postulado identitário

by RNPD

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Eu sou pela não-discriminação, pela descolonização, pelo direito dos povos a disporem de si próprios. Mas com uma condição: é que não haja excepções à regra. Se somos contra a descolonização, então é preciso ser pela descolonização recíproca, isto é contra todas as formas de colonização: estratégica, económica, cultural, artística, etc. Temos direito a ser pelo black power, mas com a condição de podermos ser, igualmente, pelo white power, yellow power ou red power. Acima de tudo, desconfio do unilateralismo: é o primeiro sinal do espírito partidário, no pior sentido do termo. Ora, assistimos a certos paradoxos. Vemos os ideólogos tomarem posição pelo respeito de todas as raças. Excepto uma: a nossa (que,entre parênteses, é também a deles).Falava-se constantemente de alter-racio-fobia. Aqui é de alter-racio-mania que é preciso falar: outro desvio patológico, de carácter mais ou menos masoquista. Os mesmos que nos explicam, e não sem razão, que ao destruir os hábitos mentais, as estruturas sociais e tradicionais, dos países do terceiro-mundo, a colonização esterilizou-os, tornam-se na Europa os adeptos da pior neofilia, dedicam todos os dias ao mito do «progresso» e convidam os nossos contemporâneos a romper com as «velharias» do passado. Por um lado, dizem-nos que os índios e os esquimós não podem resistir à agressão que representa o contacto com a civilização ocidental, por outro lado, que a mistura dos povos e das culturas é, para os europeus, uma coisa excelente e um factor de progresso. Seria então preciso saber se há dois pesos e duas medidas, e se, para citar Orwell, todos os povos são iguais com excepção daqueles que são mais iguais do que os outros!

Pela minha parte não vejo por que razão o que é excelente para os Bororos ou os Guaiaquis não se revelaria, pelo menos, igualmente bom para nós. Ou então, claro, seria necessário admitir que certas raças são mais dotadas do que outras do ponto de vista das capacidades de adaptação. Mas isso seria discriminação. « Se denunciamos, com direito, os etnocídios dos povos primitivos pelos europeus», escreve Raymond Ruyer, «não se pode interditar aos europeus o direito a preservarem as suas próprias etnias». Os dirigentes das comunidades judaicas, pela sua parte, não se cansam de repetir que duas ameaças sempre os acompanharam ao longo da História: os pogroms e a assimilação. O seu aviso merece ser escutado. É fundado numa sabedoria que vem de longe. Reafirmemos, então, o direito dos povos a serem o que são, o direito que têm todos os povos de tentarem atingir a sua plenitude, contra todos os universalismos e todos os racismos.

Alain de Benoist, Contre tous les racismes, Élements, nº 8-9, Novembro de 1974