O mito europeu contra a religiosidade do deserto

by RNPD

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A Moral da Luz e a Fé Solar

Sem dúvida, as duas palavras que se repetem mais frequentemente nas velhas crónicas europeias são Vontade e Honra. A Esperança, pelo contrário, não tem significado. O que conta é cumprir o que deve ser cumprido e não o que pode acabar num sucesso.

Reencontramos em toda esta «moral» da antiga Hiperbórea um certo gosto pelas causas perdidas, uma atitude de perpétuo desafio, onde o gosto pelo risco era exaltado até ultrapassar todos os limites do possível. Os guerreiros espartanos de Leónidas nas Termópilas são, nesse sentido, verdadeiros hiperbóreos. O que conta não é o prazer mas o dever. Não a submissão a um outro para além de si mas a liberdade de impor-se uma conduta conforme à irrevogável Honra da sua linha e do seu clã.

Reencontramos este mesmo espírito no nobre ariano, no dório ou no norueguês. Desde a Idade do Bronze até à conversão da Islândia ao cristianismo, durante quatro mil anos nada parecia ter mudado na moral e na fé dos nossos antepassados. Perante os deuses, permaneciam livres e orgulhosos, ignorando a humildade como o medo. Ignoram os dogmas estreitos e os ritos imobilistas. Afrontar o destino torna-se uma regra de vida absoluta, que se prolonga mesmo para lá da morte. A única «salvação» está no «combate», sem tréguas e sem medo. O Valhalla só acolhe guerreiros!

Descobrimos assim a oposição entre a religião dos hiperbóreos e a dos asiânicos que é de tipo matriarcal. Contra as deusas da noite e da lua, os deuses do Norte afirmam-se à luz do dia e do sol. O sagrado exprime-se no culto do fogo e exalta-se nas grandes festas pagãs do solstício de Inverno e do solstício de Verão. Os templos não são cavernas sombrias onde reinam as trevas, mas recintos sagrados, construídos em locais elevados, expostos ao vento, fustigados pela chuva e queimados pelo sol.

Jean Mabire
in “Thulé, Le Soleil retrouvé des Hyperboréens”