Month: Dezembro, 2009

Como éramos inúteis…

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“Como éramos inúteis…” escreve Nietzsche. Refere-se à sua juventude, passada na companhia de um seu amigo. O tão enigmático filósofo refere-se a uma certa “maneira de ser”, que tem o seu ponto cardinal no período jovem da vida. Arrisco a dizer (correndo o risco de não mais ser lido depois disto) que quem nunca experimentou a sensação a que se refere o filósofo, e à qual me refiro neste texto, não teve nunca esperança de ser um Homem Livre. Ao menos por um momento.

A polémica de Nietzsche é obviamente social (quanto mais cultural e consequentemente política), radicada no sistema em que vive, e é facilmente dirigida à sociedade de hoje: ele insurge-se contra o igualitarismo democrático-burguês e utilitarista, contra o homem prático moderno (o dito “homo-economicus”) que encontra exclusivamente naquilo que é material a sua razão de vida. A isto opõe aquilo que nós, vulgarmente, chamamos “superhomem” (bem distanciado do superman americano e bem longe de ser super…), que é um Mito, um ponto de referência, uma figura ideal que representa a verdadeira tensão e vontade de superação, onde ao “útil” do homem moderno é oposto o “inútil” (“como éramos inúteis”…), ou seja, às “coisas” são opostas as “ideias”, aos “objectos” os “pensamentos”, à pávida moral a virtude da coragem, à racionalidade prática a inocência infantil, à conservação passiva a criação “divina e superhumana”, ao conformismo e egoísmo a intransigência e a incontrolabilidade, ao feio, servil, mesquinho, baixo, temeroso, vil e “normal” opõe o orgulho de quem ri do ridículo da lei do lucro e da moral pequeno-burguesa. Em pouquíssimas palavras, à modernidade opõe a tradição.

Nietzsche, pensado alegremente na sua juventude despreocupada e pura (“como éramos inúteis”…) olha os jovens do seu tempo e das gerações futuras, a sua especulação filosófica, neste âmbito, baseia-se sobre a descrição daquilo que aos seus olhos é o decadente cenário da sua cultura, para incentivar os jovens a rebelarem-se contra a praxis democrática da educação de massa e contra a submissão da educação e da cultura à economia. Não será nem o primeiro nem o último a desenvolver este pensamento, mas a perda do “deslumbramento infantil” da sociedade moderna, para benefício da “competência-eficiência” (que é sempre auto-anulação e alienação…) da sociedade moderna, está frequentemente presente nos seus escritos. E é denunciada com surpreendente vigor. Esta “sujeição total” do homem ao mero interesse económico é para Nietzsche uma verdadeira castração da evolução natural do homem, constrangido a viver “à altura do seu próprio tempo, em que se conhecem todas as realidades para enriquecer, e do modo mais fácil”. Vitória da predação, e portanto da involução, regresso, decadência. Aí está a modernidade, o espaço por excelência da subversão (“a inversão dos valores”), onde as massas são informes, indistintas, iguais a si mesmas. O nada, por fim!

“ Não podemos silenciar o facto de que muitos pressupostos dos nossos métodos modernos de educação transportem consigo um carácter inatural, e que as mais fatais fraquezas da nossa época se devem precisamente a esses métodos inaturais de educação”

O homem utilitário, numa tal época, torna-se escravo e sufocado por uma moral mísera e materialista, drogado pela educação de massa, e agente da ideia igualitarista. O igualitarismo, que Nietzsche vê como historicização nos séculos da moral cristã, é um poder que oprime o homem, o homem que quer ser “livre para” e não “livre de”. Ele vê como alma portadora deste homem decadente e símbolo da opressão moral a figura do “padre”, mas não apenas no âmbito da Igreja, mas também na figura do político, e portanto na cultura, na arte, na ciência. Em suma, qualquer instituição moderna é escrava do pensamento moderno (“humano, demasiado humano”).

Só através de um grande “Não”, uma grande recusa, um inimaginável desprezo face a esta sociedade, uma grande revolução será posta em marcha. E talvez apenas assim, os homens poderão novamente sentir aquela estranha e única sensação de invencível liberdade, com os olhos plenos de curiosidade em direcção ao mundo e o coração pleno de ardor. Só assim poderemos voltar a sentir-nos, nem que seja apenas por um segundo, “inúteis”. Inúteis para viver intensamente a nossa vida e abraçar, igualmente intensamente, a nossa morte. “Aquele que cumpre plenamente a sua vida, terá uma morte vitoriosa. Assim se deveria aprender a morrer. Esta é a morte melhor: morrer em combate e espalhar um ânimo grande”. Parece impossível, caros homens livres, actuar conforme estas palavras na realidade em que vivemos, mas não podemos (não podemos!) resignarmo-nos a uma existência de “produzir- consumir- distrair”. Somos assim, e não podemos ser de outro modo” recorda-nos Evola.

E depois…o superhomem nietzschiano, o “recorda quem éramos” do Rei Leónidas, o grito de vingança de Aquiles e o grito de liberdade de William Wallace, o “mito da caverna” de Platão, o “cavalgar o tigre” de Evola, ou o “virá o nosso dia” de Bobby Sands, o “pátria ou morte” do Che, ou Dante quando nos diz “ Sejam homens, e não ovelhas tontas” e tantos outros, podem ser interpretados também individualmente, se se trata de rebelião, na falta de uma verdadeira direcção. Pode ser chamado anarquia, fascismo, comunismo, nacional-socialismo, racismo, socialismo, existencialismo, bandoleirismo, populismo, etc. Aquilo que verdadeiramente devemos comungar é a fé face a uma guerra que, seja interior ou militante, assume uma forma quase metafísica, mas sobretudo deve reconhecer-se no mesmo inimigo a combater. Uma guerra para ser combatida mesmo sozinhos, se necessário. Contra tudo e contra todos. Uma guerra também já perdida, “inútil”…precisamente. Nós somos os rebeldes. Os inúteis.

“ O rebelde quer apenas permanecer fiel a si mesmo, fiel a uma escolha feita quando rapaz” escreve Massimo Fini. Procurai qualquer coisa pela qual valha a pena viver, e será a mesma coisa pela qual valerá a pena morrer, de outra forma não sereis prontos e fortes e livres o suficiente para viver, e algum outro encontrará essa “qualquer coisa” por vós. Isto, ensinam-nos os nossos pais. E Nietzsche:” A Natureza coloca no mundo, de tanto a tanto, certos homens a quem atribui missões superiores ao comum. Estes têm um destino especial: para eles é normal que não valham as leis comuns, esses devem fazer valer as suas ideias, a sua força, e devem usá-la.”

Marco Aurelio Casalino

A verdadeira religião da Europa

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“Há uma religião do Ocidente. Essa religião é o antigo paganismo grego ou latino, celta ou germânico…esse paganismo valia os outros. Ele não está assim tão longe de nós. Nunca somos mais do que pagãos convertidos…o pagão é aquele que reconhece o divino através das suas manifestações no mundo visível”. Foi assim que em 1965 o Cardeal Jean Danielou respondeu à questão. A Europa é um continente pagão. Simplesmente ela esqueceu-o durante séculos por múltiplas razões.

Definição do paganismo

Mas o que significa então “pagão”? Cultos demoníacos e magia negra? Nostalgia estéril de esteta? Ideologia totalitária sobre fundo de exaltação da força brutal? Nada disso corresponde à realidade dos diversos paganismos da Europa tradicional. Se uma ínfima minoria de neo-pagãos pode perder-se nesse género de impasse, é lamentável, mas isso não permite caricaturar a mais antiga religião do continente, que podemos definir como a religião dos ciclos da natureza e do cosmos.

O paganismo é, por definição, cósmico e portanto eterno. Ao contrário, as religiões abraâmicas, e sobretudo o cristianismo e o islão, apesar dos seus múltiplos empréstimos dos cultos anteriores, fundam-se sobre a revelação dada pelo seu Deus ciumento num dado momento e lugar: são religiões históricas, que conhecem um começo e um final. O paganismo, quer seja celta, hindu ou shintoista (japonês), ignora essa visão segmentada do tempo e prefere uma visão cíclica. Da mesma forma, aceita a pluralidade das vias religiosas, reflexo da multiplicidade de figuras divinas: Apolo e Dionísio simbolizam polaridades aparentemente contraditórias mas bem complementares. O primeiro não é jamais imaginável sem o segundo, como o Uno não é imaginável sem o Múltiplo.

Mas, dir-me-ão, esse paganismo desapareceu há 2000 anos, vencido na Europa pela fé cristã., noutros sítios por outras revelações (o islão no norte de África e na Turquia, outrora cristãs). Os estudos históricos, cada vez mais folheados – e libertados dos preconceitos cristãos – mostram que aquilo que podemos chamar, para simplificar, paganismo europeu, nunca desapareceu e que a conversão do nosso continente fez-se muito lentamente…e sem doçura (excepto na Irlanda e na Islândia)

Conversão pela força da Europa pagã ao cristianismo

A conversão foi imposta, pelo ferro e pelo fogo. Ela estendeu-se por séculos: os lituanos, por exemplo, não foram convertidos – pela força – senão nos séculos XVI e XVII. Nas nossas regiões, os antigos cultos politeístas foram cobertos com um verniz cristão, frequentemente muito superficial.

Veja-se o culto dos santos, das fontes, das procissões, as fogueiras dos santos populares (e todo o calendário de festas), e mesmo a Trindade, muito pouco monoteísta. É apenas na Contra-Reforma, em reacção ao protestantismo, que a Igreja católica ergue uma grelha eficaz. Mas as mentalidades, o que Jung chamava o Inconsciente Colectivo, conservaram as estruturas mentais do paganismo; apenas os vocábulos mudaram. Da mesma forma, o estudo da nossa cultura mostra que na Europa todos os renascimentos foram feitos por um recurso à memória pagã: O Renascimento italiano ou francês, o Romantismo alemão, etc. Mas hoje, neste início de século XXI, face ao triunfo aparente do materialismo mais aviltante, face também à ofensiva de religiões selvagens e frequentemente exóticas (as “seitas”), face sobretudo ao islão cada vez mais massivamente presente sobre o nosso solo (com as consequências que este tipo de colonização implicam, vide a Índia ou a Macedónia), como dizer-se pagão sem passar por um excêntrico? Comecemos por criticar diversos preconceitos.

Os deuses contra o materialismo

Desde logo, paganismo não combina de todo com materialismo. Honrar os deuses, que são potências e não pessoas, não significa adorar o bezerro de ouro. Neste sentido, um pagão consequente está mais próximo de um cristão repugnado pela mercantilização do mundo do que de um consumidor satisfeito. Depois, o pagão não pode ser membro de uma qualquer “seita”, que fecha sempre os seus membros numa visão paranóica do mundo, com a sua espera do Apocalipse, o seu culto do livro único que contém todas as verdades e dos eleitos, únicos que serão salvos. O pagão vive numa relação de co-pertença com o cosmos, do qual não é nunca o centro.

O seu livro é a natureza, mesmo se admite que Homero, por exemplo, é um autor “inspirado”. O pagão não se refugia em paraísos artificiais nem em miseráveis consolações d’além-mundo (…)

O Shinto japonês é uma religião pagã. O elemento feminino ocupa aí, portanto, um lugar importante.

Para o pagão a ética é por definição trágica, feita de aceitação do destino, encarado como um desafio para provar a fidelidade à sua visão de Honra, para oferecer um nome sem mácula aos seus descendentes.

Porque o pagão situa-se numa continuidade, a da terra e dos mortos, como dizia Barrès. Ele define-se como herdeiro de um legado ancestral, que lhe cabe enriquecer e transmitir. O pagão, se tem a cabeça nas estrelas, mantém os pés bem firmados sobre a terra que é a sua, sem jamais perder o contacto com essas duas dimensões. Ele é filho da terra negra e do céu estrelado.

Face à pretensão monoteísta de deter a única verdade – e de impedir os outros de escolher o seu caminho para o divino – o pagão faz prova de tolerância, no sentido em que ele sabe, no mais profundo de si, que o caminho para o divino pode fazer-se por uma infinidade de vias.

Um tal mistério não pode nunca resumir-se a um catecismo predeterminado nem a um conjunto de gestos repetidos de maneira mecânica. Mas tolerância não significa laxismo: como tolerar tudo o que restringe a soberania do homem (as drogas, os condicionamentos ideológicos ou mediáticos, os estilos de vida doentios)? Ora, a actual sociedade ocidental, entrada numa fase de “involução” cada vez mais notória, parece comprazer-se na exaltação das modas mais dissolventes, na confusão sistemáticas das referências, na destruição de todos os laços, por exemplo familiares e comunitários.

A religião da Europa

Concluamos esta breve nota evidentemente incompleta. A religião da Europa é de essência cósmica. Ela encara o universo como eterno, sujeito a ciclos. Esse universo não é visto como estando vazio de forças nem como “absurdo” como pretendiam os niilistas. Tudo faz sentido, tudo são forças e potências impessoais regidas por uma ordem inviolável, a que os indianos chamam dharma (conceito mais tarde recuperado pelos budistas), termo que pode parecer um pouco exótico, mas que os Gregos traduzem por Kosmos: Ordem.

Depois de milénios, a nossa religião tradicional, reflexo da tradição primordial, incentiva o homem a inserir-se nessa ordem, a conhecer-lhe as leis implacáveis, a compreender o mundo na sua dupla dimensão, visível e invisível. O pagão de hoje, como há três mil anos, faz suas as divisas do Templo de Apolo em Delfos: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses” e “Nada em Excesso”.

Christopher Gérard, Revue Renaissance – Réflexion et Culture, Abril de 2002, N°5 (via Vouloir)

Entrevista sobre uma das divisões infantis do nacionalismo europeu

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Já não deposita esperança, como antes ou como alguns “nacional-revolucionários”, no mundo árabe-muçulmano?

Todas as tentativas anteriores de criar um eixo ou uma concertação entre os dissidentes construtivos da Europa manipulada e os parceiros do mundo árabe considerados “Estados-Pária” saldaram-se por falhanços. Os colóquios líbios da “Terceira Teoria Universal” deixaram de existir aquando da aproximação entre Khadaffi e os Estados Unidos e desde que o líder líbio adoptou políticas anti-europeias, nomeadamente participando recentemente no mobbing (mobilização mediática para fazer pressão política) contra a Suíça, um mobbing em curso desde há uns bons 10 anos e que encontrou novo pretexto para continuar depois da famosa votação sobre os minaretes.

O líder nacionalista Nasser desapareceu para ser substituído por Sadat e depois por Moubarak, que são aliados muito preciosos dos EUA. A Síria participou na perseguição ao Iraque, última potencia nacional árabe, eliminada em 2003, apesar do efémero e frágil eixo entre Paris, Berlim e Moscovo. As crispações fundamentalistas declaram guerra ao Ocidente sem fazer distinção entre a Europa manipulada e o Hegemon americano, com o seu apêndice israelita. Os fundamentalistas opõem-se aos nossos modos de vida tradicionais e isso é inaceitável, como são inaceitáveis todos os proselitismos do mesmo tipo: a noção de jahiliyah (idolatria a destruir) é para todos perigosa, subversiva e inaceitável; é ela que veicula esses fundamentalismos, logo à partida instrumentalizando contra os estados nacionais árabes, contra os resíduos de sincretismo otomano ou persa e depois por parte das diásporas muçulmanas na Europa contra todas as formas de politicas não fundamentalistas, nomeadamente contra as instituições dos Estados de acolhimento e contra os costumes tradicionais dos povos autóctones.

Uma aliança com estes fundamentalismos obrigar-nos-ia a renunciarmos ao que somos, do mesmo modo como exige o Hegemon americano, a exemplo do Grande Irmão do romance 1984 de Georges Orwell, exigem que rompamos com os recursos íntimos da nossa historia. O prémio Nobel da literatura Naipaul descreveu e denunciou perfeitamente este desvio na sua obra, evocando principalmente as situações que prevalecem na índia e na Indonésia. Neste arquipélago, o exemplo mais patente, aos seus olhos, é a vontade dos integristas de se vestirem segundo a moda saudita e imitar os costumes da península arábica, quando estas vestimentas e estes costumes eram diametralmente diferentes dos do arquipélago, onde há muito tempo reinava uma síntese feita de religiosidades autóctones e de hinduísmo, como atestam, por exemplo, as danças de Bali.

A ideologia inicial do Hegemon americano é também um puritanismo iconoclasta que rejeita as sínteses e os sincretismos da “Merry Old England” (1), do humanismo de Erasmo, do Renascimento Europeu e das políticas tradicionais da Europa. Neste sentido partilha bom número de denominadores comuns com os fundamentalismos islâmicos actuais. Os Estados Unidos, com o apoio financeiro dos Wahabitas sauditas, manipularam estes fundamentalismos contra Nasser no Egipto, contra o Xá do Irão (culpado de querer desenvolver a energia nuclear), contra o poder laico no Afeganistão ou contra Saddam Hussein, puxando provavelmente ao mesmo tempo alguns cordelinhos no assassinato do rei Faycol, “culpado” de querer aumentar o preço do petróleo e de se ter aliado, nesta óptica, ao Xá do Irão, como brilhantemente mostrou o geopolitólogo sueco, William Engdahl, especialista de geopolítica do petróleo. Acrescentemos de passagem que a actualidade mais recente confirma esta hipótese: o atentado contra a guarda republicana islâmica iraniana, os problemas ocorridos nas províncias iranianas com o fim de destabilizar o país, são obra de integrismos sunitas, manipulados pelos Estados Unidos e a Arábia Saudita contra o Irão de Ahmadinedjad, acusado de recuperar a política nuclear do Xá! O Irão respondeu apoiando os rebeldes zaiditas/xiitas do Yemen, retomando assim uma velha estratégia persa, anterior ao surgimento do Islão!

Os pequenos fantoches que se gabam de ser autênticos nacional-revolucionários e que se deleitam em todo o tipo de farsas pró-fundamentalistas são, na verdade, bufões alinhados por Washington por dois motivos estratégicos evidentes:

1- Criar a confusão no seio dos movimentos europeístas e fazê-los aderir aos esquemas binários disseminados pelas grandes agencias mediáticas americanas que orquestram por todo o mundo o formidável “soft power” de Washington;
2- Provar urbi et orbi que a aliança euro-islâmica (euro-fundamentalista) é a opção preconizada por “perigosos marginais”, por “terroristas potenciais”, pelos “inimigos da liberdade”, por “populistas fascizantes ou cripto-comunistas”.

Neste contexto encontramos também as redes ditas “anti-fascistas”, agitando-se contra fenómenos assimilados, mal ou bem, a uma ideologia política desaparecida desde há 65 anos. No teatro mediático, colocado em prática pelo “soft power” do Hegemon, temos, de uma parte, os idiotas nacional-revolucionários ou neo-fascistas europeus zombificados, mais ou menos convertidos a uma ou outra expressão do wahabismo e, de outra parte, os anti-fascistas caricaturais, largamente financiados com o propósito de mediatizar os primeiros (…).Todos têm o seu papel a desempenhar, mas o encenador é o mesmo e conduz a comédia com mestria. Tudo isto resulta num espectáculo delirante, apresentado pela grande imprensa, igualmente descerebrada.(…)

(…) Efectivamente, é forçoso constatar que o fundamentalismo judaico-sionista é igualmente nefasto ao espírito e ao politico quanto as suas contra-partes islamistas ou americano-puritanas. Todos, uns como outros, estão afastados do espírito antigo e renascentista da Europa, de Aristóteles, de Tito Lívio, de Pico della Mirandola, de Erasmo ou Justo Lipsio. Perante todas estas derivas, nós afirmamos, em alto e bom som, um “non possumus”!Europeus somos e europeus permaneceremos, sem nos disfarçarmos de beduínos, de founding fathers ou de sectários de Guch Emunim.

Não podemos classificar como anti-semita a rejeição desse pseudo-sionismo ultra-conservador que recapitula de maneira caricatural aquilo em que pensam políticos de aparência mais refinada, quer sejam likudistas ou trabalhistas, constrangidos a rejeitar os judaísmos mais fecundos para melhor desempenharem o seu papel no cenário do Próximo e Médio Oriente imaginado pelo Hegemon. O sionismo, ideologia inicialmente de facetas múltiplas, decaiu para não ser mais que o discurso de marionetas tão sinistras quanto os wahabitas. Todo o verdadeiro filo-semitismo humanista europeu mergulha, pelo contrário, em obras bem mais fascinantes: as de Raymond Aron, Henri Bergson, Ernst Kantorowicz, Hannah Arendt, Simone Weil, Walter Rathenau, para não citar mais que um pequeno punhado de pensadores e filósofos fecundos. Rejeitar os esquemas de perigosos simplificadores não é anti-semitismo, anti-americanismo primário ou islamofobia. Diga-se de uma vez por todas!

Excerto de uma entrevista a Robert Steuckers conduzida por Philippe Devos-Clairfontaine (Bruxelas, 7 de Dezembro de 2009)

Sujar, rebaixar, subverter…

As janelas da ciber-espionagem

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A National Security Agency (NSA) admitiu ter trabalhado com a Microsoft no desenvolvimento do Windows 7, conforme testemunhado a 17 de Novembro de 2009 por Richard Schaeffer, director de segurança da informação da NSA, perante a subcomissão para o Terrorismo e a Segurança Nacional do Senado norte-americano.

A colaboração entre a NSA e a Microsoft é um segredo conhecido desde o acordo judicial obtido entre o governo norte-americano e o gigante dos computadores. É contudo a primeira vez que foi feita uma menção oficial sobre este assunto.

Em termos de ciber-segurança, para além da questão da protecção contra intromissões externas, o cerne do problema reside em saber quem detém a chave de entrada. Noutras palavras, embora seja prerrogativa da NSA ter controlo exclusivo de segurança sobre o mais usado software informático dentro dos Estados Unidos, o facto é que o Windows 7 é comercializado globalmente. Sem dúvida que isto abre oportunidades únicas de ciber-espionagem para os EUA fora das suas fronteiras.

Quanto à Microsoft, embora tenha negado que a NSA tenha a possibilidade de aceder ao Windows 7, não está em posição de o garantir.

Até à data, não é conhecido nenhum Estado que tenha barrado o software do Windows 7 de forma a proteger os seus cidadãos da espionagem norte-americana.

Via Rede Voltaire

What is left of the right right please take the right step…

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«Depois do colapso da União Soviética a revista Time perguntou “Poderá a Direita sobreviver ao sucesso?” A Time citava um intelectual conservador que dizia: ”é sinal de um enorme triunfo que não existam hoje em dia quaisquer assuntos galvanizadores para os conservadores”.

“Nada pode estar mais longe da verdade”, respondeu James Cooper, editor da American Arts Quarterly. “ Um tema maior de galvanização para os conservadores, na realidade, para todos os americanos…a grande tarefa inacabada a que o presidente Reagan aludiu no seu discurso de despedida…é reconquistar a cultura à esquerda…”.

Enquanto a maior parte dos conservadores tinham estado a combater a guerra-fria, um pequeno grupo tinha ficado a segurar a frente abandonada, a guerra da cultura. Cooper pedia aos conservadores que tomassem a guerra cultural como sua nova causa e falava do terreno já perdido:

“Há setenta anos o marxista italiano António Gramsci (1891-1937) escreveu que a missão mais importante do socialismo era “capturar a cultura”. No final da segunda grande guerra, a esquerda liberal tinha conseguido capturar não apenas as artes, o teatro, a literatura, a musica, o ballet, mas também o cinema, a fotografia, a educação e a comunicação social.Através do seu controlo sobre a cultura, a esquerda dita não apenas as respostas, mas também as perguntas que são feitas. Em resumo, controla a cosmologia pela qual a maioria das pessoas compreende o significado dos acontecimentos. Esta cosmologia é baseada em dois axiomas: o primeiro é que não existem valores absolutos no universo, não existem padrões de beleza e fealdade, bem e mal. O segundo axioma é – num universo sem Deus – que a esquerda detém superioridade moral na qualidade do árbitro final das actividades dos homens.”

Os conservadores ignoraram o grito de Cooper. Ao invés, lutaram contra a universalização do sistema de saúde, em favor do tratado norte-americano de comércio livre, pela organização mundial de comércio. (…) Será que a subida do PIB em 2,3 ou 4 pontos é tão importante quanto a sobrevivência da civilização ocidental (…)? Com as baixas taxas de natalidade, a abertura de fronteiras e o triunfo de um multiculturalismo anti-ocidental, é isso que está hoje em causa (…) e demasiados conservadores desertaram na última grande batalha das nossas vidas.»

Patrick Buchanan, in The Death of the West, St. Martin’s Press, pp.57-58

Racismo vs Adaptação

«Alguns ainda se lembrarão da mais ou menos recente polémica que envolveu a Microsoft através da sua filial polaca, tudo porque esta resolveu, numa publicidade, substituir a cabeça de um homem mulato pela de um homem branco. Racismo! Gritaram logo os habituais sectores exaltados da sociedade. Perdão! Disse apressadamente a empresa americana.

Quem conseguir aliar o bom senso ao mínimo conhecimento do mundo, saberá que a “identificação” é algo de essencial na publicidade. O público-alvo tem de se identificar com as coisas que vê. É por isso que, sendo a publicidade feita na China muito mais barata do que a que se faz por cá, os detergentes para a louça não têm chineses sorridentes mas sim brancos. É por isso que se contratam caras conhecidas da TV para comerciais – porque as pessoas as conhecem e se “identificam” com elas…

Ora, na Polónia não há pretos. E, mesmo que houvesse, não seriam mais do que uma parcela insignificante das várias dezenas de milhões de habitantes que o país tem, logo, um anúncio com um mulato lá metido, não tem nada a ver com o público-alvo.

Por cá, apesar de os não-brancos não chegarem a, parece, 2% da população, já vai havendo o hábito de exagerar a proporção incluindo sempre alguém mais escuro de forma a contentar os espíritos politicamente correctos.

Mas, na Polónia não o fizeram e, vai daí, caiu o Carmo e a Trindade. Curiosamente, tivemos acesso a outro caso semelhante, ainda mais recente, e que envolveu a série de desenhos animados “Simpsons”. Estes, como sabem, são orgulhosamente (ups…) amarelos mas passaram por uma cura de escurecimento para a publicidade relativa ao lançamento da série em terras africanas, mais propriamente, em Angola.

E agora? Mudaram a cor aos Simpsons (só para a publicidade), vestiram-nos com outras roupas, mudaram-lhes os penteados… Raios, até alteraram a paisagem no quadro pendurado na parede! Mas, atenção, agora já não é um caso de racismo… é, apenas, adaptação ao público-alvo…»

Encontrado no blog Aos Papéis

Da crescente falta de classe nas mulheres…

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Um grupo de estudo da American Psychological Association analisou os efeitos nocivos para as jovens raparigas da imagem degradante da mulher veiculada pela maioria dos media. O relatório denuncia a sexualização sistemática das mulheres, quer seja nas revistas para adolescentes, nas emissões de televisão, nos jogos de vídeo, nos filmes e nos clips musicais. As campanhas de publicidade e os produtos destinados às crianças e às jovens foram igualmente analisados.

O relatório define a sexualização como a apresentação da mulher enquanto objecto sexual que não tem outro valor para além da atracção que exerce através do seu comportamento. Os efeitos nocivos que a sexualização implica vão desde distúrbios alimentares à depressão. O estudo debruça-se apenas sobre os efeitos nocivos físicos, não entrando no domínio moral que é preciso aqui lembrar: a imagem degradante da mulher transmitida pelos media é uma fortíssima incitação a uma conduta sexual desordenada e imoral.

Exemplos de sexualização, denunciados no relatório:

– As jovens «pop stars» apresentadas como objectos sexuais
– As bonecas vestidas de forma ordinária e as mesmas roupas disponibilizadas para meninas de sete anos: espartilhos, meias de renda, etc.
– Modelos adultas vestidas provocatoriamente como crianças

(…) As pesquisas sistematizadas por este grupo de estudo demonstram que certas imagens e a promoção das raparigas como objectos sexuais acarretam numerosas consequências nocivas para a saúde psicológica e o desenvolvimento das jovens.

Andrew Hill, professor de psicologia médica na Universidade de Leeds, declarou que era difícil estar em desacordo com as conclusões do estudo: «se olharmos as revistas para adolescente, só se fala de sexo» (…)

«Apenas 18% do que as crianças vêem na televisão corresponde ao horário e aos programas que lhes são destinados e a legislação não pode ser a única solução para tudo. Uma das respostas é a responsabilidade social, a dos anunciantes e a dos media. Devem estar conscientes de que os seus produtos e as imagens associadas a esses produtos têm um impacto e que esse não é sempre positivo». (NdT. como se eles não tivessem essa consciência…passe a ingenuidade.)

Fonte: Avenir de la culture, via Euro Synergies

Do individualismo…

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«É necessário um esclarecimento sobre os equívocos do que chamamos individualismo.

O reconhecimento e a exaltação da individuidade (o facto de se ser portador de uma individualidade) são consubstanciais à Europa de sempre, enquanto a maior parte das outras grandes culturas ignoram o indivíduo e apenas conhecem o grupo. Os poemas fundadores da Tradição europeia, a Ilíada e a Odisseia, exaltam ambos a individuidade dos heróis no confronto com o destino. Estes poemas não têm equivalente em nenhuma outra civilização. Cantam os heróis sob a forma épica (a Ilíada é a primeira das epopeias) e sob a do romance (a Odisseia é o primeiro de todos os romances). Por definição, os heróis são a expressão de uma forte individuidade. São pessoas no sentido grego do termo. Não são pessoas à nascença (no seu nascimento o pequeno indivíduo não é nada, está no estado potencial). Tornar-se uma pessoa é uma questão de mérito, pelo esforço contínuo e formação de si (dar-se a si mesmo uma forma interior). Antes de ter direitos, a pessoa tem primeiramente deveres, face a si própria, à sua linhagem, ao seu clã, à sua Cidade, ao seu ideal de vida. Os europeus que são portadores da herança grega por atavismo e por impregnação cultural, receberam esse legado. Ele foi posteriormente degenerado tornando-se o individualismo exacerbado das sociedades ocidentais contemporâneas, uma espécie de narcisismo hegemónico.

Historicamente a expressão primeira do individualismo moderno data da reforma calvinista que está na origem daquilo que Max Weber definiu como essência do capitalismo. Esta forma de individualismo foi depois celebrada de diversas formas na época do Iluminismo. Recebeu uma consagração ideológica com a declaração dos direitos do homem da revolução americana e da revolução francesa, enquanto o código civil (Napoleão) lhe dava uma consagração jurídica. O movimento das ideias havia-se associado à evolução da sociedade, à afirmação social e política da burguesia e do seu individualismo intrínseco, para produzir a grande revolução dos comportamentos que apenas triunfará verdadeiramente na Europa após as catástrofes de 1914/1945»

Dominique Venner, Le Siècle de 1914, p.385

Das castas prostitutas…

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«Um golpe aqui:” outros seriam mais merecedores”, um golpe ali:”a guerra é justificável somente como último recurso, para autodefesa “, contudo “existem guerras destinadas à paz”. Pelo prémio recebido pelo comandante em chefe de duas guerras de agressão, no Iraque e no Afeganistão, contrárias a qualquer direito internacional, uma comovente motivação: “decisivo o seu empenho na não proliferação nuclear no Médio Oriente”. Em Israel, como arma secreta, sim! No irão, para uso civil, não!

É como dar o Nobel da castidade a uma prostituta.»

Adaptado de Rinascita, sobre o Nobel da paz entregue a Obama.