Reconhecer o inimigo

by RNPD

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O primeiro inimigo és tu!

Pelo amor a ti mesmo e por essa indulgência sem limites que tens para contigo próprio. Pela tua condescendência face aos elogios e às adulações. Pela tua sede de reconhecimento. Pelo teu gosto pela carreira. Pelo teu egoísmo, pela hesitação que experimentas quando deves partilhar o teu pão, arriscar o teu braço, colocar em causa o conforto do teu lar, questionar a segurança artificial da tua estabilidade aparente: a de um morto-vivo que nem sequer se deu conta de que já não vive.

O primeiro inimigo és tu! Com o medo de escandalizares os outros, aterrorizado pela ideia de seres colocado à margem, salivando perante a menor possibilidade de seres cooptado, acolhido, reconhecido pelo parlamento das múmias falantes.

Com a tua adesão a todos os clichés do pensamento «moderado» e da crítica cortês, da política dissimulada e da linguagem banal. Tu és a globalização. Tu és o assassino da Europa e do Terceiro-Mundo, tu és a cedência. E é-lo tanto mais quanto mais pretendes o contrário e tentas convencer-te a ti mesmo, sem contudo ires ao fundo da tua análise, pela verdade.

A oposição fundamental não é política ou ideológica, é, antes de tudo, entre modos de ser, entre estilos.

O segundo inimigo é a oligarquia

Todas as oligarquias, quer se fundem sobre bases ideológicas, religiosas, de interesse, de casta, de classe ou de costume.

A oligarquia alimenta-se do desprezo pelos outros, ela está destinada, inexoravelmente, a degradar o tecido social, a explorar, a cometer injustiças, a relativizar o direito, assegurando-se de toda a espécie de impunidades. A oligarquia acaba fatalmente por justificar a iniquidade da sua acção pela mentira e pela mistificação, publicitadas massivamente e continuadamente.

O conjunto das oligarquias que saíram vitoriosas das duas guerras mundiais constituiu um sistema politico-económico que não é mais que o do Crime Organizado.

Basta pensar que as principais vozes da economia mundial são o narco-dólar, o mercado de mão-de-obra escrava, a extorsão tributária do petróleo…

Não existem oligarquias boas em contraste com oligarquias más. Algumas formulações anti-maçónicas de matriz explicitamente guelfa (fiéis ao Papa) são viciadas e falaciosas.

A alternativa é global: social, existencial e ética.

O terceiro inimigo é político

Isso é representado pelo vector da oligarquia e da globalização. Enquanto tal este inimigo pode mudar de rosto com o passar dos anos, mas hoje é claramente identificável.

«Para os Estados Unidos, o prémio político mais importante é representado pela Eurásia. Durante cinco séculos, o cenário mundial foi dominado por potências e nações euroasiáticas que se combatiam reciprocamente para conquistar o domínio regional e apontar ao poder global. Hoje, a proeminência na Eurásia é apanágio de uma potência que não é euro-asiática, e o primado global da América está directamente ligado à duração e eficiência da sua supremacia naquela área continental»

Com estas palavras, Brzezinski punha a claro o objectivo estratégico dos Estados Unidos.

Depois disso todas as operações internacionais da Casa Branca apontaram somente a uma coisa: dividir, ensanguentar, estrangular e submeter a região euro-asiática. Já não é possível não o ver, qualquer cidadão de qualquer país euro-asiático está perante uma encruzilhada. Se acredita na liberdade e na independência, se possui um mínimo de dignidade e orgulho, deve ser, antes de tudo, anti-americano. Qualquer que seja a razão que o leve a mitigar ou colocar em dúvida este postulado fundamental faz dele, ao mesmo tempo, um servo e um traidor à sua gente, aos seus antepassados e aos seus descendentes.

Sic et simpliciter.

Gabriele Adinolfi