Pela Direita dos Valores e a Esquerda do Trabalho!

by RNPD

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Excerto de um discurso de Alain Soral, em defesa da junção da Direita dos Valores com a Esquerda do Trabalho:

«(…) Mas esta confusão entre a esquerda e a direita vem também da confusão da sua definição. Confusão que nos leva a lembrar que há duas maneiras de definir a esquerda e a direita.

Há desde logo, historicamente, a definição de direita que nos vem do Antigo Regime. Definição que vê na direita os valores positivos da honra, da moral, do respeito dos antigos e da hierarquia…a esquerda seria então a destruição desses valores através do liberalismo crescente que resultará na Revolução Francesa…O liberalismo, os seus valores de cálculo amoral e a sua destruição da ordem antiga deverão portanto ser considerados como o mal e a esquerda…que é o que certos homens que se consideram de direita tradicional têm tendência a esquecer.

Há depois a definição de esquerda que nos vem do marxismo e da Revolução de Outubro, para a qual aquilo que define a esquerda e a direita é a relação Capital/Trabalho…É de esquerda o que favorece o Trabalho. É de direita o que favorece o Capital. Segundo esta definição, bem compreendida, um patrão de uma PME é hoje portanto de esquerda, pois está do lado do trabalho produtivo. Um accionista de grandes empresas é, pelo contrário, de direita, já que está do lado da renda, da exploração e do parasitismo, tal como o filho de família ocioso ou aquele que vive de subsídios. (…)

Desta primeira clarificação das esquerdas e das direitas podemos desde já concluir que um partido populista que defenda ao mesmo tempo os valores morais e o mundo do Trabalho é de direita pela primeira definição e de esquerda pela segunda…o que não quer dizer que não exista esquerda ou direita ou, ainda menos, que tudo seja a mesma coisa, mas antes que existe uma direita moral que é, se reflectirmos bem, a condição da esquerda económica. Ao contrário, existe uma esquerda amoral que se revelou ser a condição ideológica da direita económica na sua versão mais recente. Lembremo-nos do Maio de 68, da sociedade de consumo e do famoso liberalismo libertário…

Um liberalismo libertário que não é nada mais que a esquerda dos valores ao serviço da direita económica, afim de destruir ao mesmo tempo a esquerda económica e a direita dos valores (…)

O que há em comum entre a direita nacionalista dos valores e a direita liberal do lucro? Direi nada, são dois grupos sociais, na realidade, inconciliáveis:

– Um fundado sobre uma ordem moral e a hierarquia natural do mundo antigo…

– O outro sobre o amoralismo integral e moderno da lei do lucro, com a porta aberta a todos os arrivismos, a todas as decadências e todas as mobilidades sociais…

Essa união é a de dois grupos com pretensões dominadoras onde o primeiro, que não dispõe dos meios, se coloca ao serviço do segundo, que, por sua vez, não partilha nenhum dos seus valores…

Os liberais a servirem-se dos conservadores, que historicamente venceram e correram do poder, como de idiotas úteis, para guardarem o poder contra o povo. (…)»