Dicionário da dissidência – letra “A”

by RNPD

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As palavras são armas.

A novilíngua orwelliana é, juntamente com a diabolização dos mal-pensantes, a arma principal do sistema dominante para esterilizar as inteligências e privar as almas de coragem.

Mas em contraponto à novilíngua, o “falar-franco” é uma arma para libertar os espíritos e dar-lhes os instrumentos para melhor compreenderem o mundo.

É o objectivo deste dicionário da re-informação, deste léxico da dissidência.

Tem pouco mais de 400 termos: não aspira, portanto, à exaustividade nem mesmo à imparcialidade, ainda menos à unicidade de pontos de vista expressos: porque tudo o que pode alimentar as forças da dissidência é bem-vindo. Dissidentes de todas as sensibilidades, uni-vos!

Também, nenhuma necessidade de estar de acordo com cada uma destas mais de 400 definições para participar na batalha. Trata-se, para a Fundação Polémia, de abrir a reflexão e incitar cada um a continuar para abrir brechas no muro da ideologia única…antes de o fazer cair!

Nesta primeira resenha o leitor encontrará:

Palavras libertadoras, para desvendar o que o politicamente correcto e a censura querem esconder;

Palavras acusatórias, para compreender os recursos do sistema mundialista dominante que conduz os europeus pela estrada da servidão e da decadência, afim de melhor os combater;

Palavras esquecidas, que é preciso invocar para reencontrar a nossa identidade e a via da renovação da nossa civilização;

Palavras-chave, para interpretar as realidades e as forças de dominação em curso.

A cada um o papel de continuar! Porque “cada Filocteto sabe que sem o seu arco e as suas flechas Tróia não será conquistada”.

*

[Nota do tradutor: Publicaremos este dicionário de A a Z, com algumas pequenas adaptações, inclusive de ordem alfabética, a que uma tradução deste tipo obriga]

Letra “A”

Abordagem utilitária/Gestell: A oligarquia governa segundo uma lógica nova, que é a do “Gestell”, da abordagem utilitária, segundo a fórmula de Heidegger. A lógica do Gestell leva a tratar o homem como a mais preciosa das matérias-primas e a tornar, tanto quanto possível, todos os homens intercambiáveis, mobilizando para isso os recursos das paixões igualitárias. Tudo o que distingue os seres humanos deve ser eliminado porque isso pode perturbar o carácter intercambiável que os homens devem ter para serem perfeitas matérias-primas. O homem do Gestell deve, portanto, ter quatro características:

– Não ter raízes (nomeadamente nem raça, nem nação, nem religião);
– Não ter ideal: deve ser um consumidor e um produtor materialista e relativista disposto a engolir todos os produtos lançados no mercado;
– Não ter religião para além da do seu próprio ego, para ser mais facilmente isolado e, logo, manipulável;
– Não ter personalidade afim de se fundir na massa (deve portanto ser educado de maneira puramente técnica e utilitária, sem cultura geral que lhe permita situar-se como homem livre). (ver “Mercantilização”, “Oligarcas”, “Sociedade de Mercado”)

Acção: “agir enquanto homem de pensamento, pensar enquanto homem de acção”. É pena que a direita se tenha esquecido desta máxima.

Africanização: É o verdadeiro nome, juntamente com a islamização, da imigração na Europa. De facto, a imigração, na Europa, provém sobretudo da África negra e do Magrebe. A africanização é, à vez, o símbolo e o motor da decadência europeia porque a África é também uma zona de não-performance e de sub-qualificação. A africanização gera, por outro lado, o surgimento de um problema negro na Europa. (ver mais à frente o termo “Negro”)

Alarmismo climático/ Aquecimento global: grande medo mediatizado que anuncia catástrofes humanitárias causadas pelo aquecimento do planeta provocado pelo aumento dos gazes estufa de origem antropogénica; uma teoria que mistura factos reais (o uso de combustíveis fósseis) observações delicadas (sobre o aumento das temperaturas) e simulações matemáticas incertas. Uma tese no mínimo objecto de debate nos meios científicos. Em França a Academia de Ciências tornou públicos os diferentes pontos de vista num estudo de Novembro de 2009. (ver “Grande Medo)

Alinhado: condição dos países da União Europeia que se colocam sob o protectorado dos Estados Unidos da América abdicando da sua independência estratégica.

Alter-europeus: europeus de outro tipo. Designa os europeus críticos da União Europeia mas apostados em que o seu continente reencontre o “fio de ariana” da sua civilização, os alter-europeus são favoráveis a uma confederação europeia fundada sobre a identidade, a potência, o respeito pelas liberdades nacionais e as solidariedades comunitárias. (ver “Europa-Potência”)

Alter-mundialismo: ver Mundialismo.

Alternância/ Ilusão de Alternância: substituição de uma equipa governamental por outra; dá aos eleitores, nas democracias ocidentais, a ilusão de que eles escolhem as equipas e as políticas conduzidas. Na realidade, elas estão estritamente delimitadas pela ideologia dominante e pelo politicamente conforme. (ver “Político”)

Americanização: Estando os EUA à cabeça do Sistema ocidental, são a referência para a nova classe dirigente que apresenta, assim, uma anglofilia e uma americanofilia de princípios; a americanização da cultura não traduz somente o poderio americano mas é igualmente o seu instrumento, porque ela é um meio de submeter os povos à sua concepção do mundo e aos seus interesses. A resistência à americanização da cultura e dos costumes não é um combate marginal mas sim crucial.

Americanofilia/ anglofilia: Característica da nova classe dominante que se alinha com os valores e as ambições da potência dominante no Ocidente, por mimetismo e por interesse. No século XXI as classes dirigente são americanófilas como eram anglófilas no século XVIII.

Amigo: A discriminação entre amigo e inimigo é o acto fundador da política, segundo o politólogo Carl Schmitt: não podemos fazer política sem designar o inimigo principal. Os que pretendem fundar uma atitude política sobre o “nem isto nem aquilo” adoptam na realidade uma postura impolítica: condenam-se a ser o simples objecto daqueles que sabem fazer política, que são verdadeiros sujeitos políticos. Assim, a esquerda sempre soube designar a direita como sua inimiga, enquanto esta última acreditava ser útil agradar à esquerda.

Amor: “o mundo moderno está cheio de antigas virtudes cristãs enlouquecidas” Gilbert Keith Chesterton (ver “Coração”)

Anglo-americano: Ver Globalês

Anti-tradição: postura intelectual que consiste em tomar o contra-partido dos princípios sobre os quais assentam as sociedades tradicionais. A anti-tradição assenta numa subversão, isto é, uma inversão dessa ordem. A anti-tradição manifestou-se sob diferentes formas ao longo da História recente, em particular no espírito da esquerda, no bolchevismo e no altermundialismo; mas também na “financial art” e no capitalismo apátrida de tipo anglo-saxónico, enfim, no politicamente correcto. (ver “Financial Art”, “Mal”)

Anti-valor: Os pretensos “valores” aos quais se refere incessantemente a nova classe dirigente são na realidade anti-valores, porque são mortais para as sociedades que os adoptam. (ver “Valores”)

Apolíneos: segundo Yuri Slezkine, o “mundo apolíneo” é um mundo de camponeses e de guerreiros, fundado sobre a ética da honra e do enraizamento; no século XIX o “mundo apolíneo” foi marginalizado pela sociedade de mercado e pelo “mundo mercuriano”. Um dia Apolo regressará e será para sempre”: diz a profecia da última pítia de Delfos. (ver “Mercuriano”, “Sociedade de Mercado”)

Após-democracia/ pós-democracia: forma política contemporânea, em particular nas democracias ocidentais, onde o voto dos eleitores não serve para escolher os governantes mas para lhes dar uma legitimidade. É na verdade o sistema financeiro e mediático que pré-selecciona, em função de critérios comerciais e ideológicos, os homens e as mulheres que podem realmente concorrer ao exercício de mandatos políticos. Os outros são marginalizados e/ou diabolizados; o bipartidarismo americano ou anglo-saxónico é a sua forma mais acabada, os regimes europeus aproxima-se-lhe. À sua maneira a Rússia, mesmo a China, praticam também o após-democracia. (ver “Democracia”, “Diabolização”)

Arqueofuturismo: Expressão inventada por Guillaume Faye: por oposição ao culto do “progresso” que constitui um componente da ideologia de “esquerda”, o arqueofuturismo considera que o futuro deve enraizar-se na redescoberta dos princípios e na sabedoria tradicional que a ideologia do iluminismo destruiu. “O futuro pertence àqueles que têm a mais longa memória”, relembra Nietzsche, e não àqueles que fazem tábua rasa do seu passado e da sua identidade. (ver “Progresso”, “Revolução”)

Arquétipo: Segundo a teoria de Carl Gustav Jung, o inconsciente colectivo dos povos e das pessoas compõe-se de diferentes arquétipos, isto é, de imagens simbólicas que estruturam e exprimem a sua identidade e a sua personalidade de forma duradoura. Essas imagens podem ser positivas ou negativas (como, por exemplo, na Europa, o arquétipo do herói ou a imagem do diabo) e exprimirem-se de formas diferentes, nomeadamente nos sonhos. (ver “Mito”)

Arquitectura: É a “eloquência do poder”, dizia Nietzsche. Se os edifícios públicos se assemelham nos nossos dias cada vez mais a sedes sociais de Empresas isso significa que a soberania é exercida no Ocidente pela função mercantil. E se os edifícios comerciais ultrapassam em altura as igrejas, isso traduz também fisicamente e visualmente o eclipse do sagrado no Ocidente.

Aristocracia: Etimologicamente significa o governo pelos melhores. É significativo que este termo tenha ganho progressivamente um sentido pejorativo com a modernidade que instalou o reino da burguesia, isto é, o governo dos calculadores. O aristocrata é também aquele que tem, antes de mais, deveres, e que, em particular, pode sacrificar a sua vida; por oposição ao burguês, que é aquele que calcula e que quer preservar o seu interesse.

Armas de Manipulação Massiva (AMM): Para Marc Luhan, “os media são a mensagem”; hoje em dia são também, frequentemente, a mentira: através da falsificação, da amálgama, a deformação ou a fabricação de factos, os grandes grupos de comunicação dispõem de armas de manipulação massiva particularmente úteis nos conflitos internacionais (Iraque, Sérvia, Kosovo, Irão) ou em eleições difíceis para as forças dominantes. (ver “TKKADM”, “Tirania Mediática”)

Arte desenraizada mercantil/ arte oficial mundial: É a arte imposta aos ocidentais, com a cumplicidade do sistema institucional; é uma arte oficial e um academismo, sendo fonte de frutuosos lucros para a Superclasse Mundial (SCM) que a comercializa através da sua rede de “galerias”. (ver “Arte escondida”, “Financial art”)

Arte escondida: é a arte enraizada que consegue sobreviver apesar da dominação da arte desenraizada mercantil oficial. É escondida porque raramente consegue romper a barreira do conformismo oficial. É escondida na medida em que os que fazem a lei no mundo artístico negam-lhe o direito de existir ou ocultam-na baptizando-a de “arte de arrière-gard” ou “arte pastiche”. Encontramos aí a “grande arte” como artistas amadores.

Artisticamente correcto: Os julgamentos estéticos e artísticos estão também submetidos à tirania do politicamente correcto: todas as pessoas que não partilham o gosto da arte “moderna” oficial são catalogadas na categoria de obscurantistas e reaccionários. O terrorismo artístico reina assim sobre os poderes públicos que são chamados, em nome da cultura, a favorecer e financiar unicamente a arte desenraizada mercantil. O artisticamente correcto conseguiu assim impor no Ocidente os seus ritos e códigos: nomeadamente, desconstrução do corpo humano, promoção narcisista do artista, recusa da figuração, preferência pela abstracção geométrica e pela mecânica, representação de desvios comportamentais.

Assimilação: A imigração não é aceitável senão sob a condição de ser regulada, isto é, que os estrangeiros permaneçam em número reduzido, que eles se assimilem à sociedade de acolhimento, à sua cultura, aos seus valores e que respeitem as suas leis; isso constituiu o modelo tradicional da imigração. Mas hoje em dia a ideologia dominante, que quer destruir as nações, preconiza um modelo inverso, que é o da “integração”, isto é, são as sociedades de acolhimento que são, pelo contrário, chamadas a adaptar-se à cultura dos imigrantes. Esta “integração” resulta, na realidade, na fragmentação tribal das sociedades, no comunitarismo abertamente reivindicado e na ditadura das minorias. Essa é de resto a sua finalidade real. (ver “Africanização”, “Islamização”)

Atlantista/Atlantismo: partidário e doutrina da submissão estratégica da Europa aos Estados Unidos, submissão apresentada de forma enganadora como uma aliança. Devemos opor-lhe o ponto de vista dos independentistas e dos continentais, partidários de uma Europa independente e livre, do Atlântico aos Urais. (ver “Eurásia”)

Aturdimento/ técnica de aturdimento: técnica de desinformação que consiste em utilizar os aparelhos de dominação mediática para saturar a opinião pública com imagens mais ou menos fabricadas e com factos sem verdadeira importância; trata-se de fazer perder todas as referências dos cidadãos utilizando, nomeadamente, o poder emocional das imagens. (ver “Desinformação”, “Sociedade do Espectáculo”)

Autocentrado/ Espaço económico autocentrado: Os oligarcas europeus militam por um livre-comércio extremista que consiste em transformar a Europa num mercado totalmente aberto ao comércio dos homens, dos capitais e das mercadorias; ao fazê-lo a União Europeia toma o contra-pé do que se pratica, implícita ou explicitamente, no seu exterior (EUA, Japão, China, numerosos países emergentes), isto é, um mercado interno mais protegido e/ou uma economia virada para a exportação, Esta orientação em direcção a um livre-comércio total não traz mais à Europa do que desemprego e desindustrialização. Atraiçoa também a ambição inicial do mercado comum, que fora concebido como uma protecção comum. No século XXI, num mundo aberto à concorrência de novas potências económicas, a Europa deve constituir-se num novo espaço económico autocentrado para obter uma “auto-suficiência radiosa”, segundo a expressão de Alexandre Soljenitsyne. (ver “Proteccionismo”, “Proteccionismo pensado e razoável”)

Autóctone: No sentido próprio:” saídos deles mesmos”, isto é, de um mesmo sangue e de uma mesma terra. A ideologia dominante, que é de natureza cosmopolita, tende a dar uma conotação pejorativa a este termo. Ela prefere na Europa, claro, o “nómada”, “o homem das solas de vento”, ou o imigrado ao autóctone enraizado. (ver “Enraizamento”)