O que é o socialismo fascista?

by RNPD

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«Desde o início, e em todos sem excepção, surge a nostalgia do que o fascismo não soube concretizar, o socialismo e a unidade europeia. Os grupos doutrinários insistem com tal força e persistência sobre estes dois objectivos fundamentais que parecem transformá-los numa assinatura, uma divisa do fascismo doutrinal. Mas o socialismo e a Europa do fascismo não são o socialismo e a Europa de todo o mundo.

O socialismo fascista é autoritário, dir-se-ia mesmo que é de bom grado brutal. É autoritário porque os doutrinadores do fascismo estão convencidos de que apenas um regime autoritário poderá vencer as resistências que os poderes do dinheiro oporão sempre ao socialismo: vêem na democracia um regime dominado pelos grupos de pressão dos interesses económicos e pensam que as medidas sociais que são tomadas pelas democracias são sempre adoptadas com o acordo dos homens de negócios e não têm outro resultado que os ajudar e proteger falseando o sistema económico. Constatam que a democracia nunca conseguiu fazer desaparecer as escandalosas diferenças de nível de vida, e que ela mantém, pelo contrário, uma classe de privilegiados e de parasitas cujo luxo é um insulto aos que trabalham. E pensam que o desaparecimento destas injustiças e destes privilégios não poderá ocorrer sem uma luta na qual o regime democrático é impróprio.

É por isso que o seu socialismo é de bom grado brutal. Tendo em vista um alto grau de nacionalizações, não querem que estas sejam teóricas e se traduzam em novas prebendas. Concebem-nas frequentemente sob a forma de confiscações – ao menos no que toca aos privilegiados que exploram os feudos dos quais não são mais que os herdeiros e gerentes. Não aceitam que um Estado anónimo se substitua às sociedades anónimas para distribuir às mesmas classes da alta burguesia os ricos canonicatos económicos, querem que os postos de comando pertençam aos melhores técnicos e criadores. Pensam que um Estado forte deve suprimir arbitrariamente os parasitas e prebendários da economia e ao mesmo tempo proteger as riquezas e as capacidades provenientes da iniciativa privada, que devem ser defendidas contra uma demagogia teórica e inconsequente. Não rejeitam nem as investigações sobre as fortunas privadas injustificadas, nem as pressões sobre os que construíram fortunas escandalosas sem prestarem qualquer serviço à nação, destinadas a restituir o que é devido.»

Maurice BARDECHE, “Qu’est-ce que le fascisme ?”,Les sept couleurs, 1970, p. 107-108.