Eles comem tudo e não deixam nada…

by RNPD

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(Na fotografia o papá da prodigiosa assessora profissional)

«Um acontecimento de hoje que diz muito sobre o estado a que Portugal chegou.
Na Assembleia da República, PS e PSD concordaram em apresentar o nome de Catarina Sarmento e Castro para substituir Mário Torres no Tribunal Constitucional.
É o costume, os dois partidos escolhem sempre por acordo quem vão nomear para “juiz do Tribunal Constitucional” (e podemos estar certos que gostariam de proceder assim em relação a todos os tribunais, mas ainda não se chegou a tanto).
Todavia, posto o nome a votação, a Catarina Sarmento e Castro falhou por cinco votos a eleição para juíza do Tribunal Constitucional. Alguns deputados devem ter sentido que isto é demais, mesmo para os critérios mais elásticos.
A candidata proposta pelo PS e PSD reuniu 139 votos, mas teve 67 votos em branco e 10 nulos, num universo de 216 votantes. Como são precisos dois terços, a eleição falhou.
Não há problema: o PS e o PSD, através dos seus chefes dos grupos parlamentares, já anunciaram que vão repetir a proposta. E certamente à segunda vai dar certo, como acontece nos referendos que correm mal à primeira vez, porque lá terão que ir votar pela trela os deputados agora relapsos ou faltosos.
A jovem Catarina Teresa Rola Sarmento e Castro é filha de Osvaldo Castro, deputado socialista e presidente da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, e é assistente de Direito na Universidade de Coimbra.
Como curriculum, temos que a candidata foi assessora do Ministério da Administração Interna, integrou a Comissão Nacional de Protecção de Dados, foi assessora do gabinete do Presidente do Tribunal Constitucional e assessora da secretaria de Estado da Modernização Administrativa. Como se pode ver, tudo cargos a que habitualmente se chega por mérito – ao menos o mérito de ser filho da pessoa certa e do partido certo para ser nomeado para eles.
É verdade que o Tribunal Constitucional não merece grande respeito, mas ninguém esperaria que os próprios políticos tivessem tão pouca consideração por esse albergue que construiram para os seus eleitos. Ao menos as aparências, caramba!»

Via Terra Portuguesa