A subversão progressiva

by RNPD

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A nossa aventura começa em Março de 2004 quando um dos poucos jornais conservadores da Suécia,o Nya Dagen, referiu que um ramo local da juventude do partido social democrata no poder tinha abraçado a ideia de substituir o casamento tradicional por um sistema de casamento sem definição de género e número de parceiros. Por volta da mesma altura, a juventude do partido Verde [NdT: a extrema-esquerda local] apelou a um reconhecimento formal das relações polígamas. Em editoriais contra estes movimentos o Nya Dagen assinalou que os lideres destas juventudes partidárias estariam um dia sentados no parlmento. O Nya Dagen lembrou aos seus leitores que havia sido prometido ao povo que não haveria mais mudanças na família depois da legislação inicial de 1987 e o mesmo depois da alteração legislativa de 1994.”Não acreditem”, escreveu-se no Nya Dagen. A não ser que o país mude de rumo, a Suécia descerá certamente mais baixo. Esse editorial levou a uma carta zangada de Einar Westergaard, uma porta-voz da ala jovem do partido Verde:

«Estamos a tentar alcançar uma revolução sexual e contrariar a hierarquia que dá à homossexualidade privilégios e reprime outras formas de interacção social…o padrão das duas pessoas é também parte da norma heterossexual da sociedade…enquanto a nossa aspiração é tornar as leis tão livres de normas quanto possível…o Casamento não é a chave para a libertação homossexual, bissexual ou transexual. O que é essencial é a luta por uma legislação livre de normas e sexualmente neutra, uma sociedade sem normas heterossexuais».

National Review

Comentário:

Esta descrição é interessante para entender que por detrás de certas campanhas político-partidárias que parecem de pequeno âmbito se escondem movimentos ideológicos mais abrangentes que procuram uma inversão total dos valores de uma sociedade. Essa inversão é normalmente feita de forma progressiva, rompendo, pouco a pouco, os valores pré-existentes, com legislações sucessivas que se vão gradualmente radicalizando até ao objectivo final. No caso das lutas pelas “igualdades e liberdades sexuais”, esconde-se frequentemente uma guerra mais lata contra qualquer concepção de normalidade (a sociedade livre de normas) em favor de um relativismo completo em que todos os comportamentos são igualmente válidos e a sua validez provém exclusivamente de serem “exercícios de liberdade individual”. Em Portugal, depois do casamento gay seguem-se as adopções por homossexuais, e depois, quem sabe, ao que parece a imaginação é o limite…