Viva a beleza, abaixo a igualdade!

by RNPD

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«O homem de extrema-direita será, portanto, um revoltado, com os mesmos sentimentos de um homem de extrema-esquerda mas não pelas mesmas razões. A sua análise repousa sobre o espectáculo do mundo julgado inumano, com uma beleza sobre-humana…ele privilegiará o culto da beleza sobre o da igualdade, com tanta maior facilidade quanto a beleza é uma noção profundamente inigualitária e injusta, e portanto sobre-humana.

Para contrabalançar a crueldade do mundo, é à beleza que apela. Ela é o objectivo supremo do facho [sic]. Ele terá o culto de tudo o que é belo. A extrema-direita terá a maior veneração pela Virgem Maria que é bela, ou pelas fadas do Graal que são belas, pelas Valquírias que são igualmente belas e loiras e pelos cavaleiros que são belos. (…)

Falamos frequentemente, no mundo de esquerda, de beleza burguesa. A esquerda ou a extrema-esquerda não falará nunca, em troca, de beleza revolucionária. As pinturas de Picasso representam mulheres feias, porque Picasso era um homem de esquerda e que não era muito engraçado. Os mesmos métodos de desenho de Picasso, quando utilizados pelos egípcios da Antiguidade resultam em personagens de mulheres de grande beleza. Porque os faraós eram mais de direita do que de esquerda.

A religião, na extrema-direita, não será portanto vista pelo lado igualitário mas pelo lado estético…»

Análise de um autor de esquerda em La Revue de l’Histoire, Maio-Junho-Julho 2004