Modernismo e imobilismo…

by RNPD

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A revolta contra o mundo moderno parece-nos totalmente legítima e necessária se por isso se entender a revolta contra aquela ideologia do progresso e da modernidade que acha que as suas posições são superiores pelo simples facto de serem contemporâneas. Essa ideologia tende a desclassificar tudo o que é de “antigamente” e a rotular negativamente todas as ideias que a história deixou para trás, como se isso dissesse alguma coisa sobre a validade das coisas de hoje ou das de ontem.

Para os cultores da modernidade os homens “têm de se adaptar e evoluir para se adequarem aos novos tempos e às novas realidades”. Porquê? Aparentemente pelo simples facto de que “hoje os tempos são outros”. O argumento é evidentemente tautológico. Não há nunca uma discussão sobre se essa evolução, nos diferentes casos concretos, é em si mesma boa ou má, apenas sabemos que as coisas evoluíram num determinado sentido e que os que não acompanham essa evolução são retrógrados (sendo o vocábulo sempre usado com má conotação).

Parece-nos evidente que muitos comportamentos e ideias evoluíram ou progrediram historicamente de forma degradante. Pelo facto de serem hoje situações normalizadas, ou socialmente aceites, não deixam por isso de serem decadentes. Há pois muito a recuperar do passado…mas não tudo.

É que existe um certo pensamento “anti-moderno” que cai no mesmo erro mas em sentido inverso. Para esses a modernidade não tem quaisquer méritos, limitou-se a colocar um ponto final numa época dourada que acabou algures no tempo e, desde então, tudo sem excepção é decadência. Da mesma forma como os primeiros argumentam que algo é mau por ser de épocas passadas, estes tendem a desclassificar as coisas por serem próprias da modernidade. São o espelho uns dos outros, com as mesmas reacções pavlovianas.

As ideias, comportamentos e formas não devem ser jogados e julgados num grande bolo epocal mas sim avaliados e pensados no concreto de cada caso e em função do caminho que queremos construir. A sua contemporaneidade ou antiguidade não são argumento para o seu valor. Até porque o lastro do passado também tem muito que a modernidade abandonou e que não nos interessa recuperar.