Month: Maio, 2010

O alegre traidor…

Um Major-General desiludido com esta república de 100 anos e com uma governação que define de”quadrilhocracia”.

«…Manuel Alegre, durante a guerra do Ultramar e depois da sua fuga, era locutor da rádio Argel, onde se congratulava pela morte de soldados portugueses…
A voz da Argélia, emissores criados por desertores que, através de infiltrados nas forças armadas, denunciavam as nossas operações.
Muitas das emboscadas que sofremos resultaram da traição desses “grandes filhos da puta“. Uma das vozes que se ouvia era a desse pulha, “Pateta Alegre”. Lembro-me que 48 horas após se ter instalado um posto de observação, um grupo de combate, um canhão, um radar no cimo do morro de Noqui, donde nós observávamos toda a movimentação de aproximadamente, 2.000 “turras” concentrados numa sanzala no outro lado da fronteira, ouviu-se a voz do Alegre (*) a denunciar a nossa posição. Andámos a levar porrada na estrada entre S.Salvador e Nóqui durante mais de 4 meses. Numa das viagens sofremos 9 ataques. Tudo por causa desse desertor e traidor.»

(*) Nessa região ouvia-se através dos famosos rádios portáteis Hitachi, com uma boa onda média.

Paulo Chamorra

Manuel Alegre – um desertor

«Muito obrigado pelo seu concordante comentário sobre a potencial candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República.

Teria preferido, a bem da nossa Nação, que o seu comentário fosse no sentido de me provar que estou errado, o que, lamentavelmente eu não vou ouvir de ninguém.

Sabe, o que mais me incomoda é que, com 2 filhos e 6 netos, olho para o meu “prazo de validade” a chegar ao fim e sei que vou morrer com a angústia de lhes deixar um País, uma Nação, governados por aquilo que já o nosso saudoso Rei D. Pedro V – infelizmente morto na flor da idade – descrevia, na sua correspondência para o seu tio Alberto, marido da Rainha Vitória de Inglaterra, como uma “canalhocracia”.

E inquieta-me profundamente que, desse último quartel do século XIX até aos nossos dias, não só nada tenha mudado para melhor, como a imunda República que nos governa, cujo primeiro centenário que este ano os socialistas irão celebrar, e que custará aos contribuintes dez milhões de euros, tenha, pela sua prática política legitimado que possamos dizer, hoje, que não é mais uma canalhocracia que nos governa, mas sim (e salvo raras e honrosas excepções) uma “quadrilhocracia”.

Na minha qualidade de cidadão em uniforme que dedicou à nossa Pátria os melhores anos de toda a sua vida, a troco de um prato de lentilhas, já vi quase de tudo e, como anteriormente afirmei, só me falta ver Manuel Alegre – um DESERTOR – eleito Presidente da República e, nessa qualidade e por inerência do cargo, como Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas.

Espero que os portugueses acordem antes que tal possa acontecer.
Cordialmente,

Fernando Paula Vicente, Maj-General da FAP (Ref.) »

Recebido por e-mail

Obama Zombies – How the Liberal Machine Brainwashed My Generation

Ou a dissecação de todo um programa político moderno, inovador e de sucesso:

“Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”,”Hope – Change – Yes, We Can”…

Da coragem…

«Tendes coragem, ó meus irmãos? Sois intrépidos? Não a coragem que se tem diante de testemunhas, mas a coragem do solitário e da águia, de quem nenhum deus já é o espectador. As almas frias, as mulas, os cegos, os homens embriagados, não têm o que eu chamo coração. Tem coração aquele que conhece o medo mas o domina, aquele que vê o abismo, mas altivamente. Aquele que vê o abismo, mas com olhos de águia – aquele que agarra o abismo com garras de águia: esse é corajoso.»

Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra, Do homem superior, IV

As mensagens políticas de Avatar

Só há pouco tempo vi o filme Avatar. Antes disso tinha lido algumas críticas políticas à obra que se dividiam entre uma corrente que considerava o filme mais um capítulo na propaganda da culpa ocidental e outra que o via como um manifesto identitário.

Avatar é ambos. Do ponto de vista da sua mensagem, nada há de novo ou surpreendente. Essencialmente, Avatar é um manifesto de exaltação da identidade de um povo autóctone ameaçado de genocídio pela voragem gananciosa e destruidora de um invasor. O invasor é, na linguagem e aparência, o homem branco, enquanto os nativos (designados Navi) são inspirados numa mistura das tribos africanas e índias, facto bastante evidente nas feições, sotaque, vestes e até religiosidade desse povo. Trata-se portanto de transportar para o ecrã o mito do genocídio colonial dos povos primitivos por parte do “demónio branco”. Não falta sequer o lugar comum do branco que se apaixona por uma das nativas e ganha, progressivamente, consciência da maldade dos “seus” e da pureza generosa dos “outros”, juntando-se à luta de libertação dos autóctones.

A culpabilização do homem europeu salta das salas de aula, para os debates políticos, para a historiografia oficial e para o entretenimento, assumindo todas as formas e ocupando todos os espaços do nosso pensamento (mesmo quando o “pensamento sério” pretende dar lugar à “distracção”) gerando um leviatã de propaganda permanente ao qual só uma ínfima minoria mais preparada e inteligente consegue escapar.

Sim, avatar é um manifesto identitário, mas dos “outros”, é um filme que celebra a defesa da identidade dos povos nativos vítimas do colonialismo branco ao mesmo tempo que desenvolve, pela enésima vez, a narrativa da perfídia ocidental e a sua culpabilização. Só o homem branco não tem direito a representações de defesa da sua identidade…

Igualmente saliente no filme é a sua mensagem ecológica radical e pagã. Mais do que viverem em harmonia com a natureza os Navi deificam-na; e ainda que não haja nada de errado com a consciência ecológica ou o paganismo, no filme ambas as coisas são apresentadas de forma algo caricatural e com o propósito de estabelecer mais um contraste com uma certa civilização moderna ocidental marcada no imaginário popular pelo cristianismo e desrespeitadora da natureza.

Nada de novo em Hollycrapwood, portanto.

Camisa Velha

Mãe! Vesti uma camisa nova
da velha camisa que vestiu meu Pai
Dizem que a luta é ali na rua…
– Vou ou não vou?!
– Filho, vai!

Dizem para eu ter cautela,
que o inimigo é feroz e desumano
e que foi ele que matou meu Pai…
– Vou ou não vou?!
– Filho, vai!

Ameaçam de punhos fechados
ou empunham foices e martelos
e ai daquele que nas mãos lhes cai…
– Vou ou não vou?!
– Filho, vai!

Vai! com a camisa velha que antes de ti a vestiu teu Pai
e, com, ela vestida, se foi a combater.
Vai! Que as últimas palavras,
camisa vestida, foram para ti:
– Diz ao nosso filho que saiba morrer!

Partiu. Partiu e nunca mais voltou
para estar presente na alvorada que nascia:
morreu por aquilo que lutou,
para que nascesse um novo dia!

O novo dia em que tu vestiste
a camisa nova
da velha camisa que foi de teu Pai…
– Não tenhas medo.
A teu lado vai
a presença do exemplo que te deu teu Pai:
– Meu filho! Veste essa camisa
e vai!

Amândio César

Boletim Evoliano

Já está em linha o nº 9 do Boletim Evoliano, revista de estudos evolianos e tradicionalistas.

Quem canta em mim somos nós

MANIFESTO

O papel dizia assim:
«Estamos cansados de gritar
_É a hora! É a hora!
e deixarmo-nos ficar.
Hoje, vimos dizer que esta demora,
enfim,
vai acabar.
Venham traições, raivas, ódios,
ajudar a compor este poema.
Só o sangue, o sofrimento, energias e coragem
podem moldar esta mensagem.
Em breve há-de soar por toda a terra
o rumor dos nossos tambores de guerra.
Mas uma guerra sã, viril, triunfal…»
E etc. e tal.

Ao lerem o manifesto,
senhores
doutores
lançarão
o seu grito de protesto:
_«É uma desconsideração!
Só nós somos indicados
para politicar, orientar, sanear, lavar, esfregar, ensinar…
Somos todos predicados,
e até por esse motivo
já fomos condecorados
E temos no nosso activo
mil banquetes de homenagem!
São
então
estes rapazes
que vêm falar de coragem?
Como se fossem capazes
De outra mais alta miragem!»

E os poetas inspirados
(burgueses d’alma),
em versos metrificados,
em louvor
de uma senhora ou senhor,
hão-de perder a calma
e corar de horror.

Outros que tais,
gente de fino parecer,
com seu vício recatado,
seu lugar no céu comprado
com missas podres de chique
(ouvidas entre a ceia do casino
e o piquenique)
e bailes de caridade
pra socorrer a orfandade:
que coisas nos dirão?

E tu, fidalgo sem pão,
com fífias senis na voz,
com teu anel de brasão
e avós
pendurados nas paredes do solar hipotecado,
aonde já estás pendurado,
à espera da morte breve,
frente a uma espada
oxidada
que, também, pra nada serve:
que dirás?

E vós, donzelas, donzéis,
das matinés elegantes,
dos chás
dançantes
(sem papás
e sem mamãs,
para estarem à vontade),
maila vossa ingenuidade
aprendida com galãs
de cinema muito em moda,
vós,
que tresandais a calão
da alta-roda
e sois só futilidade
(e sois também mocidade!)
vós,
donzelas, donzéis:
que direis?

E tu, daí, do café,
rabiscador de panfletos,
à espera da posta vaga
que qualquer vento te traga,
a sonhar
lirismo de Liberdade,
Igualdade,
Fraternidade,
com a sua bomba à mistura
e uns anitos de prisão
(frustrada virilidade!)
hás-de gozar,
julgarás
que tenho pacto contigo,
pois que tiraste a patente
de todas as revoluções, explosões, prisões…

NÃO!NÃO e NÃO…!
Não tendes nada comigo!
Aqui vos acuso a todos,
a TODOS,
de me haverem gerado,
iludido,
manejado,
traído!

Basta pois: agora
é a Hora!
O papel tinha razão.
Estou bem longe de vós,
Da vossa inutilidade:
cem rios, cem caminhos, cem abismos nos separam.
Eu sou doutra Mocidade,
sou doutra Maioridade.

Ah, mas valerá a pena
vir-vos dizer o que sou?
Valerá , de facto, a pena?
Mas eu tinha de cantar
o meu canto de vitória,
canto de libertação,
que me enchia o coração,
que afirma toda a beleza
da minha certa certeza,
que ultrapassa o som da minha voz.
Que eu não canto só por mim:
quem canta em mim
SOMOS NÓS!

António Manuel Couto Viana

Giovanni Falcone, in memoriam.

A 23 de Maio de 1992, numa estrada a caminho de Palermo, a máfia siciliana fazia, por fim, cumprir o destino daquele homem incorruptível que sabia, tinha de saber, estar condenado. Com ele morreram a mulher e os três polícias que o protegiam. Giovanni Falcone provou que nem todos os homens têm preço. A memória permanece, o exemplo é eterno!

A história é um livro em aberto…

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«Com o seu conceito de Eterno Retorno Nietzsche rompeu com a sagrada tradição de uma história clara e verdadeira da humanidade conforme escrita na Bíblia e negou enfaticamente que a história humana fosse uma história de progresso, rompendo assim um tabu talvez ainda mais sagrado na época de Nietzsche do que a própria crença em Deus. Mário Guardi (Il Caos e la Stella Il Falco Milan 1983) argumentou que não foi tanto a teologia do cristianismo, cuja liturgia reflecte em muitos casos uma crença na recorrência – Jesus sacrifica-se uma e outra vez pelos nossos pecados e a sua morte e ressurreição é repetidamente celebrada – mas antes o optimismo secular sobre o fim da história que foi, esse sim, o alvo principal do ataque de Nietzsche. Este optimismo é parte daquilo que Guardi chama “ a ideologia iluminista-evolucionista do progresso”, e esta ideologia, diz ele, é Hegeliana. A refutação que Nietzsche faz de Hegel é uma refutação filosófica dos princípios do progresso e da crença na melhoria humana. Muitos analistas vêem Nietzche como um pessimista heróico que desafiou o optimismo do liberalismo e do socialismo.

Significativamente Guardi não escreve sobre o mito do progresso mas sobre a ideologia do progresso. O progresso enquanto ideologia não significa apenas uma crença de que o progresso em curso é “inevitável” mas a crença adicional de que tem de, deve e vai surgir, numa palavra, de que é desejável. Guardi projecta um pessimismo nietzschiano no qual o progresso é uma ideologia que contém um programa que certos grupos procuram executar. O que aparece sob a bandeira do progresso (a emancipação feminina, a construção de estradas, as Nações Unidas, a educação universal, cuidados médicos para todos, uma única linguagem para o mundo) é na realidade o triunfo de determinados interesses, noutras palavras, manifestações da Vontade de Poder. Se Proudhon disse que a “ a propriedade é roubo” podemos parafrasear o adágio de Nietzsche como “a Vida é roubo”. O próprio acto de vida é a conquista do combustível da vida, e não há vencedores sem perdedores.

Este é o significado da glorificação que Nietzsche faz da guerra e do adágio de Zaratustra de que uma boa guerra justifica qualquer causa. Na medida em que lutamos, vivemos, porque lutar é a afirmação da vontade. Os que não lutam são escravos. Os que não gostam de lutar não gostam da vida. O desporto é luta, tentar entender um livro é luta, até o acto criativo do artista ou do cozinheiro é luta.

A aceitação da noção de que o progresso é inevitável é, de acordo com Nietzsche, cair na armadilha (outrora usada por marxistas, agora pelos proponentes do livre-mercado exactamente da mesma maneira) da moralidade de escravo para enfraquecer potenciais opositores fazendo-os crer que estão a tentar resistir ao que é “inevitável”, ou para dizê-lo como Nietzsche, seduzi-los com moralidade, desarmando-os assim da sua vontade e tornando-os escravos. Descrever algo como “inevitável” implica que a história/vida tem uma narrativa completa, um conto racional, com o qual estamos obrigados a conformar-nos. Essa história não existe, diz Nietzsche. A suprema consolação é que através das nossas acções influenciamos o universo.»

Dominic Campbell, “Courage Style Aristocracy”

That was not sparta!

A perspectiva cinematográfica de Hollywood

Com extensa campanha publicitária (para isso capital não falta) o filme norte-americano “300” pretende retratar a luta heróica dos gregos nas Termópilas mas, fiel à tradição, não consegue mais que uma farsa, não só porque confundem o local do combate com um matadouro municipal, como pela sinopse que diz :
“(…) a sua coragem e o seu sacrifício encorajaram o povo grego a unir-se contra os exércitos persas e a fundar a democracia.”
Ora bem, a batalha do desfiladeiro das “Termópilas” tornou-se célebre pela heróica defesa proporcionada pelos espartanos e pelo seu rei Leónidas, massacrados pelos persas que não permitiram sobreviventes, mas (pergunta pertinente) … que tinham a ver os espartanos com a “democracia”?
Na verdade… absolutamente nada, ou seja, eram adversários resolutos da democracia, regime politico existente em Atenas (desde as reformas de Clistenes em 508 EP) e que aí vigorou até à sua abolição em 322 EP…
Como se pode afirmar que o comportamento heróico dos espartanos, em 480 EP, “encorajou o povo grego … a fundar a democracia”, se esta já existia em Atenas há cerca de 28 anos, para desaparecer no século seguinte?
A manipulação demagógica da História é já um dado adquirido pela cinematografia “made in USA” e é sabido que a demagogia é uma das principais características do regime democrático. Aliás, foi uma das principais causas da sua dissolução em Atenas, onde durou 186 anos! Quanto durará entre nós?
A batalha do desfiladeiro das Termópilas, um emblema da resistência do povo grego, traduz antes de mais o espírito de sacrifício dos espartanos, um exemplo para os democratas de Atenas. No ponto mais alto do desfiladeiro, no cume de Kolonós, onde se desenrolou o derradeiro episódio da resistência espartana, foi erigido um mausoléu onde se pode ler uma inscrição do poeta Simonide de Céos (556-467 EP):
“Vai, viajante, dizer a Esparta que aqui jazemos, fiéis às suas leis”!
Fiéis às leis de Esparta… não às de Atenas!
Afirmar que os espartanos morreram em defesa da democracia é um despropósito, um desatino e um disparate!
Aliás, o facto de se produzir um filme “histórico” (não, este não é do Spielberg) em que os iranianos (persas) atacam a Europa… nas actuais circunstâncias terá sido mera coincidência?
Felizmente, a mediocridade da realização, a indigência dos diálogos e o ridículo dos acessórios, retira credibilidade a semelhante manipulação da História!
O público, que corre entusiasmado a ver semelhante vacuidade, produz dois tipos de reacção: uns sentem-se burlados e recordam a mãezinha dos produtores da “coisa”, outros, mais intelectualizados, “até gostam” e interrogam-se sobre se a Grécia já existiria antes de que os “yankees” inventassem o “chewing gum”?

António Lugano