Homens sem honra nem face

by RNPD

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Foi particularmente revelador que houvesse quem quisesse desviar a atenção das condutas perversas de altas figuras socialistas reveladas pelo jornal Sol no âmbito da investigação “Face Oculta”, para a centrar numa discussão de tipo jurídico sobre a legalidade ou ilegalidade da matéria divulgada ou da publicação por parte do jornal das escutas telefónicas.

A lei e a justiça são duas coisas diferentes. Os Estados mais indecentes também tiveram e têm leis, e ainda que iníquas não deixaram nem deixam de definir os limites do que foi e é legal ou ilegal, do que foi e é crime ou não. A lei não é nada mais que um conjunto de normas aprovadas pelos representantes de um dado poder político, num determinado espaço de tempo – por vezes em defesa dos seus interesses particulares – e não tem qualquer espécie de carácter sobre-humano e, por isso, inatacável.

Saber se a publicação das escutas ou as actuações denunciadas no caso “Face Oculta” são matéria do foro criminal é uma reflexão que não invalida a extrema gravidade ética das condutas descritas. Os homens de carácter, perante semelhante situação, mais do que saberem o que seria da lei, quereriam saber da ética e da honra.

Bernard Joseph Saurin escreveu assim:” A Lei permite frequentemente o que a Honra proíbe.”

Esse é o cerne do problema. Os homens de honra percebem o sentido daquela frase e vivem por ele; os outros nem por isso. Os homens sem honra não servem para nada mas servem-se de tudo e todos!