Do caminho para a servidão…

by RNPD

null

Para o liberal há duas categorias de indivíduos que ameaçam o futuro da República e, mais globalmente, o futuro do mundo: o infame funcionário que ganha o salário mínimo e a “ignóbil” escumalha que incendeia viaturas (graças a Deus que, por enquanto, principalmente os peugeot dos proletários, mas quem sabe se a sua vilania não se estenderá um dia aos “topo de gama” alemães?).

Que se elimine estas duas espécies de parasitas e um futuro feliz e risonho, ornamentado por stock-options e participações em lucros, abrir-se-á então às nações ocidentais, reconciliadas na sua verdadeira religião, a do consumismo bem-aventurado, que tem o Financial Times por Bíblia, o Dow Jones como Espírito Santo e Hayek por profeta.

Criminosos de colarinho branco? Isso não existe.
Insider Trading? Simples “astúcias” de tipos que são mais espertalhões que os outros.
Jérôme Kerviel? Um mandarete desajeitado.
Os senhores da grande distribuição? Filantropos unicamente motivados pelo desejo de oferecer produtos de qualidade a baixos preços às massas agradecidas.
As fortunas de centenas de milhões de euros? Justas retribuições do mérito e do talento.
Os despedimentos nas empresas ultra lucrativas? “Ajustamentos” necessários para os lucros futuros.
As catástrofes ecológicas? Fantasias de hippies esquerdistas.
Os que fogem ao fisco? Heróis da liberdade.
O estudante que, depois de ter sido subsidiado pela nação durante todo o seu percurso escolar e universitário, se vai oferecer ao estrangeiro que melhor paga? Um exemplo a saudar e a seguir.
Os desempregados? Uns preguiçosos.
Os pobres? Uns incapazes.
Os excluídos? Uns inúteis.
As leis? Um entrave ao mercado.
A interdição do trabalho infantil? Uma discriminação absurda que ameaça destruir os rendimentos das classes populares.
Os Thénardiers ? Promotores da livre iniciativa caricaturalmente denegridos.

Via Zentropa.Info