Racismo vs Adaptação

by RNPD

«Alguns ainda se lembrarão da mais ou menos recente polémica que envolveu a Microsoft através da sua filial polaca, tudo porque esta resolveu, numa publicidade, substituir a cabeça de um homem mulato pela de um homem branco. Racismo! Gritaram logo os habituais sectores exaltados da sociedade. Perdão! Disse apressadamente a empresa americana.

Quem conseguir aliar o bom senso ao mínimo conhecimento do mundo, saberá que a “identificação” é algo de essencial na publicidade. O público-alvo tem de se identificar com as coisas que vê. É por isso que, sendo a publicidade feita na China muito mais barata do que a que se faz por cá, os detergentes para a louça não têm chineses sorridentes mas sim brancos. É por isso que se contratam caras conhecidas da TV para comerciais – porque as pessoas as conhecem e se “identificam” com elas…

Ora, na Polónia não há pretos. E, mesmo que houvesse, não seriam mais do que uma parcela insignificante das várias dezenas de milhões de habitantes que o país tem, logo, um anúncio com um mulato lá metido, não tem nada a ver com o público-alvo.

Por cá, apesar de os não-brancos não chegarem a, parece, 2% da população, já vai havendo o hábito de exagerar a proporção incluindo sempre alguém mais escuro de forma a contentar os espíritos politicamente correctos.

Mas, na Polónia não o fizeram e, vai daí, caiu o Carmo e a Trindade. Curiosamente, tivemos acesso a outro caso semelhante, ainda mais recente, e que envolveu a série de desenhos animados “Simpsons”. Estes, como sabem, são orgulhosamente (ups…) amarelos mas passaram por uma cura de escurecimento para a publicidade relativa ao lançamento da série em terras africanas, mais propriamente, em Angola.

E agora? Mudaram a cor aos Simpsons (só para a publicidade), vestiram-nos com outras roupas, mudaram-lhes os penteados… Raios, até alteraram a paisagem no quadro pendurado na parede! Mas, atenção, agora já não é um caso de racismo… é, apenas, adaptação ao público-alvo…»

Encontrado no blog Aos Papéis