Month: Fevereiro, 2010

A violação da Europa pela especulação financeira internacional

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«O governador do FED, Ben Shalom Bernanke, foi recentemente obrigado a confirmar ao congresso norte-americano as manobras especulativas da Goldman Sachs, que já em 1992 havia lucrado com os mesmos métodos aquando da desvalorização da lira italiana. Transformando em derivados (SWAPS) o que era necessário à Grécia em 2001 para cumprir as normas da zona Euro, a Goldman Sachs, através dessa operação, ganhou cerca de 250 milhões de euros. Depois os juros multiplicaram-se. Agora a Grécia tem necessidade de 25 mil milhões apenas para “refinanciar” o seu endividamento.» (1)

No Senado norte-americano, em resposta a uma observação do senador Christopher Dodd de que estaremos perante uma situação em que grandes instituições financeiras de Wall Street estarão a ampliar a crise pública nalguns Estados europeus para lucros privados, Bernanke respondeu:

«Estamos a analisar uma série de questões relacionadas com a Goldman Sachs, outras instituições, e os seus contratos de derivados financeiros com a Grécia (…) usar esses produtos de uma forma que destabilize intencionalmente uma empresa ou um país é contra-produtivo.» (2)

Algumas instituições financeiras estão sob acusação de terem ajudado a Grécia a esconder o seu défice orçamental, para cumprir os critérios da Zona Euro, servindo-se de contratos de Credit Default Swaps e conseguindo grandes lucros com essas operações.

Vários analistas tinham vindo a alertar que a crise grega, bem como a sua ramificação a outros países europeus, nomeadamente a Espanha e Portugal, seriam o resultado da acção de fundos de especulação financeira contra os Estados europeus e a própria Zona Euro (hoje as suspeitas concretizam-se na Goldman Sachs e nos Hedge Funds de John Alfred Paulson).

Simplisticamente, o mecanismo funciona assim, e note-se que os mercados onde se negoceiam estes contratos de CDS (Credit Default Swaps) são essencialmente desregulamentados, ou seja, são um bom exemplo do mercado privado entregue a si mesmo:

Um determinado Estado (ou uma empresa) necessita de dinheiro. Há uma instituição financeira (um Fundo ou um Banco, por exemplo) que o empresta, contra o pagamento de uma taxa de juro.

A instituição financeira em causa decide então fazer uma espécie de seguro contra a possibilidade do Estado a quem emprestou o dinheiro não cumprir as suas obrigações. Para isso compra um produto financeiro chamado CDS (Credit Default Swap). O vendedor do CDS promete pagar o empréstimo no caso do tomador inicial não o conseguir fazer. Naturalmente o preço do CDS é tanto mais elevado quanto maior o risco de incumprimento por parte do Estado.

No fundo, o que sucedeu à Grécia é que, por causa do expediente que arranjou para fazer baixar o seu défice, ficou refém dos especuladores financeiros e encontra-se agora prisioneira numa tenaz que aperta por dois lados.

Por um lado, no mercado dos CDS associados à dívida do país, fazem-se apostas, como num casino, com o seu risco. Quanto maior for o risco do país, e portanto, quanto maior a instabilidade na Grécia, mais sobe o preço dos seus CDS. Temos assim que existem especuladores que jogam nesse mercado interessados na destabilização interna do Estado grego para lucrarem com as transacções desses CDS.

Por outro lado, os bancos que inicialmente emprestaram dinheiro de forma sub-reptícia à Grécia sabem também que, ao aumentar o risco do país, aumentam os juros que vão receber para pagamento desses empréstimos e têm por isso também interesse na instabilidade interna dessa nação. Acresce que esses próprios bancos são suspeitos de andarem também a especular sobre os CDS associados à dívida grega.

Resumindo, há uma série de especuladores financeiros interessados em fazer baixar o rating do país, ou dito de outra forma, em criar instabilidade para lhe aumentar o nível de risco associado.

Apesar de tudo a Grécia ainda se encontra de alguma forma escudada pela Zona Euro… agora imagine-se o que pode suceder a empresas e Estados mais desprotegidos quando são vítimas deste tipo de acções especulativas por parte dos poderes financeiros. Muitas empresas acabam na falência, muitos Estados acabam reféns da banca, com serviços de dívida cada vez mais elevados. Quem paga, em última análise, são sempre os trabalhadores, lançados no desemprego ou vítimas das crises económicas nacionais, enquanto os especuladores financeiros (quais modernos jogadores de casino que apostam com a vida das pessoas) enriquecem despudoradamente sem terem produzido qualquer riqueza.

Não deixa de ser sintomático que tenha sido o Senado norte-americano a abrir um inquérito a esta situação sem que a U.E., que foi vítima directa desta actuação, tenha feito o que quer que seja.

Por outro lado, é bem sabido que estes mercados de derivados financeiros estão na origem da criação de bolhas especulativas que, quando rebentam, arrastam para a pobreza milhares ou milhões de pessoas em todo o mundo, e aliás, ainda recentemente entrámos numa grande crise mundial que continua a afectar a economia de vários países ocidentais originada precisamente a partir das esferas financeiras.

Na sequência dessa crise ouvimos todos os responsáveis políticos falarem na necessidade de se reformular e regrar o funcionamento do sistema financeiro. Para além dos dinheiros públicos que foram dados a vários bancos para os salvar o que é que foi efectivamente feiro para alterar os mecanismos de especulação financeira que originaram a crise? Zero! Conversa e acções de mera cosmética para enganar o povo.

Tudo permanece genericamente como estava, e as economias reais, a esfera produtiva, continua hoje tão refém como estava da especulação financeira e da sua ganância.

É curioso… apesar dos países ocidentais estarem cada vez mais obrigados a uma disciplina orçamental que lhes retira margem de manobra política e obriga à contenção salarial dos trabalhadores, temos que:

Enquanto os Estados nacionais perdem autonomia na política monetária, os mecanismos de criação de moeda continuam tão perversos como eram e os câmbios flutuantes das moedas continuam a ser uma fonte de risco sistémico e ganhos especulativos com jogos de arbitragem cambial.

Não há qualquer medida tomada contra os offshore.

Não há qualquer medida séria tomada para regular os mercados de derivados financeiros, como os CDS, e limitar o que se pode fazer com este tipo de produtos!

E depois, Ângela Merkel tem o descaramento de afirmar, angelicalmente, que: «seria uma desgraça se acabasse por se verificar que os bancos que já nos haviam empurrado para a beira do abismo – referindo-se a esta ultima crise mundial – também estão envolvidos na falsificação das estatísticas da Grécia». (3)

Enfim, a festa está para durar.

(1)Editorial da Rinascita de 25-02-2010

(2)MarketWatch

(3)Financial Times

A ética republicana paga-se cara

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Seguem-se algumas das rúbricas existentes no Orçamento que acaba de ser publicado em Diário da República.

Caso queiram consultar essa peça na íntegra só terão de ir ao site WWW.dre.pt e acederem ao Diário da República nº 28 – I série, datado de 10 de Fevereiro de 2010 – resolução da Assembleia da República nº 11/2010.

Então deliciem-se:

1 – Vencimento de Deputados: 12 milhões e 349 mil Euros

2 – Ajudas de Custo de Deputados: 2 milhões e 724 mil Euros

3 – Transportes de Deputados: 3 milhões e 869 mil Euros

4 – Deslocações e Estadias: 2 milhões e 363 mil Euros

5 – Assistência Técnica (?): 2 milhões e 948 mil Euros

6 – Outros Trabalhos Especializados (?): 3 milhões e 593 mil Euros ( quais ?…e pagos a quem ? )

7 – Serviço Restaurante,Refeitório,Cafetaria: 961 mil Euros ( Ena ! Não chega à casa dos milhões ! Andam a passar fome… )

8 – Subvenções aos Grupos Parlamentares: 970 mil Euros

9 – Equipamento de Informática: 2 milhões e 110 mil Euros

10 – Outros Investimentos (?): 2 milhões e 420 mil Euros

11 – Edificios: 2 milhões e 686 mil Euros

12 – Transferências Diversas (?): 13 milhões e 506 mil Euros

13 – Subvenção aos Partidos representados na Assembleia da República: 16 milhões e 977 mil Euros

14 – Subvenções estatais para campanhas eleitorais: 73 milhões e 798 mil Euros

Isto são algumas das rúbricas do orçamento da Assembleia da República portuguesa!

Em resumo : no total, a despesa orçamentada para “aquela casinha”, relativamente ao ano 2010, é :

191 405 356, 61 Cêntimos (191 Milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos) – Ver Folha 372 do acima identificado Diário da República nº 28 – 1ª Série -, de 10 de Fevereiro de 2010.

Nos termos do disposto no Artigo 148º da Constituição da República Portuguesa :

“(…) A Assembleia da República tem o mínimo de cento e oitenta deputados e o máximo de duzentos e trinta deputados, nos termos da Lei Eleitoral (…) “.

Eles são quantos? Pois é, 230 que é o número máximo!

Façam-se uma “contitas” e vejam quanto pagamos por cada um daqueles “senhores” : 832.197,20 euros ( 166.840 Contos !)

Por cada uma daquelas eminências !

Correspondência de Alberto Lima

Virtudes masculinas e femininas

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«A ideia patriarcal torna os factos biológicos significantes. Note-se que as considerações sobre as naturezas sexuais são de «essência» em vez de «empíricos» (…)

Em sociedades que aceitam a ideia patriarcal, «homem» e «mulher» não são apenas dados biológicos, são ideais a que devemos aspirar. Dizer que alguém encarna o ideal é um grande elogio («que mulher!», «é um homem a sério!»). Tanto a masculinidade como a feminilidade têm as suas virtudes características. A virtude masculina é chamada «cavalheirismo». É a virtude de quem internalizou o «ethos» do protector. Coragem perante o perigo, valor na batalha, clemência para com os vencidos, cortesia com as mulheres, gentileza com as crianças, piedade com os idosos – estas são as qualidades do homem cavalheiresco.

As feministas acusam muitas vezes o cavalheirismo de legitimar a agressividade masculina. Contudo, a agressividade masculina é um facto biológico que nos acompanhará quer o legitimemos ou não, a não ser que se planeie desvirilizar os homens através de condicionamento ou drogas (um caminho que pais e professores parecem, infelizmente, apostados em seguir).

O ideal do cavalheirismo enobrece esse dado biológico permitindo aos homens entendê-lo em termos de um dever moral. De facto, não há forma de explicar o horror da violência doméstica por parte das feministas sem invocar o cavalheirismo. Se os homens não têm quaisquer deveres especiais para com as mulheres, então por que é que é de alguma forma pior um homem bater numa mulher do que num homem mais fraco?

O cavalheirismo está intimamente relacionado com a coragem, mas a coragem em si é tanto uma virtude masculina como feminina. A virtude feminina da feminilidade é um tipo especial de coragem: a coragem de se permitir ficar vulnerável. Através da empatia que é característica da mulher, ela abre-se à dor dos outros. No casamento, ela sacrifica algumas das suas próprias defesas para que o seu marido possa assumir o seu papel. Na gravidez e no parto, ela oferece o seu próprio corpo para a sua criança, uma oferta que custou a muitas mulheres a vida.

Claro que cada natureza tem as suas deformações características, mas é sempre um erro grosseiro identificar algo com a sua deformação. O machismo é uma deformação do cavalheirismo para homens que esqueceram que o seu valor deve ser posto ao serviço dos fracos. A masculinidade do rufia é imperfeita. Similarmente, nunca devemos identificar a feminilidade com a vaidade e a frivolidade. A masculinidade e a feminilidade são essencialmente virtudes relacionais. Dão forma a todas as nossas relações mais íntimas, que são sempre relações de dependência. É apenas nas relações muito superficiais que posso dizer que a relação não seria diferente se o meu parceiro fosse um homem em vez de uma mulher, ou vice-versa. É por isso que a vontade de eliminar as personalidades masculinas e femininas deve ser combatida. Uma pessoa andrógina teria em falta tanto a capacidade do homem como da mulher para a intimidade. Um homem que sacrifica a virtude masculina não adquire por isso virtude feminina. Nem uma mulher ganha virtude masculina perdendo a sua feminilidade. Um homem efeminado não é maternal e uma mulher maria-rapaz não é paternal.»

Throne and Altar

Propaganda falsa paga com o nosso dinheiro

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Este cartaz, profusamente distribuído em Lisboa é pago com o nosso dinheiro e é um exemplo mais de como o dinheiro dos contribuintes e dos munícipes lisboetas de há muito tempo é usado para alimentar as chamadas causas “fracturantes” e os grupos radicais que as suportam, na sua maioria ligados ao Bloco de Esquerda. Não é novidade nenhuma mas nunca vi uma discussão sobre os abusos do financiamento público que tivesse em conta esta realidade: o dinheiro dos contribuintes é usado para promover causas políticas em que a maioria não se revê, de organizações cuja contabilidade e accountability desconhece, deturpando a transparência da vida pública . Basta colar a uma organização qualquer o título de que luta contra a “discriminação” ou o “racismo” (o caso do SOS Racismo é outro exemplo de organizações do Bloco de Esquerda financiadas pelo dinheiro dos contribuintes) para se pensar justificado dar-lhes dinheiro público.

No caso deste cartaz acresce que estamos a financiar uma mentira. A pergunta do cartaz é uma pura sugestão de falsidade e a resposta que sugere é pura e simplesmente falsa. “Se a tua mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?” Claro que mudava muita coisa, por boas e más razões, principalmente por más, mas reais. O cartaz no fundo está a dizer-nos, em nome da luta contra os preconceitos à volta da homossexualidade, que esses preconceitos não existem tornando inútil o cartaz.

Ama a criança a sua mãe, seja lésbica, amarela, militante da “vida”, punk ou apenas mãe? Certamente que sim, mas não se fazem cartazes sobre os afectos. Existem ou não, o Estado não cura, ou não deve curar de os tornar em propaganda. No resto, a resposta séria tem que ser “muda” e nalguns casos muda muito, e esse é que é o terreno da discriminação. Aliás o cartaz tem implícita outra falsidade no modo de fazer a pergunta: porque não se pergunta “se as tuas mães fossem lésbicas, mudava alguma coisa?”, porque essa seria a situação que justificaria a pergunta. A mãe lésbica vive com uma mulher que na família é o quê senão a outra mãe, mesmo sem o nome nem a biologia? Ou pode viver com o pai, supostamente separado pelas preferências de género da mãe, ou, caso esta seja bissexual, em conúbio carnal, como se dizia? Pode no meio disto tudo nada “mudar” para a criança? Pode, muito excepcionalmente, mas nunca como a regra que o cartaz indicia com falsidade.

Esta maneira pouco séria como se tratam questões de grande complexidade afectiva, cultural, social e societal, como se fossem (como são) “causas” de grupos, gera muitos mais problemas do que os que resolve. Mas que nos mintam com o nosso dinheiro para servir agendas radicais cujo alcance permanece obscuro, isso é pouco admissível.

José Pacheco Pereira

Homens sem honra nem face

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Foi particularmente revelador que houvesse quem quisesse desviar a atenção das condutas perversas de altas figuras socialistas reveladas pelo jornal Sol no âmbito da investigação “Face Oculta”, para a centrar numa discussão de tipo jurídico sobre a legalidade ou ilegalidade da matéria divulgada ou da publicação por parte do jornal das escutas telefónicas.

A lei e a justiça são duas coisas diferentes. Os Estados mais indecentes também tiveram e têm leis, e ainda que iníquas não deixaram nem deixam de definir os limites do que foi e é legal ou ilegal, do que foi e é crime ou não. A lei não é nada mais que um conjunto de normas aprovadas pelos representantes de um dado poder político, num determinado espaço de tempo – por vezes em defesa dos seus interesses particulares – e não tem qualquer espécie de carácter sobre-humano e, por isso, inatacável.

Saber se a publicação das escutas ou as actuações denunciadas no caso “Face Oculta” são matéria do foro criminal é uma reflexão que não invalida a extrema gravidade ética das condutas descritas. Os homens de carácter, perante semelhante situação, mais do que saberem o que seria da lei, quereriam saber da ética e da honra.

Bernard Joseph Saurin escreveu assim:” A Lei permite frequentemente o que a Honra proíbe.”

Esse é o cerne do problema. Os homens de honra percebem o sentido daquela frase e vivem por ele; os outros nem por isso. Os homens sem honra não servem para nada mas servem-se de tudo e todos!

Dicionário da dissidência – letra “A”

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As palavras são armas.

A novilíngua orwelliana é, juntamente com a diabolização dos mal-pensantes, a arma principal do sistema dominante para esterilizar as inteligências e privar as almas de coragem.

Mas em contraponto à novilíngua, o “falar-franco” é uma arma para libertar os espíritos e dar-lhes os instrumentos para melhor compreenderem o mundo.

É o objectivo deste dicionário da re-informação, deste léxico da dissidência.

Tem pouco mais de 400 termos: não aspira, portanto, à exaustividade nem mesmo à imparcialidade, ainda menos à unicidade de pontos de vista expressos: porque tudo o que pode alimentar as forças da dissidência é bem-vindo. Dissidentes de todas as sensibilidades, uni-vos!

Também, nenhuma necessidade de estar de acordo com cada uma destas mais de 400 definições para participar na batalha. Trata-se, para a Fundação Polémia, de abrir a reflexão e incitar cada um a continuar para abrir brechas no muro da ideologia única…antes de o fazer cair!

Nesta primeira resenha o leitor encontrará:

Palavras libertadoras, para desvendar o que o politicamente correcto e a censura querem esconder;

Palavras acusatórias, para compreender os recursos do sistema mundialista dominante que conduz os europeus pela estrada da servidão e da decadência, afim de melhor os combater;

Palavras esquecidas, que é preciso invocar para reencontrar a nossa identidade e a via da renovação da nossa civilização;

Palavras-chave, para interpretar as realidades e as forças de dominação em curso.

A cada um o papel de continuar! Porque “cada Filocteto sabe que sem o seu arco e as suas flechas Tróia não será conquistada”.

*

[Nota do tradutor: Publicaremos este dicionário de A a Z, com algumas pequenas adaptações, inclusive de ordem alfabética, a que uma tradução deste tipo obriga]

Letra “A”

Abordagem utilitária/Gestell: A oligarquia governa segundo uma lógica nova, que é a do “Gestell”, da abordagem utilitária, segundo a fórmula de Heidegger. A lógica do Gestell leva a tratar o homem como a mais preciosa das matérias-primas e a tornar, tanto quanto possível, todos os homens intercambiáveis, mobilizando para isso os recursos das paixões igualitárias. Tudo o que distingue os seres humanos deve ser eliminado porque isso pode perturbar o carácter intercambiável que os homens devem ter para serem perfeitas matérias-primas. O homem do Gestell deve, portanto, ter quatro características:

– Não ter raízes (nomeadamente nem raça, nem nação, nem religião);
– Não ter ideal: deve ser um consumidor e um produtor materialista e relativista disposto a engolir todos os produtos lançados no mercado;
– Não ter religião para além da do seu próprio ego, para ser mais facilmente isolado e, logo, manipulável;
– Não ter personalidade afim de se fundir na massa (deve portanto ser educado de maneira puramente técnica e utilitária, sem cultura geral que lhe permita situar-se como homem livre). (ver “Mercantilização”, “Oligarcas”, “Sociedade de Mercado”)

Acção: “agir enquanto homem de pensamento, pensar enquanto homem de acção”. É pena que a direita se tenha esquecido desta máxima.

Africanização: É o verdadeiro nome, juntamente com a islamização, da imigração na Europa. De facto, a imigração, na Europa, provém sobretudo da África negra e do Magrebe. A africanização é, à vez, o símbolo e o motor da decadência europeia porque a África é também uma zona de não-performance e de sub-qualificação. A africanização gera, por outro lado, o surgimento de um problema negro na Europa. (ver mais à frente o termo “Negro”)

Alarmismo climático/ Aquecimento global: grande medo mediatizado que anuncia catástrofes humanitárias causadas pelo aquecimento do planeta provocado pelo aumento dos gazes estufa de origem antropogénica; uma teoria que mistura factos reais (o uso de combustíveis fósseis) observações delicadas (sobre o aumento das temperaturas) e simulações matemáticas incertas. Uma tese no mínimo objecto de debate nos meios científicos. Em França a Academia de Ciências tornou públicos os diferentes pontos de vista num estudo de Novembro de 2009. (ver “Grande Medo)

Alinhado: condição dos países da União Europeia que se colocam sob o protectorado dos Estados Unidos da América abdicando da sua independência estratégica.

Alter-europeus: europeus de outro tipo. Designa os europeus críticos da União Europeia mas apostados em que o seu continente reencontre o “fio de ariana” da sua civilização, os alter-europeus são favoráveis a uma confederação europeia fundada sobre a identidade, a potência, o respeito pelas liberdades nacionais e as solidariedades comunitárias. (ver “Europa-Potência”)

Alter-mundialismo: ver Mundialismo.

Alternância/ Ilusão de Alternância: substituição de uma equipa governamental por outra; dá aos eleitores, nas democracias ocidentais, a ilusão de que eles escolhem as equipas e as políticas conduzidas. Na realidade, elas estão estritamente delimitadas pela ideologia dominante e pelo politicamente conforme. (ver “Político”)

Americanização: Estando os EUA à cabeça do Sistema ocidental, são a referência para a nova classe dirigente que apresenta, assim, uma anglofilia e uma americanofilia de princípios; a americanização da cultura não traduz somente o poderio americano mas é igualmente o seu instrumento, porque ela é um meio de submeter os povos à sua concepção do mundo e aos seus interesses. A resistência à americanização da cultura e dos costumes não é um combate marginal mas sim crucial.

Americanofilia/ anglofilia: Característica da nova classe dominante que se alinha com os valores e as ambições da potência dominante no Ocidente, por mimetismo e por interesse. No século XXI as classes dirigente são americanófilas como eram anglófilas no século XVIII.

Amigo: A discriminação entre amigo e inimigo é o acto fundador da política, segundo o politólogo Carl Schmitt: não podemos fazer política sem designar o inimigo principal. Os que pretendem fundar uma atitude política sobre o “nem isto nem aquilo” adoptam na realidade uma postura impolítica: condenam-se a ser o simples objecto daqueles que sabem fazer política, que são verdadeiros sujeitos políticos. Assim, a esquerda sempre soube designar a direita como sua inimiga, enquanto esta última acreditava ser útil agradar à esquerda.

Amor: “o mundo moderno está cheio de antigas virtudes cristãs enlouquecidas” Gilbert Keith Chesterton (ver “Coração”)

Anglo-americano: Ver Globalês

Anti-tradição: postura intelectual que consiste em tomar o contra-partido dos princípios sobre os quais assentam as sociedades tradicionais. A anti-tradição assenta numa subversão, isto é, uma inversão dessa ordem. A anti-tradição manifestou-se sob diferentes formas ao longo da História recente, em particular no espírito da esquerda, no bolchevismo e no altermundialismo; mas também na “financial art” e no capitalismo apátrida de tipo anglo-saxónico, enfim, no politicamente correcto. (ver “Financial Art”, “Mal”)

Anti-valor: Os pretensos “valores” aos quais se refere incessantemente a nova classe dirigente são na realidade anti-valores, porque são mortais para as sociedades que os adoptam. (ver “Valores”)

Apolíneos: segundo Yuri Slezkine, o “mundo apolíneo” é um mundo de camponeses e de guerreiros, fundado sobre a ética da honra e do enraizamento; no século XIX o “mundo apolíneo” foi marginalizado pela sociedade de mercado e pelo “mundo mercuriano”. Um dia Apolo regressará e será para sempre”: diz a profecia da última pítia de Delfos. (ver “Mercuriano”, “Sociedade de Mercado”)

Após-democracia/ pós-democracia: forma política contemporânea, em particular nas democracias ocidentais, onde o voto dos eleitores não serve para escolher os governantes mas para lhes dar uma legitimidade. É na verdade o sistema financeiro e mediático que pré-selecciona, em função de critérios comerciais e ideológicos, os homens e as mulheres que podem realmente concorrer ao exercício de mandatos políticos. Os outros são marginalizados e/ou diabolizados; o bipartidarismo americano ou anglo-saxónico é a sua forma mais acabada, os regimes europeus aproxima-se-lhe. À sua maneira a Rússia, mesmo a China, praticam também o após-democracia. (ver “Democracia”, “Diabolização”)

Arqueofuturismo: Expressão inventada por Guillaume Faye: por oposição ao culto do “progresso” que constitui um componente da ideologia de “esquerda”, o arqueofuturismo considera que o futuro deve enraizar-se na redescoberta dos princípios e na sabedoria tradicional que a ideologia do iluminismo destruiu. “O futuro pertence àqueles que têm a mais longa memória”, relembra Nietzsche, e não àqueles que fazem tábua rasa do seu passado e da sua identidade. (ver “Progresso”, “Revolução”)

Arquétipo: Segundo a teoria de Carl Gustav Jung, o inconsciente colectivo dos povos e das pessoas compõe-se de diferentes arquétipos, isto é, de imagens simbólicas que estruturam e exprimem a sua identidade e a sua personalidade de forma duradoura. Essas imagens podem ser positivas ou negativas (como, por exemplo, na Europa, o arquétipo do herói ou a imagem do diabo) e exprimirem-se de formas diferentes, nomeadamente nos sonhos. (ver “Mito”)

Arquitectura: É a “eloquência do poder”, dizia Nietzsche. Se os edifícios públicos se assemelham nos nossos dias cada vez mais a sedes sociais de Empresas isso significa que a soberania é exercida no Ocidente pela função mercantil. E se os edifícios comerciais ultrapassam em altura as igrejas, isso traduz também fisicamente e visualmente o eclipse do sagrado no Ocidente.

Aristocracia: Etimologicamente significa o governo pelos melhores. É significativo que este termo tenha ganho progressivamente um sentido pejorativo com a modernidade que instalou o reino da burguesia, isto é, o governo dos calculadores. O aristocrata é também aquele que tem, antes de mais, deveres, e que, em particular, pode sacrificar a sua vida; por oposição ao burguês, que é aquele que calcula e que quer preservar o seu interesse.

Armas de Manipulação Massiva (AMM): Para Marc Luhan, “os media são a mensagem”; hoje em dia são também, frequentemente, a mentira: através da falsificação, da amálgama, a deformação ou a fabricação de factos, os grandes grupos de comunicação dispõem de armas de manipulação massiva particularmente úteis nos conflitos internacionais (Iraque, Sérvia, Kosovo, Irão) ou em eleições difíceis para as forças dominantes. (ver “TKKADM”, “Tirania Mediática”)

Arte desenraizada mercantil/ arte oficial mundial: É a arte imposta aos ocidentais, com a cumplicidade do sistema institucional; é uma arte oficial e um academismo, sendo fonte de frutuosos lucros para a Superclasse Mundial (SCM) que a comercializa através da sua rede de “galerias”. (ver “Arte escondida”, “Financial art”)

Arte escondida: é a arte enraizada que consegue sobreviver apesar da dominação da arte desenraizada mercantil oficial. É escondida porque raramente consegue romper a barreira do conformismo oficial. É escondida na medida em que os que fazem a lei no mundo artístico negam-lhe o direito de existir ou ocultam-na baptizando-a de “arte de arrière-gard” ou “arte pastiche”. Encontramos aí a “grande arte” como artistas amadores.

Artisticamente correcto: Os julgamentos estéticos e artísticos estão também submetidos à tirania do politicamente correcto: todas as pessoas que não partilham o gosto da arte “moderna” oficial são catalogadas na categoria de obscurantistas e reaccionários. O terrorismo artístico reina assim sobre os poderes públicos que são chamados, em nome da cultura, a favorecer e financiar unicamente a arte desenraizada mercantil. O artisticamente correcto conseguiu assim impor no Ocidente os seus ritos e códigos: nomeadamente, desconstrução do corpo humano, promoção narcisista do artista, recusa da figuração, preferência pela abstracção geométrica e pela mecânica, representação de desvios comportamentais.

Assimilação: A imigração não é aceitável senão sob a condição de ser regulada, isto é, que os estrangeiros permaneçam em número reduzido, que eles se assimilem à sociedade de acolhimento, à sua cultura, aos seus valores e que respeitem as suas leis; isso constituiu o modelo tradicional da imigração. Mas hoje em dia a ideologia dominante, que quer destruir as nações, preconiza um modelo inverso, que é o da “integração”, isto é, são as sociedades de acolhimento que são, pelo contrário, chamadas a adaptar-se à cultura dos imigrantes. Esta “integração” resulta, na realidade, na fragmentação tribal das sociedades, no comunitarismo abertamente reivindicado e na ditadura das minorias. Essa é de resto a sua finalidade real. (ver “Africanização”, “Islamização”)

Atlantista/Atlantismo: partidário e doutrina da submissão estratégica da Europa aos Estados Unidos, submissão apresentada de forma enganadora como uma aliança. Devemos opor-lhe o ponto de vista dos independentistas e dos continentais, partidários de uma Europa independente e livre, do Atlântico aos Urais. (ver “Eurásia”)

Aturdimento/ técnica de aturdimento: técnica de desinformação que consiste em utilizar os aparelhos de dominação mediática para saturar a opinião pública com imagens mais ou menos fabricadas e com factos sem verdadeira importância; trata-se de fazer perder todas as referências dos cidadãos utilizando, nomeadamente, o poder emocional das imagens. (ver “Desinformação”, “Sociedade do Espectáculo”)

Autocentrado/ Espaço económico autocentrado: Os oligarcas europeus militam por um livre-comércio extremista que consiste em transformar a Europa num mercado totalmente aberto ao comércio dos homens, dos capitais e das mercadorias; ao fazê-lo a União Europeia toma o contra-pé do que se pratica, implícita ou explicitamente, no seu exterior (EUA, Japão, China, numerosos países emergentes), isto é, um mercado interno mais protegido e/ou uma economia virada para a exportação, Esta orientação em direcção a um livre-comércio total não traz mais à Europa do que desemprego e desindustrialização. Atraiçoa também a ambição inicial do mercado comum, que fora concebido como uma protecção comum. No século XXI, num mundo aberto à concorrência de novas potências económicas, a Europa deve constituir-se num novo espaço económico autocentrado para obter uma “auto-suficiência radiosa”, segundo a expressão de Alexandre Soljenitsyne. (ver “Proteccionismo”, “Proteccionismo pensado e razoável”)

Autóctone: No sentido próprio:” saídos deles mesmos”, isto é, de um mesmo sangue e de uma mesma terra. A ideologia dominante, que é de natureza cosmopolita, tende a dar uma conotação pejorativa a este termo. Ela prefere na Europa, claro, o “nómada”, “o homem das solas de vento”, ou o imigrado ao autóctone enraizado. (ver “Enraizamento”)

Etimologias…

null(Esparta)

Filipe II da Macedónia, pai de Alexandre, o Grande, queria unir todos os povos gregos sobre seu domínio. A Grécia era composta por inúmeras cidades-estado. Esparta era uma delas.Durante um cerco à cidade de Esparta, Filipe II da Macedónia envia a seguinte mensagem aos espartanos:

“Se não se renderem imediatamente, invadirei as vossas terras. Se os meus exércitos as invadirem, irão pilhar e queimar tudo o que vocês mais prezam. Se eu marchar sobre a Lacónia*, arrasarei as vossas cidades.”

Alguns dias depois o Rei recebeu a resposta dos espartanos, abriu a carta e leu somente uma palavra: “Se”.

*Lacónia era a região onde se situava a cidade de Esparta.

Carnavais…

Quando a maior parte das pessoas pensa no carnaval a imagem que lhes vem à imaginação é a festa no Rio de Janeiro. Há essa tendência para associar o carnaval ao Brasil. Em Portugal, um país durante anos sujeito à influência televisiva brasileira, sobretudo através das telenovelas, o carnaval transformou-se crescentemente numa imitação barata das festividades cariocas.

Mas nem o carnaval é brasileiro nem o Brasil é carnaval. Há uma parte do Brasil, o sul, onde é comum ouvirmos as pessoas dizerem que “não gostam de carnaval”. Porque é no sul que mais se faz sentir a herança europeia do Brasil e porque o carnaval brasileiro é, essencialmente, uma expressão de cultura africana. A repulsa não é ideológica, é instintiva, natural.

null
Basta ver as célebres imagens anuais do carnaval do Rio para perceber isto. Os ritmos das músicas e a forma como os corpos semi-nus se mexem freneticamente são quase um espelho das sonoridades e movimentos das danças das tribos africanas. É um tipo de expressão musical/corporal que encontramos em todos os países com forte presença dos descendentes dos escravos negros.

null(grupo folclórico gaúcho)
No sul do Brasil, pelo contrário, os cantares e danças populares são mais semelhantes ao folclore português, holandês ou alemão.null(grupo folclórico português)

Nada é mais ridículo, contudo, do que os cortejos carnavalescos portugueses a tentarem imitar a festividade brasileira. Ao som de samba, gente por vezes pouco vestida, imitando os trajes que vêem no Rio de Janeiro (apesar do frio invernal europeu), participa num espectáculo cada vez mais artificial e afastado da tradição portuguesa e europeia. E isto quando não há convidados brasileiros ou escolas de samba para compor o quadro.

O carnaval em Portugal, quando não é adulterado, tem um outro estilo.

No fundo podemos opor aqui duas “imagens-tipo”, de um lado o Rio de Janeiro e do outro Veneza. O carnaval dos povos “afro-tropicais” é o Rio, o carnaval dos europeus é Veneza. O carnaval do Rio apela aos olhos e aos instintos primários e o de Veneza à imaginação e à inteligência, o carnaval do rio é mais pornográfico enquanto o de Veneza é mais erótico, no Rio os corpos revelam tudo de forma exibicionista, em Veneza convidam à descoberta, o carnaval do Rio tem um estilo plebeu e vulgar, o de Veneza tem um estilo aristocrático e elegante.

null(Carnaval de Veneza)

Portugal é uma festa de avental

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Trabalho de investigação de António José Vilela e Fernando Esteves, publicado na Revista Sábado

As ligações poderosas da organização que não quer aparecer – A maçonaria por dentro

São militantes do PS, do PSD e do CDS; são ministros, diplomatas e elementos dos serviços secretos.

A SÁBADO teve acesso a informações e documentos internos que mostram onde estão os maçons em Portugal, o que controlam e quais os rituais que são obrigados a seguir.
Manual para perceber como vive a organização mais misteriosa da sociedade e quais as suas ligações ao poder.

De venda negra a cobrir os olhos, com a perna esquerda das calças arregaçada e uma parte do peito completamente à mostra, aquele que ainda hoje é um dos homens mais influentes de Portugal conseguia apenas distinguir sons, vozes e instruções dadas pelo venerável mestre da loja maçónica a que estava prestes a aderir como maçon aprendiz. Na derradeira prova antes de poder ser um membro de pleno direito do Grande Oriente Lusitano (GOL), fizeram-no dar três voltas completas, de olhos vendados, ao templo maçónico – todas elas com um significado simbólico (ver infografia). Sempre acompanhado pelo mestre de cerimónias, o homem que se certifica de que o ritual é escrupulosamente cumprido, superou o teste. Pelo caminho, teve de ouvir barulhos de espadas a bater no chão e mulheres a bater nas madeiras e teve de sentir o calor do fogo e a temperatura fria da água. Já com os percursos feitos sempre da esquerda para a direita da loja; que é como quem diz das trevas para a luz -, mas ainda de olhos vendados, foi conduzido ao altar. Estava na altura de finalmente ser iluminado pela figura do venerável. Ao cair da venda, veria a luz.

Viu mais do que isso: um conjunto de homens com aventais de cores e disposições variadas, alinhados como numa parada militar. À sua frente, o líder da loja levantou uma espada que atravessava o testamento maçónico que escrevera antes de entrar na loja, numa câmara escura e sombria, com caveiras humanas desenhadas nas paredes. Nesse pedaço de papel registara as suas últimas reflexões profanas, que começavam agora a ser despedaçadas pelas chamas. Jorge Coelho – um dos mais influentes militantes da história do Partido Socialista estava a entrar num mundo desconhecido da maior parte dos portugueses: – o universo secreto da maçonaria.

Antes dele- que chegou ao GOL há pelo menos seis anos, durante o grãomestrado de Eugénio de Oliveira (1996 / 02) -, muitas outras figuras influentes da sociedade portuguesa passaram pelo ritual iniciático. Entre elas, Almeida Santos (ex-presidente da Assembleia da República), António Vitorino (antigo ministro socialista da Defesa e excomissário europeu), João Soares (ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa), João Cravinho (ex-ministro das Obras Públicas e actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento), Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais), Maldonado Gonelha (administrador da Caixa Geral de Depósitos e exministro da Saúde), Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras) e António de Sousa Lara (ex-subsecretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva e professor, que acabou envolvido no escândalo da Universidade Moderna). Esta é uma curta lista entre milhares de nomes, divididos por várias obediências – as mais representativas são o Grande Oriente Lusitano (GOL), liderado pelo ex-deputado socialista António Reis, e a Grande Loja Regular de Portugal (GLRP), dirigida pelo escritor Mário Martin Guia – que se movem em todos os sectores de actividade. É a acção conjunta destes homens, que se reúnem entre as paredes discretas dos templos maçónicos, repletos de símbolos e artefactos, que forma o designado “lóbi maçónico”.

O último episódio demonstrativo da proximidade entre a maçonaria e o poder surgiu na mais recente remodelação governamental. António Costa saiu para ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa e, para seu sucessor na pasta da Administração Interna, foi designado Rui Pereira, que hoje é visto como um dos nomes mais fortes do GOL. Fez parte da Loja Convergência, liderada por Luís Nunes de Almeida, o ex-presidente do Tribunal Constitucional (TC) falecido em 2004 e em cujo funeral maçons de várias lojas e obediências fizeram – sem o conhecimento do prior Horácio Correia, responsável pela Basílica da Estrela – uma cadeia de união (ritual maçónico em que todos dão as mãos e proferem as últimas palavras de homenagem ao morto). O acto decorreu discretamente na casa mortuária, longe dos olhos de elementos não maçons, os “profanos”.

Frequentador assíduo destas e de outras reuniões maçónicas, Rui Pereira dividiu ultimamente tarefas entre a visível coordenação da Unidade de Missão para a Reforma Penal e a presidência-sombra do Supremo Tribunal Maçónico, que acabou por abandonar, segundo fontes do GOL, quando foi há poucos meses escolhido pelo PS para integrar o Tribunal Constitucional. Hoje faz parte da Loja Luís Nunes de Almeida – criada em homenagem ao jurista falecido após a cisão registada na Loja Convergência, que continuou a ter, entre outros membros, Luís Fontoura, social-democrata e ex-secretário de Estado da Cooperação dos governos de Balsemão, e Abel Pinheiro, administrador da Grão-Pará e o ex-homem-forte das finanças do CDS, arguido no processo judicial Portucale. Contactado pela SÁBADO, Abel Pinheiro assume uma ligação de mais de 20 anos à maçonaria, considerando que esta “não tem qualquer espécie de poder”.

Se não tem poder oficialmente, pelo menos está “representado” em vários órgãos de poder. Rui Pereira, o actual ministro da Administração Interna, já foi director, entre 1997 e 2000, do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e mantém desde então relações próximas com o mundo da espionagem portuguesa. Rui Pereira – que não quis falar com a SÁBADO sobre a sua ligação à maçonaria – é também olhado como uma ponte entre o GOL e a GLRP [Grande Loja Regular de Portugal], através do seu grande amigo José Manuel Anes. Além de ser hoje grão-mestre honorário da GLRP, Anes é director da revista maçónica Aprendiz e da publicação Segurança e Defesa, lançada em Outubro de 2006 pela editora Diário de Bordo, e onde escrevem vários elementos ligados aos serviços secretos.

Os membros da maçonaria têm marcado presença na definição das opções do País, em especial junto de governos socialistas. Há áreas em que os maçons actuaram desde sempre, como a administração interna e os serviços de informações, e outras em que a sua influência é grande. Os governos de António Guterres são um exemplo claro. Jorge Coelho, enquanto ministro da Administração Interna, teve como secretário de Estado Armando Vara – outro maçom, que hoje é administrador da Caixa Geral de Depósitos, nomeado pelo Governo. No exercício das suas competências, Coelho nomeou em 1997, para dirigir o SIS, Rui Pereira, que acabou por sair três anos depois para ocupar o cargo de secretário de Estado da Administração Interna. Jorge Coelho – que não quis falar à SÁBADO de maçonaria (“Nunca falei disso com ninguém, mas vou ter muito gosto em ler o artigo”) – já então tinha trocado a pasta da Administração Interna pela do Equipamento Social e Rui Pereira ficou sob a alçada de Alberto Costa, hoje ministro da Justiça e que desmentiu à SÁBADO qualquer ligação à maçonaria. Nesse mesmo governo, em 2000, Fausto Correia, outro histórico do Grande Oriente Lusitano, ocupou o cargo de secretário de Estado adjunto do ministro de Estado, o seu amigo e “irmão” Jorge Coelho. Noutra área, a dos Assuntos Fiscais, estava o advogado de Carlos Cruz no processo Casa Pia, Ricardo Sá Fernandes, também ele membro do GOL. Mas a presença dos maçons no executivo de António Guterres não pára aqui.

Na área da Habitação estava Leonor Coutinho, há muito mestre na Grande Loja Feminina de Portugal. O secretário de Estado da Saúde era José Miguel Boquinhas (maçom e amigo de Jorge Coelho, de quem passou a ser sócio numa clínica de exames laboratoriais, a Fisiocontrol), que chegou a candidatar-se, há cerca de três anos, a bastonário da Ordem dos Médicos com fortes apoios de médicos (até sindicalistas) maçons. Acabou por perder para Pedro Nunes, o actual bastonário, que por sua vez sucedeu a Germano de Sousa, outro elemento do GOL. Também Rui Cunha, um maçom do GOL recentemente nomeado pelo Governo para provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi secretário de Estado adjunto do ministro do Trabalho e da Solidariedade. Ainda no mesmo Executivo, Armando Vara, depois de ter desempenhado as funções de secretário de Estado da Administração Interna, foi nomeado ministro da Juventude e do Desporto. Carlos Zorrinho, que era na altura secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, entrou há pouco para o GOL.

Segunda-feira, 18h30, Janeiro de 2007. Dois homens de fato escuro e gravata saem do n.º 17 da Rua João Saraiva, em Alvalade, e atravessam apressadamente a estrada neste fim de tarde já escuro. Dirigem-se a uma carrinha cinzenta Citroën C5. Abrem a mala, retiram aquilo que parecem roupas dobradas e uma maleta de cabedal preto, com pequenas rodas, que um deles arrasta pelo chão. Num instante, já estão a regressar ao edifício, mas ainda falta cerca de meia hora para a reunião da Loja Mercúrio, talvez a mais secreta da maçonaria regular portuguesa. À medida que o tempo vai passando, começam a chegar os carros. Um BMW 520i segue devagar, o motorista leva-o algumas dezenas de metros adiante, dobra a esquina e estaciona. Jorge Silva Carvalho, o chefe de gabinete que o secretário-geral do SIRP (Serviço de Informações da República Portuguesa) requisitou ao SIS, sai do banco traseiro, ajeita o fato azul-escuro e põe-se calmamente a caminho, deixando para trás o carro que é propriedade da secreta militar e que, desde 2002, foi cedido ao gabinete do director do SIRP, Júlio Pereira. Quase no mesmo instante, mas do outro lado da rua, o motorista de um BMW propriedade da Câmara Municipal de Oeiras estaciona e um homem sai apressado em direcção ao edifício degradado. É Isaltino Morais, que se junta a Emanuel Martins, líder do PS de Oeiras e um dos 17 maçons presentes na reunião de irmãos que se vai prolongar por mais de duas horas. Emanuel Martins tem sido o principal responsável pelo facto de Isaltino Morais ainda não ter caído da presidência da câmara: contra todas as expectativas, o líder da oposição tem vindo a manifestar solidariedade para com o autarca e seu “irmão”, acusado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e abuso de poder. Questionado pela SÁBADO sobre o assunto, Isaltino Morais não quis falar. Por essa altura, já outros carros topo de gama procuram estacionamento. Alguns estão a coberto do anonimato assegurado pelos registos – uns são Mercedes em leasing, outros são Audis registados em nome de empresas. Outros nem tanto, como são o caso de um Citroën C5 azul guiado por Paulo Miranda, o homem que foi vice-presidente do Conselho Nacional do CDS, ou o Opel Vectra que é propriedade do ex-reitor da Universidade Moderna, Britaldo Rodrigues.

Hoje é dia de iniciações de aprendizes, gente que vai entrar nos segredos da maçonaria. Um homem de cerca de 50 anos parece perdido. Olha para os edifícios em redor, agarra no telemóvel e obtém a confirmação do número da porta. Lá dentro, no andar superior ao corredor dos Passos Perdidos (onde são afixados os nomes de quem está em vias de ser iniciado), José Moreno, o social-democrata subdirector do Gabinete de Planeamento do Ministério das Finanças, e Paulo Noguês, especialista em marketing político e institucional, estão a postos para iniciar os rituais secretos da Grande Loja Regular de Portugal, que serão inevitavelmente seguidos de um ágape, uma espécie de convívio de homenagem aos recém-admitidos.

Os novos “irmãos” terão aí a oportunidade de, pela primeira vez, tomar contacto com a linguagem codificada da instituição: obedecendo às instruções dos mestres (o grau máximo que se pode atingir numa loja maçónica), pegam num “canhão” (copo), “carregam-no” (enchem-no) de “pólvora forte branca” (vinho branco) ou, em alternativa, de “pólvora forte vermelha”ite (vinho tinto) ou de “pólvora explosiva” (champanhe); “alinham” (colocam os copos em linha) e “fazem fogo” (bebem). A bebida é frequentemente acompanhada de “materiais” (comida). Há quem opte por colocá-los na “telha” (prato), agarrando na “trolha” (colher) ou no “tridente” (garfo), para de seguida “demolir os materiais” (mastigar). Para que o ambiente permaneça descontraído, é possível experimentar “pólvora do Líbano” (tabaco) ou “fazer fogo” com “pólvora fulminante” (licor). Normalmente este ritual tem lugar na sede da própria obediência, mas o edifício degradado em que funciona a maçonaria regular, situado em Alvalade, não é propício a grandes convívios. Resultado: os “irmãos” preferem carregar a simbologia para o restaurante mais próximo, onde discretamente convivem ao jantar. Como aconteceu nessa noite.

A GLRP é uma verdadeira salada de frutas de políticos. Reúne socialistas e monárquicas, sociais-democratas e centristas. Todos se dizem homens bons à procura do aperfeiçoamento individual e da humanidade, mas poucos se questionam sobre alguns dos episódios polémicos daquela obediência em Portugal, como o da estratégia montada durante largos meses pela direcção da Grande Loja para conseguir uma nova sede – um palacete situado em pleno Príncipe Real, em Lisboa – cedida pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues. Para “seduzir” o agora recandidato, a GLRP até lhe atribuiu uma importante condecoração maçónica, a grã-cruz da Ordem Honorífica Gomes Freire de Andrade. A divulgação do caso pela SÁBADO, em Abril, levou o vereador do Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, a fazer um requerimento para saber exactamente o que tinha sido acordado. Nunca obteve resposta, mas, ao que tudo indica, o palacete vai mesmo chegar às mãos da GLRP. De resto, o universo da autarquia lisboeta é um autêntico caldeirão maçónico. A SÁBADO sabe que o antigo chefe de gabinete de Carmona Rodrigues, Cal Gonçalves, é maçom. O mesmo sucede com vários membros da oposição no PS Lisboa, como Rui Paulo Figueiredo, que pertence à Loja Mercúrio, ou Miguel Coelho, líder da distrital do partido, Dias Baptista, líder do PS na autarquia, ou ainda Rosa do Egipto (recém-nomeado administrador da EPUL), Arnaldo João (advogado e ex-EPUL) e Gonçalo Velho (PS de Carnide). Em declarações à SÁBADO, José Manuel Anes afirma que ainda não acredita que o negócio em causa estivesse em marcha: “Estou profundamente triste pelo que li na vossa revista. Fiquei de boca aberta. A minha sensibilidade maçónica ficou ofendida”. Nandim de Carvalho, ex-grão-mestre da GLRP, não percebe Anes: “Isso não tem ponta por onde se lhe pegue. É uma declaração ininteligível.” E Nandim de Carvalho não fica incomodado com o secretismo com que toda a operação estava a ser planeada.

Segundo documentos a que a SÁBADO teve acesso, também já houve comendas atribuídas aos presidentes das Câmaras de Setúbal e Palmela, respectivamente, Carlos Sousa e Ana Teresa Vicente. As autarquias são outro dos sectores onde a maçonaria também tenta ter uma presença forte. Em Maio e Junho de 2001, o GOL organizou a exposição Maçonaria na Figueira, realizada no museu camarário. Em documentos internos da organização que a SÁBADO consultou, é destacado o “empenho e o profissionalismo” de diversas pessoas. Entre elas, o então vereador social-democrata Miguel Almeida. Melhor, o “irmão” Miguel Almeida, que seria braço-direito de Santana Lopes na Câmara de Lisboa, e que por diversas vezes o aconselhou a visitar o GOL e a subsidiar vários eventos da instituição. À SÁBADO, o actual deputado sublinha que não lhe repugna que os membros da instituição procurem ajudá-la. “Se for para defender os valores da casa, não acho mal, pelo contrário”, afirma. Será apenas coincidência, mas os maçons estão sempre a encontrar-se nas autarquias. Ainda nas últimas eleições, depois de Manuel Maria Carrilho ter feito uma manobra de antecipação, anunciando a disponibilidade para ser candidato do PS a Lisboa, João Soares, expresidente da Câmara, resignou-se ao facto de ter de se candidatar à liderança de outra cidade. Acabou por conseguir ser a aposta do PS a Sintra. O coordenador autárquico do partido era o seu “irmão” Jorge Coelho. Uma curiosidade: João Soares é um maçom sui generis. Na sua loja recusa-se terminantemente a usar o tradicional avental, por considerar que é “abichanado”. Em declarações à SÁBADO, João Soares confirma: “Uso avental em casa, não sou pessoa de grandes rituais. Estou lá pelo espírito republicano e laico da organização”. Um espírito que é defendido intransigentemente pelo grão-mestre António Reis. “Não telecomandamos pessoas ou grupos. Faço uma distinção total entre a espiritualidade ética e laica e os grupos de pressão que não somos”, diz. Vítor Ramalho, deputado do PS e maçom assumido, tem mais dúvidas. “Vejo com grande criticismo a entrada de certas pessoas e houve um período em que a maçonaria abriu as portas de forma menos avisada”, refere.

Resumindo: todos terão a consciência de que para manter o espírito puro é necessário muito esforço interno. Se não, veja-se a declaração de princípios da lista encabeçada em 2002 por António Arnaut, na qual se mencionava a corrupção e o compadrio nos partidos políticos, defendendo-se até a existência de um “novo tipo de prática maçónica” que levasse os “irmãos” para longe das disputas partidárias, tanto mais que os partidos, “que deviam ser intérpretes do interesse nacional e escolas de civismo”, se transformaram em “máquinas de conquista de poder e agendas de emprego”. O diagnóstico era, portanto, desanimador. “A corrupção alastra, o compadrio substitui o mérito, o interesse material oblitera o dever de servir a comunidade”, dizia o documento, apontando outros potenciais culpados: “São as multinacionais que inspiram certas leis e são os canais de televisão que ditam as regras, criam factos políticos e impõem a obscenidade.”

EM 1998, Fernando Negrão, o actual candidato do PSD à Câmara de Lisboa, que era então director da Polícia Judiciária, afirmou ao jornal Expresso que a maçonaria “com certeza democratizará a sua visibilidade”. Inquirido pelo mesmo jornal, Jorge Coelho, que era ministro da Administração Interna, disse que não faria sentido uma investigação sobre quem é quem na maçonaria portuguesa porque a época das perseguições já passara. O ponto de vista do exdirigente socialista parece ter vingado: na discussão que decorreu no ano passado no Parlamento, os deputados esclareceram muito bem quais seriam as novas regras do registo público de interesses a vigorar a partir de 2009. De fora ficaram, por proposta do PS e com a abstenção de toda a oposição, as ligações à maçonaria.

O desejo de secretismo sobre os membros da instituição vem de longe e mantém-se até hoje. Até para se reconhecerem em público os maçons utilizam códigos. Um exemplo: dois “irmãos” estão a falar em público sobre um qualquer assunto da loja a que pertencem. Um deles percebe que há um “profano” que se aproxima. Para avisar o interlocutor, diz a seguinte frase: “Está a chover.” Outro ainda: um membro desconfia, mas não tem a certeza, de que uma pessoa que se prepara para conhecer é maçom. Para o confirmar, ao cumprimentá-la dá-lhe três toques com o polegar. Se houver resposta igual, é um “irmão”. Outra forma de se reconhecerem: num jantar de grupo, um maçom pensa estar frente a outro maçom, embora não esteja certo disso. Para o saber, olha para ele enquanto coloca a pala da mão aberta sobre o próprio pescoço. Se a resposta for semelhante, o mistério está desfeito. António Arnaut – que, em 1978, enquanto ministro dos Assuntos Sociais, protagonizou um dos episódios mais sintomáticos da influência da maçonaria na sociedade civil, ao colocar em discussão o projecto de lei que criaria o Serviço Nacional de Saúde primeiro na sua loja maçónica e só depois no Parlamento – desempenhou um papel importante na relativa abertura da instituição. Ao contrário do que sucedeu com o seu antecessor – o coronel Eugénio de Oliveira, que usava o nome simbólico de Gandhi na Loja O Futuro, onde Afonso Costa (chefe de alguns Governos durante a I República) também esteve – o grão-mestre defendeu maior divulgação da natureza e dos princípios do GOL. Foi por isso que abriu as portas do palacete situado no Bairro Alto, em Lisboa, a personalidades como Jorge Sampaio, D. Duarte, Pedro Santana Lopes ou Jaime Gama, que na altura declarou que era o primeiro presidente da Assembleia da República não maçom de Portugal. Não era. O seu antecessor, Mota Amaral, pertence, de facto, a uma organização igualmente discreta, mas com outro nome – a católica Opus Dei. Em diversos documentos do GOL e da GLRP a que a SÁBADO teve acesso são feitas referências a encontros com o poder político e económico, muitos deles secretos: “Há que destacar também a recepção pelo grão-mestre do GOL de dirigentes de partidos políticos, embaixadores creditados em Portugal (…)”, pode ler-se numa comunicação interna do GOL, que, ao contrário do que acontece com a GLRP, não revela nomes “profanos” nos seus documentos, optando, por uma questão de segurança, pela utilização de nomes simbólicos (todos os maçons têm um) ou, no caso de se tratar de representantes institucionais exteriores ao GOL, pela inscrição das iniciais dos seus nomes.
A maçonaria está por todo o lado. Para intervir activamente na sociedade civil, cria as chamadas instituições para-maçónicas. Entidades como a Academia das Ciências de Lisboa, a Universidade Livre, os Pupilos do Exército, a Voz do Operário, a editora Hugin ou o Montepio Geral foram pensadas primeiro em lojas maçónicas e só depois lançadas na sociedade civil, normalmente com maçons na sua direcção. Foi isso que aconteceu também com a Universidade Moderna. Um professor maçom que esteve ligado ao projecto desde o início garante que a ideia foi desenvolvida na maçonaria. “O José Júlio Gonçalves e o Oliveira Marques [historiador que morreu recentemente] estavam em conflito porque os dois queriam ser reitores”, afirma. “Nessa altura, a ideia era chamar-lhe Europa, mas um dia o José Júlio, que era quem tinha arranjado forma de viabilizar o projecto, perdeu a paciência e disse ao Oliveira Marques para fazer a sua própria universidade. Foi quando criou a Moderna.” A versão é contestada por Nandim de Carvalho, fundador e primeiro presidente da Assembleia Geral da Universidade, que garante que Oliveira Marques “não teve participação” na ideia. O projecto acabaria por dar origem a um dos maiores escândalos políticos dos últimos 20 anos, prejudicando a imagem da maçonaria, sobretudo da GLRP. E também a de alguns políticos, como Paulo Portas, que foi o primeiro gestor da empresa de sondagens da universidade, a Amostra, e que conduzia um Jaguar da Moderna, ou Santana Lopes, que também geriu a Amostra e que tinha ao serviço um Mercedes Classe A – carros disponibilizados por José Braga Gonçalves, administrador da universidade, filho de José Júlio Gonçalves e membro da maçonaria da Casa do Sino.

“A maçonaria por dentro” – os nomes (Nota: aparecem os nomes, depois as posições e por fim a loja a que pertencem)

Estrutura dirigente da GLRP

Mário Martins Guia – Grão-mestre / Norton de Matos
José Moreno – Vice-grão-mestre / Mercúrio
Júlio Meirinhos – Vice-grão-mestre / Rigor
Paulo Noguês – Assistente de grão-mestre / Brasília
Luís Lopes – Assistente de grão-mestre / Marquês de Pombal
R. LeIé – Assistente vice-grão-mestre moreno/ Mestre Afonso Domingues
A. Rente – Assistente vice-grão-mestre meirinhos / Egitânia
José Coelho Antunes – Grande secretário/ Norton de Matos
I. Fonseca – Vice-grande secretário / Norton de Matos
Manuel Martins da Costa – Assistente de / grande secretário / Marquês de Pombal
Mário Gil Damião da Silva – Assistente de grande secretário/ Norton de Matos
J. A. Ferreira – Grande correio-mor / Estrela da Manhã
Alcides Guimarães – Primeiro grande vigilante / Rei Salomão
L Homem – Segunda grande vigilante / Conímbriga
Augusto Castro – Vice-primeiro grande vigilante / Anderson
R. Cruz – Vice-segundo grande vigilante / Portus Calle
Francisco Queiroz – Grande capelão / Teixeira de Pascoaes
Benito Martinez – Vice-grande capelão / Quinto Império
Mário Máximo – Grande orador / Nova Avalon
H. Veiga – Vice-grande orador / Bispo Alves Martins
Vítor Gabão Veiga – Grande hospitaleiro e esmoler / Soliditas
António Vicente – Grande arquivista e bibliotecário/ Harmonia
Arnaldo Matos – Grande porta-estandarte / Miramar
Manuel Cabido Mota – Grande superintendente e guardião do templo / Harmonia
Luís Honrado Ramos – Grande mestre de cerimónias / Almeida Garrett
Miguel Cardina – Primeiro grande experto / Mestre Afonso Domingues
Luís Pombo – Segunda grande experto / Miramar
Esmeraldo Mateus Vivas – Segundo grande experto / Marquês de Pombal
Manuel Pinto – Grande organista / Porto do Graal
Nuno Jordão – Grande porta-espada/ Nova luz
J. Ruah – Grande inspector/ Mestre Afonso Domingues
João Oliveira e Silva – Grande inspector/ Fernando Pessoa
Edgar Gencsi – Grande inspector/ Miramar
Manuel Sacavém – Grande inspector / Lusitânia
Nuno Silva – Vice-grande inspector / Fernando Pessoa
José Fernando d’Alte – Vice-grande inspector / Almeida Garrett
G. Ribeiro – Vice-grande inspector/ Aristides Sousa Mendes
Manuel Tavares Oliveira – Vice-grande inspector / Anderson
José Oliveira Costa – Assistente grande inspector / Bispo Alves Martins
Armando Anacleto – Assistente grande inspector / Egitânia
António Delfim Oliveira Marques – Assistente grande inspector / Egas Moniz
Jorge Vilela Carvalho – Assistente grande inspector/ Astrolábio
Paulo Albuquerque – Assistente grande inspector / Lusitânia

Membros do governo e deputados

Nomes que são da maçonaria ou, em algum momento, foram membros:

Rui Pereira (actual ministro da Administração Interna e ex-director dos serviços secretos)
António Castro Guerra (actual secretário de Estado adjunto, da Indústria e Inovação)
António Arnaut (ex-ministro socialista)
Jorge Coelho (ex-ministro socialista)
António Vitorino (ex-rninistro socialista, entretanto expulso do GOL)
Isaltino Morais (ex-ministro social-democrata e actual presidente da Câmara de Oeiras)
Almeida Santos (ex-ministro e ex-presidente do Parlamento)
João Cravinho (ex-ministro socialista)
Armando Vara (ex-ministro PS e actual administrador da CGD)
Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro do PSD)
Carlos Zorrinho (ex-secretário de Estado PS e coordenador do Plano Tecnológico)
Fausto Correia (eurodeputado e ex-secretário de Estado socialista)

Juristas, diplomatas e espiões

António Lamego (advogado)
António Pinto Pereira (advogado)
José António Barreiras (advogado)
Diamantino Lopes (ex-vice-bastonário da Ordem dos Advogados)
Rodrigo Santiago (advogado)
Nuno Godinho Matos (advogado)
Guerra da Mata (advogado)
Miguel Cardina (advogado)
Manuel Pinto (advogado)
Luís Moitinho de Oliveira (advogado)
Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do PS)
Ricardo da Velha (desembargador jubilado e ex-participante no programa televisivo “O Juiz Decide”)
Jorge Silva Carvalho (chefe de gabinete de Júlio Pereira, director do Serviço de Informações da República Portuguesa)
José Manuel Anes (director da revista Segurança e Defesa)
José Fernandes Fafe (diplomata)
Fernando Reino (diplomata jubilado)

Gestores, médicos e militares

Abel Pinheiro (administrador da Grão-Pará)
Maldonado Gonelha (administrador da Caixa Geral de Depósitos e ex-ministro da Saúde socialista)
Fernando Lima Valadas (gestor da construtora Abrantina)
Amadeu Paiva (administrador da Unicre)
Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente)
José Miguel Boquinhas (médico, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e ex-secretário de Estado socialista)
Germano de Sousa (ex-bastonárioda Ordem dos Médicos)
Cipriano Justo (médico e sindicalista)
Jacinto Simões (médico e ex-director do Hospital de Santa Cruz)
Santinho Cunha (médico legista)
Vasco Lourenço (militar de Abril)
Palma lnácio (ex-resistente antifascista)

Professores, arquitectos, escritores, músicos e outros

José Júlio Gonçalves (ex-reitor da Universidade Moderna)
António de Sousa Lara (professor e exsubsecretário de Estado da Cultura socialdemocrata)
Lemos de Sousa (professor catedrático)
Jorge de Sá (professor e director da empresa de sondagens Aximage)
Fernando Condesso (professor)
José Manuel Fava (arquitecto e ex-sogro de José Sócrates)
Troufa Real (arquitecto)
José Jorge Letria (escritor)
Mário Zambujal (escritor)
José Fanha (escritor)
Fausto (cantor)
Carlos Alberto Moniz (cantor)
José Nuno Martins (apresentador)
Nicolau Breyner (actor)
Moita Flores (argumentista e presidente da Câmara Municipal de Santarém)
Henrique Monteiro (director do jornal Expresso)
João Proença (secretário-geral da UGT)

(…)

A. Rente – (GLRP) – Assistente vice-grão-mestre meirinhos / Egitânia. Abel Pinheiro (administrador da Grão-Pará e ex-homem forte das finanças do CDS “assume uma ligação de mais de 20 anos à maçonaria”), arguido no processo judicial Portucale. Alcides Guimarães – (GLRP) – Primeiro grande vigilante / Rei Salomão Almeida Santos (ex-rninistro e ex-presidente do Parlamento). Amadeu Paiva (administrador da Unicre). António Arnaut, (PS) em 1978, ex-ministro dos Assuntos Sociais em 2002, assinava uma declaração de princípios que denunciava a corrupção e o compadrio nos partidos políticos, defendendo-se até a existência de um “novo tipo de prática maçónica”. António Castro Guerra (actual secretário de Estado adjunto, da Indústria e Inovação). António de Sousa Lara (ex-subsecretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva e professor e ex-subsecretário de Estado da Cultura, social-democrata, que acabou envolvido no escândalo da Universidade Moderna). António Delfim Oliveira Marques – (GLRP) – Assistente grande inspector / Egas Moniz. António Lamego (advogado). António Pinto Pereira (advogado). António Reis, ex-deputado sodalista, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL). António Vicente – (GLRP) – Grande arquivista e bibliotecário / Harmonia . António Vitorino (antigo ministro socialista da Defesa e excomissário europeu), entretanto expulso do GOL. Armando Anacleto – Assistente grande inspector / Egitânia. Armando Vara, depois de ter desempenhado as funções de secretário de Estado da Administração Interna, foi nomeado ministro da Juventude e do Desporto. Hoje é administrador da Caixa Geral de Depósitos, nomeado pelo Governo. Arnaldo João (advogado da ex-EPUL). Arnaldo Matos – (GLRP)- Grande porta estandarte / Miramar. Augusto Castro – (GLRP) – Vice-primeiro grande vigilante/ Anderson. Benito Martinez – (GLRP)- Vice-grande capelão / Quinto Império. Cal Gonçalves, (GLRP),antigo chefe de gabinete de Carmona Rodrigues é maçon. O mesmo sucede com vários membros da oposição no PS Lisboa. Carlos Alberto Moniz (cantor). Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente). Carlos Zorrinho, ex- secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna e coordenador do Plano Tecnológico, entrou há pouco para o GOL. Cipriano Justo (médico e sindicalista) Diamantino Lopes (ex-vice-bastonário da Ordem dos Advogados). Dias Baptista (líder do PS na autarquia/Lisboa). Edgar Gencsi – (GLRP)- Grande inspector / Miramar. Emanuel Martins (líder do PS de Oeiras, apoiante de Isaltino de Morais na Câmara). Esmeraldo Mateus Vivas – (GLRP) – Segundo grande experto / Marquês de Pombal. Eugénio de Oliveira, coronel, [GOL] grão-mestre, (de 1996/02) que usava o nome simbólico de Gandhi na Loja O Futuro, onde esteve Afonso Costa; defendeu maior divulgação da natureza e dos princípios do GOL. Fausto (cantor). Fausto Correia, – (PS) euro-deputado, outro histórico do Grande Oriente Lusitano; em 2000, no governo de Guterres, ocupou o cargo de secretário de Estado adjunto do ministro de Estado, o seu amigo e “irmão” Jorge Coelho. Fernando Condesso (professor). Fernando Lima Valadas (gestor da construtora Abrantina). Fernando Reino (diplomata jubilado). Francisco Queiroz – (GLRP) – Grande capelão / Teixeira de Pascoaes. G. Ribeiro – (GLRP)- Vice-grande inspector/ Aristides Sousa Mendes. Germano de Sousa (ex-bastonárioda Ordem dos Médicos. Outro elemento do GOL). Gonçalo Velho (PS de Carnide). Guerra da Mata (advogado). H. Veiga – (GLRP) – Vice-grande orador / Bispo Alves Martins. Henrique Monteiro (director do jornal Expresso); I. Fonseca – (GLRP)- Vice-grande secretário / Norton de Matos. Isaltino Morais (ex-ministro social-democrata e actual presidente da Câmara de Oeiras) PSD. J. A. Ferreira – (GLRP) – Grande correio-mor / Estrela do Manhã. J. Ruah – (GLRP) – Grande inspector/ Mestre Afonso Domingues. Jacinto Simões (médico e ex-director do Hospital de Santa Cruz). João Cravinho (ex-ministro socialista das Obras Públicas e actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento). João Oliveira e Silva – (GLRP)- Grande inspector/ Fernando Pessoa. João Proença (secretário-geral da UGT). João Soares (ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa), GOL, é um maçon sui generis. Na sua loja recusa-se terminantemente a usar o tradicional avental, por considerar que é “abichanado”. Jorge Coelho – (ex-ministro socialista um dos mais influentes militantes da história do Partido Socialista enquanto ministro da Administração Interna, teve como secretário de Estado em 1997, Rui Pereira. Jorge de Sá (professor e director da empresa de sondagens Aximage). Jorge Silva Carvalho (chefe de gabinete de Júlio Pereira, director do Serviço de Informações da República Portuguesa – SIRP). Jorge Vilela Carvalho – (GLRP) – Assistente grande inspector/ Astrolábio. José António Barreiras (advogado). José Braga Gonçalves (membro da maçonaria da Casa do Sino; administrador da Universidade Moderna). José Coelho Antunes – (GLRP) – Grande secretário/ Norton de Matos. José Fanha (escritor). José Fernandes Fafe (diplomata). José Fernando d’Alte – (GLRP) – Vice-grande inspector / Almeida Garrett. José Jorge Letria (escritor). José Júlio Gonçalves, (GLRP) ex-reitor da Universidade Moderna. José Manuel Anes, além de ser hoje grão-mestre honorário da GLRP, é director da revista maçónica Aprendiz e da publicação Segurança e Defesa, lançada em Outubro de 2006 pela editora Diário de Bordo, e onde escrevem vários elementos ligados aos serviços secretos.José Manuel Fava (arquitecto e ex-sogro de José Sócrates). José Miguel Boquinhas (médico, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e exsecretário socialista de Estado da Saúde) maçon e amigo de Jorge Coelho, de quem passou a ser sócio numa clínica de exames laboratoriais, a Fisiocontrol. José Moreno – (GLRP) – Vice-grão-mestre / Mercúrio (social democrata, subdirector do Gabinete de Planeamento do Ministério das Finanças). José Nuno Martins (apresentador). José Oliveira Costa – (GLRP)- Assistente grande inspector / Bispo Alves Martins. Júlio Meirinhos – (GLRP) – Vice-grão-mestre / Rigor. L Homem – (GLRP) – Segunda grande vigilante / Conímbriga. Lemos de Sousa (professor catedrático). Luís Fontoura, social democrata e ex-secretário de Estado da Cooperação dos governos de Balsemão. Luís Honrado Ramos – (GLRP) – Grande mestre de cerimónias / Almeida Garrett . Luís Lopes – (GLRP) – Assistente de grão-mestre / Marquês de Pombal. Luís Moitinho de Oliveira (advogado) . Luís Nunes de Almeida, o ex-presidente do Tribunal Constitucional (TC) falecido em 2004, mestre da Loja Convergência. (Rito maçónico efectuado abusivamente na Capela mortuária da Basílica da Estrela ). Luís Pombo – (GLRP) – Segundo grande experto / Miramar. Maldonado Gonelha (socialista, administrador da Caixa Geral de Depósitos e ex-ministro da Saúde) Manuel Cabido Mota – (GLRP) – Grande superintendente e guardião do templo / Harmonia. Manuel Martins da Costa – (GLRP) – Assistente de / grande secretário / Marquês de Pombal. Manuel Pinto – (GLRP) – Grande organista / Porto do Graal – (advogado). Manuel Sacavém – (GLRP) – Grande inspector / Lusitânia. Manuel Tavares Oliveira – (GLRP) – Vice-grande inspector / Anderson. Mário Gil Damião da Silva – (GLRP) – Assistente de grande secretário/ Norton de Matos. Mário Martins Guia – (GLRP) – Grão-mestre / Norton de Matos – (escritor). Mário Máximo – (GLRP) – Grande orador / Nova Avalon. Mário Zambujal (escritor). Miguel Almeida, social-democrata maçon, que terá sido o braço direito de Santana Lopes na Câmara de Lisboa. Miguel Cardina – (advogado) (GLRP) – Primeiro grande experto / Mestre Afonso Domingues. Miguel Coelho, líder da distrital do partido. Miguel de Almeida (deputado; ex-vereador social democrata do GOL). Moita Flores (argumentista e presidente da Câmara Municipal de Santarém).Nandim de Carvalho (ex-grão-mestre da GLRP). Nicolau Breyner (actor). Nuno Godinho Matos (advogado). Nuno Jordão – (GLRP) – Grande porta-espada/ Nova luz. Nuno Silva – (GLRP) – Vice-grande inspector / Fernando Pessoa. Oliveira Marques, (GLRP) historiador que morreu recentemente. Palma lnácio (ex-resistente antifacista). Paulo Albuquerque – (GLRP) – Assistente grande inspector / Lusitânia. Paulo Miranda, o homem que foi vice-presidente do Conselho Nacional do CDS. Paulo Noguês – (GLRP) – Assistente de grão-mestre / Brasília – (especialista em marketing político e institucional). R. Cruz – (GLRP) – Vice-segundo grande vigilante / Portus Calle. R. Lelé – (GLRP) – Assistente vice-grão-mestre moreno/Mestre Afonso Domingues. Ricardo da Velha (desembargador jubilado e ex-participante no programa televisivo O Juiz Decide). Ricardo Sá Fernandes (advogado e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do PS, no executivo de Ant. Guterres). Rodrigo Santiago (advogado). Rosa do Egipto (recém nomeado administrador da EPUL). Rui Cunha, um maçon do GOL recentemente nomeado pelo Governo para provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi secretário de Estado adjunto do ministro do Trabalho e da Solidariedade. Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro do PSD). Rui Paulo de Figueiredo (membro da oposição no PS / Lisboa / Loja Mercúrio). Rui Pereira, – um dos nomes mais fortes do GOL, fez parte da Loja Convergência, participou na Reforma Penal e na presidência-sombra do Supremo Tribunal Maçónico da Loja Luís Nunes de Almeida. Integra o Tribunal Constitucional. É o actual ministro da Administração Interna. Foi director, entre 1997 e 2000, do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e mantém desde então relações próximas com o mundo da espionagem portuguesa. Foi secretário de estado da Admin. Interna. Santinho Cunha (médico legista). Troufa Real (arquitecto). Vasco Lourenço (militar de Abril). Vítor Gabão Veiga – (GLRP) – Grande hospitaleiro e esmoler / Soliditas. Vítor Ramalho, deputado do PS e maçon assumido.

Senhoras “maçans” da Grande Loja Feminina de Portugal

* Ana Bela Pereira da Silva, presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias. * Helena Sanches Osório, jornalista já falecida, uma das fundadoras da GLFP. * Leonor Coutinho, mestre na Grande Loja Feminina de Portugal. Ex-secretária de Estado da Habitação do governo de António Guterres. * Maria Belo (psicanalista; militante socialista (PS); Grande Loja Feminina de Portugal fundada em 1983.

Mulheres vendadas

“Se a solidariedade entre ‘irmãs’ existe, eu nunca a vi.”

Quem o afirma à SÁBADO é um membro da Grande Loja Feminina de Portugal (GLFP), a obediência maçónica criada em 1983, entre outras, pela psicanalista e militante socialista Maria Belo, numa antiga garagem com uma gruta por trás. Maria Belo e as “irmãs” – entre elas a já falecida jornalista Helena Sanches Osório decidiram chamar a essa primeira loja Unidade e Mátria. Tornou-se conhecida por ser muito rigorosa no cumprimento do ritual. “Lá, o segredo é mesmo a alma do negócio. No dia da minha iniciação, meteram-me num carro e andaram comigo a passear de olhos vendados para não imaginar sequer para onde ia. Elas levam a promoção do secretismo até ao ridículo e as figuras de topo guardam toda a informação para si. Se quiser saber nomes de outros elementos, não me dizem. Querem manter o poder”, afirma o mesmo membro, que ainda hoje não convive bem com o facto de ter de dizer sempre uma palavra passe para entrar na sede da GLFP nem com a obrigatoriedade de terem de ser as candidatas à irmandade a confeccionar à mão o seu traje maçónico. “Disseram-me que tinha de ser eu a cosê-lo… Fui a casa da minha mãe e ela ajudou-me”, diz. A sede da GLFP situa-se em Lisboa, junto ao Largo do Adamastor. Entre os seus membros estão Leonor Coutinho, ex-secretária de Estado da Habitação do governo de António Guterres, e Ana Bela Pereira da Silva, presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias (…)

Os homens a sério usam os punhos!

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