A verdade sobre a nossa liberdade democrática

by RNPD

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No âmbito das recentes comemorações do dia internacional da democracia a World Public Opinion, patrocinada pela União Interparlamentar (organização com estatuto de obervação na ONU) elaborou, em 24 nações de todo o mundo, da Europa, da América, da Ásia e de África, em países pobres e países ricos, uma grande sondagem para perceber como as diferentes populações percepcionavam na realidade o funcionamento das respectivas democracias, independentemente daquilo que a publicidade política oficial e oficiosa vende.

Três resultados merecem nota de destaque.

1- Insatisfação com o grau de liberdade de expressão

Não houve um único país de todos os que foram analisados nesta sondagem onde a maioria da população se considerasse completamente livre para expressar as suas opiniões (as pessoas podiam escolher três opções de resposta: sentiam-se completamente livres para expressarem o que pensam, algo livres ou não muito livres).

Alguns resultados dignos de análise:

Nos EUA, a “land of the free”, suposto paradigma da liberdade, apenas 24% da população se acha completamente livre para expressar os seus pensamentos.

Numa boa parte dos países do “terceiro mundo”, incluindo alguns que os regimes “democráticos ocidentais” gostam de acusar naqueles relatoriozinhos sobre défices democráticos e violações dos direitos humanos, as populações consideram-se mais livres do que as de França, Alemanha e Inglaterra (ou mesmo EUA)!

2- As vozes de oposição não são vistas como podendo expressar de forma justa as suas posições ou influenciar as decisões políticas.

A percepção generalizada, incluindo, nos países ocidentais, é que as vozes opositoras ao governo não têm uma oportunidade justa de se expressarem e tentarem influenciar as decisões políticas. Isto é, manifestamente, resultado de um sistema político cada vez mais dominado pelo acesso aos Media, e em particular às televisões: cada vez mais apenas existem as opiniões que são difundidas nos grandes órgãos de comunicação social. Se esta é a percepção existente face à justiça de tratamento dada às oposições coniventes com o regime, imagine-se o tratamento que é dado às oposições ao próprio regime, ou seja, partidos e organizações cujas ideias sejam contrárias ou divergentes daquelas que são dominantes numa determinada sociedade são completamente ostracizados, não têm possibilidade de expressarem os seus pontos nos órgãos de comunicação de massas e inclusive, na maior parte das vezes em que aparecem nesses órgãos, são vítimas de todo o tipo de distorções, ao abrigo do jornalismo de intervenção mais sujo. É este o caso das organizações que o sistema cataloga de “extremas”, de extrema-direita sobretudo, mas nalguns casos também de extrema-esquerda.

3- Os partidos são vistos como restringindo a diversidade de opinião

Um dos pontos mais importante no que deveria ser, em teoria, o bom funcionamento democrático seria a possibilidade dos parlamentares se poderem expressar livremente mesmo contra a opinião oficial do seu partido. Ora, a percepção na maioria dos países considerados na sondagem é que isso não sucede. Em particular destaque, uma vez mais, os resultados obtidos nos países ocidentais, onde apenas uma pequena percentagem afirma que os membros de um partido são livres de emitirem as suas opiniões, redundando, por isso, num sistema onde as pessoas não pensam mas em que, ao invés, são pressionadas para seguirem o guião das linhas oficiais e predeterminadas das organizações partidárias, como papagaios descerebrados. De resto, há muito que se tornou evidente que os partidos políticos são frequentemente um entrave à liberdade de opinião e ao bom funcionamento democrático…a conclusão é por isso evidente, as sociedades precisam de limitar o poder das máquinas partidárias na sociedade para serem livres. Pelo contrário o que sucede no ocidente é uma partidarização asfixiante da sociedade e das instituições, gerando um clima de unanimidades medíocres ao nível do pensamento, ou mais propriamente do “não-pensamento”.

Conclusão:

Nos regimes democráticos existentes, e em particular no Ocidente, que é mais directamente o que nos interessa, as pessoas não são livres para expressarem as suas opiniões, as vozes e opiniões divergentes estão impossibilitadas de terem o mesmo tratamento das que estão no poder e o caso agrava-se à medida que as opiniões são mais divergentes em relação a esse centro de poder do regime, nomeadamente pelo tratamento que lhes é dado num sistema democrático que é cada vez mais feito do show-off mediático e das aparências. Por fim, os partidos democráticos funcionam como máquinas de restrição do pensamento livre.

É que da propaganda oficial, sobretudo no Ocidente, que gosta de dar lições de moralidade democrática ao resto do mundo, para a realidade, vai uma enorme diferença!