A liberdade é o limite

by RNPD

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O casamento civil homossexual foi aprovado no parlamento. A essência do argumento em defesa da possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo casarem assentou na ideia de que o Estado não pode discriminar os seus cidadãos em função da sua orientação sexual e que as pessoas têm o direito de exercer a sua liberdade individual como entenderem.

Os parlamentares, servindo-se da sua “legitimidade democrática”, decidiram o assunto antes que a plataforma cívica Cidadania e Casamento Homossexual pudesse apresentar a sua petição para um referendo sobre o assunto. Isso não coibirá, pelo que percebi, a dita plataforma de continuar a sua luta e apresentar a petição. Saudamos os envolvidos por isso e desejamos-lhes persistência.

Mas a sua causa é pensada a partir da moralidade cristã…pela nossa parte auguramos encontrar entre os que vão entrar nesse combate um espírito nietzschiano, dos mais ousados, daqueles que sabem que o niilismo só poderá ser superado quando atingir o seu auge. Sim, ocorre-me que o que precisamos é de uma petição a exigir ao Estado a celebração de casamentos polígamos.

Afinal, que direito tem o Estado de negar a felicidade aos que querem viver nesse tipo de relacionamento e que acham, como os gays, que a sua felicidade depende de poderem casar? Se essa prática é escolhida no exercício da liberdade individual de adultos conscientes, sem obrigar partes externas ao que quer que seja, que legitimidade ética assiste ao Estado para a proibir e discriminar essas pessoas?