Unser Kampf

by RNPD

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George Mosse é um daqueles académicos judeus cuja obra foi em grande parte dedicada à análise do nacional-socialismo. Pese embora alguns equívocos, talvez próprios de quem estuda um objecto com uma antipatia preliminar, há obviamente alguns méritos no seu trabalho. Vem isto a propósito de uma releitura de um dos seus livros “The Crisis of German Ideology: Intellectual Origins of the Third Reich”. Nele o autor afirma que o hitlerismo não fez prova de particular originalidade mas foi antes o resultado de um conjunto de ideias que começaram a ser erguidas pelo romantismo alemão, a partir da segunda metade do século XVIII, com o seu culto da terra, do Volk, do sangue e do enraizamento, a sua rejeição dos gostos burgueses e o confronto das concepções abstractas do iluminismo. Essas ideias românticas espalharam-se primeiro pela sociedade alemã e penetraram os seus meios intelectuais e os seus movimentos de juventude, criando, portanto, uma aceitação prévia de um conjunto de princípios de que o regime de Hitler se viria a servir, dando-lhe uma interpretação e uma aplicação política/prática. Mas o essencial, a generalização, popularização e legitimação intelectual das ideias que viriam a servir de suporte ao regime nazi estava feito.

Naturalmente, e já o afirmei antes, o hitlerismo foi uma aplicação parcial dessas ideias, da mesma forma como qualquer regime é sempre uma aplicação parcial do Todo ideológico que reina num dado espaço e tempo. Mais do que isso, o regime de Hitler não foi, na minha opinião, a interpretação que necessitávamos de um conjunto de ideias, de um certo pensamento orgânico, enraizado e anti-economicista, que continua a ter todos os méritos que ainda fazem dele a grande base de uma verdadeira “revolução europeia”. Talvez nem pudesse ser, porque a história da Alemanha na altura, com todas as humilhações e baixarias a que fora sujeita, era propícia a um “egocentrismo” que impedia uma visão mais europeia e menos nacional, mais respeitadora das diferenças raciais do que supremacista e mais construtiva do que vingativa.

Mas independentemente da discussão sobre os erros e os méritos (que também os teve) do regime em causa, há uma lição muito importante a reter e relembrar, sobretudo para aqueles que têm consciência de que o combate pela identidade europeia é hoje de natureza metapolítica.

É que a metapolítica, sendo alteração dos valores dominantes numa sociedade, não é um combate que se faz em uma década, mas em um século ou mais, e nisso Mosse acertou; antes de Hitler chegar ao poder o conjunto de ideias que deram forma ao nacional-socialismo há muito que não eram estranhas à população alemã, não eram recentes de uma ou duas décadas, mas já haviam corrido gerações inteiras sem qualquer resultado estritamente político…

Numa altura em que se nota um certo desânimo nas hostes nacionais e identitárias, esta é uma lição a ter bem presente. Posso compreender alguma desilusão por parte de quem não vê resultados práticos imediatos para o seu esforço e tempo, mas não posso deixar de achar que essa desilusão é muito fruto de um mau entendimento da guerra em que quiseram participar.

Acresce que, se quiséssemos estabelecer uma comparação com o que antecedeu a revolução nacional-socialista, existem hoje uma série de obstáculos que tornam o combate ainda mais épico: nunca como agora vingou tanto o poder do dinheiro, nunca houve uma sociedade tão marcada pelo consumismo burguês, nunca os meios universitários tiveram uma tão grande falta de capacidade de incorrecção política, nunca a economia esteve tão globalizada, nunca como agora as terras da Europa estiveram sujeita a uma vaga tal de imigração a ponto de se tornar colonização e nunca como agora houve uma tal asfixia mediática como a que é imposta pela televisão.

É preciso ter plena consciência de que nós não veremos os braços erguerem-se ao alto ou as nossas bandeiras voarem ao vento… não, nós seremos o Início, nós seremos os primeiros, forneceremos a base e a fundamentação para os que vierem depois de nós, seremos inspiração mas não seremos nós a ser multidão, seremos aquela pequena pedra que começará a emperrar a máquina…e depois virão outros quando nós já apenas formos memória, memória da primeira rebelião rumo à vitória ou memória de uma Europa perdida de que falarão às crianças em fábulas e historietas. Não interessa, o que conta é que estivemos presentes!

É por isso que temos de ter o gosto pelo poético e pelo trágico, pelas missões que não têm qualquer recompensa para além de terem sido cumpridas, ou de as termos tentado até ao fim. É por isso que não podemos ser soturnos e zangados, não nos podemos levar demasiado a sério, temos de saber rir de nós próprios e perante os destroços da tempestade que nos atinge. Teremos de saber gozar nos tribunais da nossa inquisição. É uma guerra perdida? Estou sozinho? E o que me importa isso a mim? O que importa é que estou! Me ne frego!

A nossa Tradição mais antiga ensina-nos que os deuses reservam para os grandes homens os momentos mais difíceis, as batalhas mais árduas e aí, mais do que saber se foram ganhas interessa saber que foram travadas. “À sombra de Yggdrasil, a águia e a serpente proclamam sem fim esta verdade primordial do Norte: o que vive, é o que luta!”

O nosso lema não é “Viva a Vitória”, é “Viva a Luta”!