Há um “Brasil” que não é de cultura africana

by RNPD

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«Nos últimos 50 anos, tornámo-nos muito mais brasileiros, graças à televisão e às ditaduras nacionalistas, que tentaram impor uma “identidade brasileira” a todos, mas ainda somos gaúchos. E gaúcho não é brasileiro, é gaúcho. Por isso nenhum estrangeiro consegue entender a absurda e contraditória frase dita por muitos gaúchos: primeiro gaúcho, depois brasileiro.

Quando vejo algo brasileiro aqui na Europa, observo-o com distância. Conheço, mas não é meu.(…) Quando vejo apresentações de Carnaval ou capoeira, é algo que conheço e até faz parte da minha realidade, mas não sou eu. No entanto, quando encontro alguém tomando chimarrão no meio da rua em Berlim, posso apontar e dizer: sou eu!
Pois esse “eu” chamado gaúcho ainda é o mesmo do mate, das pilchas, do vocabulário e do temperamento. É um povo à parte, com uma história à parte, que ainda vive nos três lados da Pampa (Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai) e que, mesmo separado e falando línguas diferentes, não aprendeu seus costumes na televisão. Ele é.»

Felipe Simões Pires, Professor de Filologia Alemã da Universidade de Berlim