A identidade Europeia

by RNPD

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A identidade europeia não nasce na Grécia. A identidade europeia não deve ser entendida como o resultado final de vários e heterogéneos elementos que lhe vão dando forma ao longo do processo histórico. A identidade europeia não é a soma do passado greco-latino por um lado, céltico-germânico por outro e o cristão, que na Europa medieval poderíamos chamar euro-catolicismo… A identidade europeia é anterior e preexistente a todas estas realidades, sendo à sua vez a que dá forma ao mundo greco-latino, ao passado céltico-germânico-eslavo, – meras adaptações históricas num espaço geográfico concreto e sobre condições determinadas do espírito de Europa -, e a que converte o judeo-cristianismo numa elevada forma religiosa como foi a Cristandade medieval, mistura de elementos cristãos e pagãos que durante muitos séculos foi a referência espiritual dos europeus, e que agora pode deixar de sê-lo uma vez que as instituições das diferentes confissões cristãs estão claramente decididas a eliminar os elementos propriamente europeus e a converter o cristianismo numa religião igualitária e universalista fiel somente à mentalidade dos povos do deserto nos quais teve a sua primeira origem.

A identidade europeia não se “forma”. A identidade europeia “nasce” na alvorada da pré-história, quase ao mesmo tempo do que o homem, tal como hoje o conhecemos, aparece na superfície do nosso planeta. Nós europeus somos já reconhecíveis como algo diferenciado desde há vários milénios. As culturas nordicas-europeias de Ertebolle e Ellerbeck assinalam o nascimento do que os historiadores chamam mundo indo-europeu, que se reconhece por uma linguagem comum, um tipo humano comum, a existência de um lugar primogénito concreto e sobretudo e desde um primeiro momento, um determinado sistema de valores e uma específica visão do mundo: língua, povo e Cosmovisão que se expandem por toda Europa moldando e dando origem a tudo o que hoje englobamos no conceito de Europa. “Para além da importância da emigração indo-europeia, reforça-se pelo facto de constituir a nova raça um povo com grandes dotes físicos e espirituais, bem espelhados nos impérios e culturas que alcançaram na Antiguidade e que lograram o seu ponto álgido nas civilizações grega, romana e medo-persa”.

A Cosmovisão dos nossos antepassados indo-europeus compreendia todos os aspectos da realidade: desde o social até ao metafísico, desde a política até à filosofia, determinando toda a actuação do “homem europeu” ao longo da aventura da Historia. Também o nosso actual sistema de pensamento, em grande parte regido pelo que C.G.Jung definiu como arquétipos colectivos.

Para os indo-europeus, antigos e actuais, a célula básica da sociedade é a família patrilinear , tanto no sentido descendente como ascendente; estando antigamente por cima dela uma gentilidade mais ampla que indicava um antepassado comum (as gens latinas ou os clans célticos). O seu sistema de governo é o de uma assembleia de guerreiros com poder de decisão, muito longe de sistemas tirânicos e despóticos de raiz oriental, exemplos claros temo-los no senado romano ou nas cortes medievais. No terreno religioso está-se nas antípodas de qualquer concepção universalista e igualitária, e consideram-se as diferenças entre os homens algo mais que um acidente conjuntural, um reflexo da ordem do Cosmos, dividindo a sociedade em três categorias a que cada individuo pertence segundo a sua natureza interna; repetindo-se este esquema religioso e social em toda a época pagã e também na Idade Meia católica, que mantêm ainda a mesma divisão social entre: oratores, pugnatores y laboratores.

A mulher, ainda que dentro de uma sociedade patriarcal, era levada na mais alta consideração. Em oposição ao conceito da condição feminina que tinham e têm as civilizações do deserto, nas quais é assimilada à concepção de objecto sexual e pecado, obrigada a prostituir-se pelo menos uma vez na sua vida, ou em que se lhe oculta o rosto com um véu, desde a Antiguidade indo-europeia que a mulher é considerada e honrada e ao pai correspondem as funções cívicas e militares, à mulher corresponde a administração do lar. Consequência disto é a diferença da realidade em que ainda vivem hoje as mulheres europeias e as do resto do mundo.

No terreno pessoal o reconhecimento do valor e do espírito heróico ficavam acima de qualquer outra consideração, assim como a fidelidade aos que estavam acima deles e aos que livremente a haviam prometido, o que no mundo latino e medieval dá lugar ao conceito de FIDES. Em geral um gosto pelo sóbrio, o directo e o cumprimento do dever como forma de auto-realização caracterizou todo o mundo indo-europeu. “Nada em excesso”, “Conhece-te a ti próprio”, “Converte-te no que és”, eram as frases que apareciam na entrada de alguns templos gregos, e que, no seu significado completo, encerram em si uma elevadíssima concepção do mundo. A nossa concepção do mundo.

Esta origem comum e a sua consequente identidade e cosmovisão compartilhada não devem converter-se num simples objecto de procuras intelectuais sobre o passado, nem em matéria de uma erudição e de um conhecimento a meio caminho entre o académico e o romântico. Pelo contrário, terá de ser o pilar básico e o mito mobilizador para construir a grande Europa do futuro imediato. O século XXI é o do combate identitário, superada a fase dos Estados-nação e dos blocos nascidos da segunda pós-guerra, contemplamos como o planeta se organiza em torno a grandes espaços determinados por uma identidade comum. O destino põe os europeus ante uma encruzilhada: ou sabemos interpretar o nosso momento histórico e somos capazes de criar uma Europa que por um lado desenrole as capacidades prometeicas da nossa civilização e por outro seja capaz de ler a sua mais longa memória para edificar-se sobre a sua herança milenar; ou então a vindoura será a última geração de europeus antes de ser devorada pelos dois inimigos que ameaçam a liberdade do nosso Continente – Nação: o mundialismo uniformizador e igualitarista com a capital em Nova Iorque e o islamismo que tal como faz com as suas mulheres, cobrirá o nosso passado com um véu de intolerância e obscuridade profundamente alheias à alma europeia.

Em nós está a decisão.

Enrique Ravello