O orgulho é virtude capital e nós não damos a outra face

by RNPD

«Caminhava pelo bosque, o bosque tão remoto e vasto,
A solidão sussurrava-me palavras pesadas.
Murmurava de tempos idos, quando por aqui ainda erravam os bisontes.
Sobre o pântano a águia voava alto nos ceús;
Lá o feroz lobo deixava runas de morte,
Lá o possante alce caía ainda pelas mãos do caçador.
Lá a doutrina estrangeira não tinha ainda transformado o bem no mal,
E os nobres Wotan e Freia eram ainda solenemente venerados;
Lá contava ainda a coragem do homem e não apenas o seu dinheiro,
Lá o herói defendia o seu direito com a espada reluzente;
Nem com vil palavra, nem com juramentos baratos;
Isto ensinava-me secretamente a fatal solidão.
Os nossos deuses eram ainda chamados amor e potência,
Potência gerava a vida, amor trazia o prazer.
A nossa lei era breve, a nossa lei era esta:
Amor ao amor, mas também ódio para o ódio.
A mão leal a todo o homem que se mostrava amigo,
A mão sangrenta para o canalha que se aproximava como inimigo.
(…)»

Hermann Löns, Das Osterfeuer