O vírus da decadência

by RNPD

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«Este teatro que pretendia dar-se ares de arrebatado é na realidade um teatro raso. Uma intriga melodramática e geralmente banal conduz, após alguns desvios, a uma peripécia sumária e brutal. Tudo ali é judeu, horrorosamente judeu, desde a intenção social anárquica quanto aos costumes, conservadora quanto à bolsa, desde a falsa sátira inspirada nos piores clichés da velha avenida, até ao exibicionismo moral – os personagens apenas falam de si próprios e com a imodéstia de macacos –, até à fealdade do diálogo que interrompe aqui e ali ora uma expressão mal utilizada ora uma metáfora de pacotilha. Os homens exprimem-se como tratantes e comportam-se como animais. Retêm do cão os actos e do criado os comentários. As mulheres são criaturas melancólicas, permanentemente debruçadas sobre o seu espelho, o seu próprio carácter ou o seu porta-moedas. Elas não têm nem coração, nem tacto, nem discrição, nem delicadeza…

Este teatro aspira a uma destruição universal que apenas o pouparia a si e aos da sua raça. A palavra de ordem deste teatro é “sujar”. Todos os sentimentos são tornados vis, todas as intenções declaradas ou escondidas são ignóbeis. Um só poder é respeitado, mesmo quando é mal falado e insultado, sempre com uma admiração secreta: o do dinheiro.»

Léon Daudet citado por Lucien Rebatet em “Les tribus du cinéma et du théâtre”