A diversidade do mundo exige o distanciamente físico entre os povos

by RNPD

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“A contribuição que o etnólogo pode dar à solução do problema racial revelar-se-ia irrisória e ele não está certo de que aquela que se iria pedir aos psicólogos e aos educadores se mostraria mais fecunda, já que, como nos mostra o exemplo dos povos primitivos, a tolerância recíproca pressupõe duas condições que as sociedades contemporâneas estão mais longe do que nunca de conhecer: Por um lado, uma igualdade relativa, por outro, uma distância física suficiente. (…) Sem dúvida que acalentamos o sonho de que a igualdade e a fraternidade venham a reinar um dia entre os homens sem que seja comprometida a sua diversidade. Mas se a humanidade não se quer resignar a tornar-se a consumidora estéril dos únicos valores que soube criar no passado (…), ela deverá reaprender que toda a criação verdadeira implica uma certa surdez ao apelo de outros valores, podendo ir até à sua recusa, ou mesmo à sua negação. Porque não podemos, ao mesmo tempo, submergir no gosto pelo outro, identificarmo-nos com ele e mantermo-nos diferentes. Quando plenamente alcançada, a comunicação integral com o outro condena, a mais ou menos breve prazo, a originalidade da sua e da minha criação. As grandes épocas criadoras são aquelas em que a comunicação se tornou suficiente para que parceiros afastados se estimulem, sem contudo ser tão frequente e rápida que os obstáculos indispensáveis entre os indivíduos e entre os grupos se amenizem ao ponto em que intercâmbios demasiado fáceis igualem e confundam a sua diversidade.”

Claude Lévi-Strauss – Race et culture, Race et histoire (Via Zentropa)