista sul-africana Impact (Box 2055, Nooserkloof, Jeffreys Bay, 6331, South Africa).

(2) Cf. Victor-L. TAPIE, L’Europe de Marie-Thérèse. Du baroque aux Lumières, Fayard, 1973 ; igualmente, Henri TROYAT, Catherine la Grande, Flammarion, 1977.

(3) Frank McLYNN, 1759. The Year Britain Became Master of the World, Pimlico, London, 2005.

(4) Dr. Albrecht ROTHACHER, « Das Schicksal zweier Oligarchen. Beresowskis Kampf gegen Putin aus dem Exil und der Lagerhäfltling Chodorkowski“, in zur Zeit, Nr. 42/2007; Dr. A. ROTHACHER, „Superreich und willfährig. Oligarch Roman Abramowitsch: Putins Statthalter in Russisch-Fernost“, in zur Zeit, Nr. 46/2007.

(5) Marie JEGO, « La Fédération de Russie », in : La Vie/Le Monde Hors-Série, L’Atlas des Religions, s.d. (surgido nas bancas em Novembro de 2007). Ver igualmente : Alexandre SOLJENITSYNE, La Russie sous l’avalanche, Fayard, 1998, especialmente o capítulo : « L’Eglise orthodoxe par ce Temps des Troubles », p. 301 et ss.

(6) Cf. Le dossier du Temps de Genève, de 10 de Dezembro de 2004, intitulado „L’internationale secrète qui ébranle les dictatures de l’Est“; este dossier é acompanhado por uma entrevista com o estratega e teórico das guerras indirectas, Gene Sharp, intitulada « L’essentiel est de diviser le camp adverse ». Cf. sobretudo Viatcheslav AVIOUTSKII, Les révolutions de velours, Armand Colin, 2006 (ouvrage capital !).

(7) Andrej KURKOW, « Die Last des Siegens », in : Der Spiegel, 39/2007, pp. 138-139.

(8) „Überall Feinde“, in : Der Spiegel, 46/2007, p. 121. Cf. Eugen GEORGIEV, „Angespannte Lage in Südossetien“, in : Aula, Oktober 2007.

(9) http://www.barnesreview.org / Um texto saído deste site foi raduzido em italiano. Trata-se de : «Vladimir Putin : le sue riforme e la sua tribu di nemici / Il sostegno atlantico agli oligarchi russi”, in Linea, 28 de Novembro de 2007.

(10) Fulvia NOVELLINO, “Il vertice di Teheran per il petrolio del Mar Caspio”, in Linea, 19 octobre 2007.

(11) Filippo GHIRA, “South Stream pronto nel 2013”, in Linea, 23 novembre 2007.

(12) Andrea PERRONE, “L’Estonia sfida la Russia sulla condotta North Stream”, in Linea, 18 octobre 2007. Recordamos, entretanto, que o projecto de um oleoduto ( ou gasoduto) em direcção à Alemanha e á Polónia não é uma ideia nova. Em Dezembro de 1959, Soviéticos, polacos e alemães de leste assinaram um acordo em Moscovo para a construção do «ramo norte do oleoduto da amizade». A «Corrente Norte», de que falamos aqui, não é senão a reactualização, num contexto que já não está marcado pela guerra-fria.

O primeiro sexo

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É possível ser jornalista do «Figaro» e anti-conformista. Éric Zemmour já o provou. Reincide num curto panfleto, incisivo e iconoclasta: «Le Premier Sexe».

A tese é simples: o «segundo sexo», descrito há mais de meio-século por Simone de Beauvoir, tornou-se o primeiro. E mesmo o único. «O homem é uma mulher como as outras» e «o pai… uma mãe como as outras». Audiard, Ventura e Gabin estão mortos e Michel Blanc encarna o novo ideal masculino. Passámos do mundo de «Os sicilianos» ao de «Três homens e um bebé» ou de «Uma mulher inesperada». As causas desta mutação radical são numerosas.

A mais distante remonta ao grande ordálio de 1914 que desvalorizou os valores guerreiros pelo seu descomedimento de ofensivas vãs e de heroísmo inútil. Na sequência as mulheres descobriram as fábricas e o feminismo. E o feminismo é a arma absoluta para a desqualificação do «macho». A ideologia do Maio de 68, «paz e amor», permitiu um novo avanço dos valores femininos. E o capitalismo, possante máquina criando e vivendo da indiferenciação, encontrou aí a sua vantagem; as mulheres tornaram-se produtores como os outros, atirando o custo dos salários para baixo; e os homens consumidores como os outros, criando novas saídas para as multinacionais da moda e da imagem. Os pigmaliões do mundo novo são os homossexuais – perdão: os gays – e as imagens que eles veiculam através da moda e da publicidade, definindo os espíritos e desvirilizando os homens. O homem moderno, aberto à publicidade, depila-se, adorna-se, perfuma-se, oferece-se roupa interior e jóias, e tudo isso é bom para o PIB!

As consequências desta evolução são numerosas. É o enfraquecimento, senão o desaparecimento, do modelo masculino tradicional: o indivíduo combativo, conquistador, que corre riscos. O sentimentalismo substitui a energia, a emoção a razão, a compaixão o conflito.

Sobre as ruínas do indivíduo ergue-se um novo valor; o casal. A sociedade vive na era do «acasalamento» efémero que toma o lugar da família inscrita na linha da hereditariedade e do legado. Assim que «há um problema num casal», este separa-se em detrimento da família e das crianças. Nesta sociedade feminizada, onde o «casal» é o alfa e o ómega da vida social, «há cada vez mais crianças sem pais e portanto sem referências».

Nesta sociedade feminizada, a política, que é conflito, que é combate ( a distinção amigo/inimigo, cara a Carl Schmitt), afasta-se do seu campo de origem. O voto já não é útil, é fútil. «Macho» durante muito tempo, Jacques Chirac torna-se e volta a tornar-se Presidente da República, aparecendo na comunicação social soft e enquanto cuida da sua filha. As prioridades do seu mandato são a luta contra o cancro, a luta contra a insegurança rodoviária, a luta contra a desvantagem, em resumo, «um belo programa para presidente do conselho geral».

Esta evolução (involução?) produz também uma perda de dinamismo da sociedade que Éric Zemmour atribui menos ao envelhecimento do que à efeminização: porque a mulher conserva, não cria, não transgride. A erecção ( se o ousamos dizer) do «princípio de precaução» em princípio central da sociedade não vai, é verdade, no sentido da inovação e da ruptura!

Último ponto levantado por Éric Zemmour, a persistência de modelos masculinos entre as minorias étnicas e religiosas. Assim, «o jovem árabe é o silêncio mais ruidoso da sociedade francesa» porque «ele pertence a um universo onde os homens não estão feminizados». O autor retoma aqui uma tese desenvolvida por Alain Soral em «Misères du Désir». Éric Zemmour vê mesmo na agressão de que foram vítimas jovens brancos por parte de árabes e negros aquando da manifestação liceal de 8 de Março de 2005, uma consequência da efeminização: para ele é menos como «ricos» ou «brancos» que foram agredidos do que como «jovens homens desvirilizados e depreciados». É também através da efeminização da sociedade que Éric Zemmour interpreta a crise identitária dos «jovens judeus dos bairros populares» que «encontraram, eles também, uma virilidade por procuração, são sionistas». Éric Zemmour não o diz mas há também outros grupos de jovens brancos viris ou másculos: skinheads, membros de claques de futebol, militantes de extrema-direita, mas esses são, é verdade, demasiado marginalizados porque são vítimas de uma repressão muito selectiva.

Andrea Massari

Esta recensão parece-me conseguida, mas não deixarei de acrescentar um pequeno excerto do livro que, de algum modo, contradiz aquela última frase. Na realidade, se o não diz com a crueza de Massari, a verdade é que o autor da obra conclui, de certa forma, que é precisamente nessa «extrema-direita» proibida, nessas áreas inconformistas, rebeldes e nacionais, que se encontram hoje os jovens homens brancos que são herdeiros de um certo universo rude, duro, reactivo, indomesticável, em suma, masculino, que a modernidade liberal, fraterna e igualitarista pretende apagar por completo do imaginário europeu:

«Trinta anos depois, o jovem árabe é o silêncio mais ruidoso da sociedade francesa. É à vez rejeitado e desejado, odiado e fantasiado. Ele é o inaceitável e o vago arrependimento. As feministas abominam-no mas não ousam dizê-lo por herança anti-colonialista. Ficam furiosas por ver as cidades regressar à idade da pedra anti-feminista e, ao mesmo tempo, ficam encantadas por encontrar um repositório masculino tão perfeito. Ele é o bárbaro em Roma, o lobo entrado em Paris. Tem uma linguagem próxima de um Neandertal. É o homem perante a civilização. Reage de maneira binária, «porca» ou «respeito», putas em mini-saia ou santas com véu, puta ou virgem. Ele não leu Stendhal. Ele não leu René Girard. Não leu Dostoievski e O Eterno Marido. Mas oferece, por vezes, a sua conquista aos seus amigos durante as famosas «rodadas». Não leu nada mas a sua carne é por vezes triste. Os arquétipos masculinos. As caricaturas. Eles vêm de um universo onde os homens não estão efeminizados, onde se conduzem de acordo com as suas pulsões, mas onde as suas pulsões estão contidas por um quadro rígido, familiar e religioso. Ora, eles vivem num país onde esse quadro implodiu. São conquistadores numa cidade aberta. Os outros jovens observam-nos com uma mistura de terror e de inveja. Esses árabes fazem tudo o que a mamã os proibiu. Para além deles só os jovens negros se podem apoderar da imagem do macho, os cantores de rap reconhecem e assumem um donjuanismo festivo, sem complexos, por vezes violento. Os nossos rapazes tão bem educados não reconhecem que gostariam de os imitar. Só um pouco. Só uma vez.

Alguns ousam. Esses transgridem. Esses reagem. Imitam sem o saber. Eles também jogam aos pequenos galos. Pequenos galos contra pequenos galos. Vagueiam pelos subúrbios, são rivais pelos empregos ou pelas raparigas. São operários ou trabalhadores ou desempregados, brancos. Eles votam Le Pen. Em massa. Em 2002 como em 1995. Não votam nos comunistas nem nos trotskistas. Isso é bom para os jovens das faculdades. Como se Le Pen, a sua grande lata, as suas provocações, as suas gabarolices, a sua linguagem crua, as suas poses de gladiador, lhes definisse um exemplo viril. O «Menir», como ele se nomeia a si mesmo.»

Coisas giras do ano que acabou

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Francesco Cossiga, italiano, professor catedrático de Direito Constitucional na Universidade de Sassari, o mais jovem Secretário de Estado da Defesa no 3º Governo de Aldo Moro, o mais jovem Ministro do Interior, o mais jovem presidente do Senado italiano e, por fim, o mais jovem Presidente da República… senador vitalício.

Francesco Cossiga, também responsável máximo pela reestruturação dos serviços secretos italianos, conhecedor e conivente com a acção em Itália da rede Gládio, organização paramilitar ali estabelecida pela CIA e pelos serviços secretos britânicos (e em vários outros países europeus, com outras designações) para salvaguarda e avanço dos interesses políticos e económicos da “NATO” sobre a Europa.

Um homem, portanto, que independentemente do juízo valorativo que sobre ele seja feito, se movimenta nas mais altas esferas da informação e do poder…

Diz, em entrevista ao Corriere della Sera, jornal diário mais vendido de Itália, em 30 de Novembro do ano que findou, a propósito de uma suposta falsificação de um daqueles vídeos em que aparece Bin Laden:

«De ambientes próximos do Palácio Chigi [NdT: sede do governo], centro nevrálgico de direcção dos serviços de informação italianos, faz-se notar que a não autenticidade do vídeo é provada pelo facto de Osama Bin Laden nele [vídeo] confessar que a Al Qaeda teria sido responsável pelo atentado de 11 de Setembro às duas torres em Nova Iorque, enquanto que todos os meios democráticos da América e Europa, e em primeiro plano os do centro-esquerda italiano, sabem muito bem que o desastroso atentado foi planeado e realizado pela CIA e pela Mossad com a ajuda do mundo sionista para colocar sob acusação os países árabes e para induzir as potências ocidentais a intervir seja no Iraque, seja no Afeganistão».

O crepúsculo da raça branca

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Bonnal Nicolas no Les 4 Vérités.

Podemos dizer que os financeiros que tomaram na mão o nosso destino, desgraçadamente à época de Reagan e Tatcher, atingiram um objectivo que a União Soviética não podia projectar: a destruição do nosso tecido industrial (os EUA são mesmo importadores de alimentos, agora). E foi mesmo Paul Samuelson, prémio Nobel da economia, que evocou recentemente Frankenstein a propósito dos nossos produtos financeiros, os chamados derivados. Fomos também arruinados, nós os Brancos, pelo nosso mercado imobiliário, do qual ainda não acabámos de pagar o preço, de Madrid a Miami, de Londres a Marselha. Esta ganância de vistas curtas revela também um declínio intelectual profundo, um rebaixamento do raciocínio.

Esta intoxicação financeira veio ao mesmo tempo que a invasão terceiro-mundista, ao início dos anos 80. Há trinta milhões de afro-islamistas na Europa. E hoje em dia qualquer país islâmico, como a Líbia ou a Argélia, pode esbofetear-nos no plano diplomático sem que reajamos. Esse é também o caso do Chade, o que pode parecer quase uma palhaçada ou um pesadelo, dada a nulidade de tal Estado.

Os dois grandes blocos ocidentais, que correspondiam ao espraiamento da raça branca, estão em vias de pulverização. A Europa conheceu uma imigração africana e islâmica enorme desde há 30 anos, e a América do Norte foi invadida por asiáticos, hispânicos e mesmo africanos (para o “New York Times”, chegaram mais deles em 10 anos do que em dois séculos de escravatura).

O mais exasperante é que a culpabilização prossegue. De cada vez o discurso reactivo é o mesmo: culpa-se o Branco de racismo, e somente o Branco (é possivelmente a prova da sua superioridade, uma homenagem do vício à virtude…). Quando o Zimbabué massacra os fazendeiros brancos que alimentavam a saudosa Rodésia, está muito bem; quando num subúrbio afro-islâmico matam, roubam e incendeiam, está novamente muito bem, e são os polícias brancos que para lá enviámos para se deixarem matar sem armas que são perseguidos. Quando um Branco reage, está muito mal. E quando evocamos o nosso crepúsculo, demográfico ou outro, está muito mal. Os russos só têm que se mentalizar, visto que a Sibéria está prometida aos chineses, não é?

É espantoso constatar que, como dizia acima, tudo começou por uma destruição da cultura, destruição que pôde disseminar a sua nocividade de uma forma sistemática desde os anos cinquenta. Quando comparamos a nossa literatura com a de há um século atrás, o cinema americano, sueco, italiano ao de há cinquenta anos, não podemos deixar de ficar aterrorizados. Mesmo a cultura pop ou rock evaporou-se. E os marxistas que nos prometiam a vitória das infra-estruturas sobre as super-estruturas podem esfregar as mãos. Porque, como haviam bem visto George Steiner ou Allan Bloom, hoje Finkielkraut, foram eles que destruíram a nossa cultura, em 90% dos casos. Os 10% restantes foram obra de uma classe política cobarde e irresponsável que se entrega à luxúria, em Louxor ou noutro lado.

Não sei se nos levantaremos da nossa ruína intelectual, imobiliária ou industrial, se teremos um chefe de Estado ocidental capaz de nos salvar. As próximas eleições americanas serão fatídicas; e dar-se-ão então os anos decisivos que anunciava Spengler: Deixar-nos-emos destruir ou reagiremos?

O inexorável suicídio da Europa

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Texto publicado no Les 4 Vérités e da autoria de Christian Lambert, antigo embaixador francês.

Bruxelas admite oficialmente que entram na União Europeia, em cada ano, cerca de 550 000 imigrantes provenientes de África, do Médio Oriente e da China, mais os sul-americanos. Na realidade são o dobro, ou seja, mais de um milhão.

Vamos analisá-lo brevemente país por país.

Actualmente a Itália leva o prémio. Para que o soubéssemos foi necessário que um cigano tivesse agredido, violado e morto uma jovem italiana. Roma viu-se então obrigada a revelar que a Itália, um país ainda pior governado do que a França, o que não é dizer pouco, conta agora com 3,7 milhões de imigrantes, números oficiais, que 700 000 recém-chegados foram registrados em 2006 e que 560 000 ciganos ali se fixaram. Mais de 100 000 dentre eles chegaram depois do 1º de Janeiro de 2007, portanto em dez meses. Mais de 50% da delinquência em Itália é da responsabilidade destes «romenos». Ademais, entram em Itália por ano, via Ilha de Lampedusa, cerca de 60 000 imigrantes provenientes da Tunísia e da Líbia, onde o coronel Kadhafi reconhece que o seu país está invadido por «sub-saharianos» à espera de entrar na Europa e que acabarão por aqui chegar. De modo geral, é fácil penetrar na Europa pela Itália onde a Administração é laxista.

Na Grécia é pior e Chipre é uma das grandes portas de penetração na Europa.

Em França nada mudou. Podemos considerar que continuam a entrar no país 350 000 novos imigrantes por ano, 70% provenientes de África. O número de vistos concedidos não diminuiu. É sempre mais de 2 milhões – 2 038 000 em 2006 – o que prova que a luta contra a imigração é, como o resto, puramente verbal.

A este propósito, noto de passagem que a comarca de Aulnay-sous-Bois, em Seine-Saint-Denis, acaba de conhecer quatro dias e noites de combates de rua entre bandos de «afro-magrebinos» e as forças da ordem, segundo a própria imprensa. Em Villiers-le-Bel, Val d’Oise, é ainda mais grave. A polícia, atacada a tiro, revelou-se impotente. Estes motins, para serem controlados, exigem já unidades militares especializadas no combate de rua, sobretudo desde que se acumulam nos subúrbios stocks de armas vindos dos Balcãs.

Na Alemanha encontram-se 4 milhões de turcos, com novas chegadas todos os dias. Um alemão confiou-me que os turcos islamistas se sentiam muito mais à vontade para praticar e exercer as suas actividades na Alemanha do que na própria Turquia muçulmana!

Na Grã-Bretanha 50 poderosas associações muçulmanas controlam milhões de fiéis, maioritariamente paquistaneses. Encontramos agora no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, sob o sorriso de sua graciosa Majestade muito cristã, escolas corânicas onde as crianças podem ser recrutadas para fazerem de kamikazes com carros armadilhados.

Em Espanha, o sul está invadido por vários milhões de muçulmanos de origem magrebina. A Reconquista anunciada da Andaluzia pela Al-Qaida está no bom caminho. E depois, pelas Canárias chegam por ano cerca de 50 000 africanos vindos do Senegal e do Mali que são reconfortados, tratados, alimentados e transportados para o continente, onde recebem papéis e dinheiro, o que permite a muitos dirigirem-se para França, rumo a Montreuil.

Na Holanda, onde vivem numerosos magrebinos, antilhenses e indonésios muçulmanos, os problemas graves multiplicam-se, a imprensa escreve que a situação é «à francesa», ou seja, lojas pilhadas, carros incendiados, confrontos violentos com as forças da ordem.

A Escandinávia não está excluída, observamos que a Noruega, para acompanhar os tempos modernos, descobriu e recrutou, como ministra do seu governo, uma negra, francófona e originária da Martinica.

Acrescento que não há nenhuma politica comum europeia de imigração. A Espanha e a Itália regularizaram milhões de clandestinos – formidável incentivo para os restantes – sem mesmo informarem os seus vizinhos.

Pelo contrário, nos países de Leste nada de imigrantes. Porquê? Porque os países de Leste, que sofreram o comunismo e que por isso são menos desenvolvidos, não distribuem subsídios, alojamentos, saúde e ensino gratuitos.

Alguns dizem que não se deve dramatizar. As grandes invasões do século IV ao VII não acabaram por se resolver? Grande ignorância. É preciso saber, de facto, que estas invasões não tiveram mais que um efeito limitado sobre a população da França nascente. Na realidade, geralmente os bandos de invasores, os saqueadores, não contavam com mais que uns milhares de indivíduos que não se fixaram em França, com excepção dos francos a leste. De resto, muito rapidamente, estes bárbaros converteram-se ao cristianismo, mais exactamente ao arianismo.

É verdade que, à época, a monarquia não distribuía a estes bárbaros subsídios e ajudas de todos os tipos, declarando: « vocês são uma mais-valia para o país. Venham massivamente para junto de nós trazendo as vossas grandes e belas famílias». À época ainda tínhamos bom-senso.

E agora, o que se vai passar? No curto e médio prazo a vaga de imigração vai continuar. Os problemas, que nunca foram tão grandes, vão continuar a estender-se e agravar-se, e no longo prazo, a Europa, que criou a mais bela civilização da humanidade, desaparecerá.