Month: Junho, 2010

Solstício de Junho

Apolo rei,
Tu que reges e governas todas as coisas na sua identidade,
Tu que unes todos os seres,
Tu que harmonizas este vasto universo tão variado e múltiplo,
Ó Sol, senhor do nosso céu,
Que nos sejas propício.

Gemistos Pleto

A superclasse global permanece imune ao alastrar da miséria

No meio da crise económica e financeira que afecta os povos da Europa e em particular os gregos, festas luxuosas desenrolam-se em Atenas com os grandes magnatas do transporte marítimo. No meio da miséria que vai alastrando entre o povo, uma superclasse global imune a tudo isso explica que o capital não tem pátria nem lealdades nacionais e que, se ameaçados nos seus lucros, transferirão os negócios em minutos para outras partes da utopia global. É o mundo sem fronteiras nem identidades, feito de deslocalizações e migrações, onde a economia dita os valores. Mas atenção, não se pense que a superclasse global é completamente destituída de sentido nacional, como explicam, muitos deles até preferem o clima da Grécia. Reportagem de Robert Wright no Finantial Times:

«Nas profícuas festas de Atenas desta semana teria sido fácil esquecer que a Grécia enfrenta uma calamitosa crise económica. Mas, de muitas maneiras, os eventos que marcaram a Posidonia – a grande reunião bi-anual dos armadores – tinham tão pouco a ver com o resto da Grécia como se tivessem acontecido em Marte.

Os grandes armadores da Grécia ( a mais importante nação do mundo da indústria) e dos outros países têm andado a festejar o afastamento de uma crise sectorial que há um ano tinha potencial para destruir muitos dos seus negócios.

Os grandes magnatas deram pancadinhas nas costas uns dos outros enquanto consumiam vastas quantidades de cocktails e sushi, marisco e carnes.

Os eventos mais concorridos tiveram lugar no Astir Palace, um resort numa península privada delimitada por pinheiros, bem afastada dos mendigos das ruas, protestantes anti-governo e professores a enfrentarem grandes cortes salariais que se tornaram emblema da crise fiscal grega.

“É um mundo paralelo” explicou John Liveris, presidente da Ocean Freight Inc., durante uma entrevista no Astir Palace.

A questão é saber se a crise grega vai levar à colisão dessas sociedades separadas e como reagiriam os donos de navios se acabassem a ter de suportar duras medidas anti-crise do governo.

As actividades principais dos armadores gregos – transportar matérias-primas e embarcar petróleo e os seus derivados – recuperaram da sua crise sobretudo graças à força da economia chinesa e não devido a factores domésticos.

A maioria destes magnatas faz os seus negócios bancários e de chartering em Londres, registam as suas empresas em Nova Iorque e conduzem outros negócios em qualquer outra parte do mundo que lhes convenha.

Poucos têm mais que um pequeno escritório na Grécia para se preocuparem se o governo decidisse agir sobre os impostos dos seus lucros internacionais.

Evangelos Marinakis, um magnata sedeado em Pireus, disse que as suas empresas tinham escritórios em Londres, Rússia, Singapura, Filipinas e Roménia. “Para nós, seria uma questão de minutos para mudarmos a nossa gestão para fora da Grécia”.

Michael Bodouroglou, o presidente da Paragon Shipping, justifica o sucesso dos armadores gregos pela independência do governo.” O sector público está realmente a sufocar o sector privado, com a sua burocracia, a sua ineficiência e, nalguns casos, até as suas práticas corruptas”, explicou.

Contudo, os magnatas gregos insistem que sentem simpatia pelos seus compatriotas e preferem viver na Grécia do que em Chipre, Malta, Mónaco ou Suíça..

A escolha é fácil de perceber, como George Economou, um proeminente proprietário grego, explicou defronte a uma linda baía solarenta.

“A maioria de nós está aqui porque gostamos do clima”, disse.” Criámos aqui um cluster no qual podemos operar – com as pessoas que dominam a indústria. Mas se necessário, podemos fazê-lo noutro lugar.”

O governo socialista aborreceu os armadores ao abolir o ministério da marinha mercante, que costumava coordenar a política em relação ao sector.

Contudo o governo grego não apresenta sinais de acreditar que impostos sobre os armadores ou apropriação dos seus activos alcançaria alguma coisa. O Senhor Economou explicou que a sua posição estava protegida pela constituição desde há mais de 40 anos. Assim, o mundo paralelo de festas e mendigos parece estar para continuar.»

Eventos e movimentos para o 10 de Junho – dia da Pátria

Fight the Machine

Uma livraria entre as ruínas

Librad: mais livros para ser mais livre

A imigração beneficia o patronato e destrói os salários dos trabalhadores

Imigração: Por que é que o patronato quer sempre mais…

Porque a imigração permite pagar cada vez menos aos assalariados. É o que diz um relatório do muito respeitável e muito oficial Conseil d’Analyse Économique (Conselho de Análise Económica) intitulado “imigração, qualificações e mercado de trabalho” (…)

Recordamo-nos do presidente Pompidou reconhecendo, pouco antes da sua morte, que havia aberto as válvulas da imigração a pedido dos grandes patrões, desejosos de poder beneficiar de uma mão-de-obra numerosa, dócil e barata, de uma reserva quase inesgotável em condições de reduzir as reivindicações dos trabalhadores.

Quarenta anos mais tarde, nada parece ter mudado. Pelo contrário, os apelos à imigração vêm sempre do mesmo lado, e sempre pelas mesmas razões. Única diferença: Os sectores económicos afectados são mais numerosos: ultrapassando o sector da construção e obras públicas e da restauração para atingir profissões outrora protegidas como os engenheiros ou os informáticos.

Assim, os relatórios da Comissão Europeia, das associações patronais e empresariais ou do Business Europe não se têm cansado, desde há várias décadas, de apelar a sempre mais imigração. Em 2008, o célebre relatório Attali, encomendado por Nicolas Sarkozy, elaborava um quadro de mais de 300 medidas de inspiração muito liberal, entre as quais uma aceleração da imigração. É de resto esta tendência que segue o presidente da república francesa desde a sua eleição, através daquilo que chamou “imigração escolhida”.

A imigração pretendida pelo grande patronato visa fazer pressão de baixa sobre os salários, foi essa, em resumo, a explicação frequentemente avançada. Pela primeira vez um relatório oficial, que dissecámos, confirma esta intuição.

O relatório data de 2009 e provém do Conselho de Análise Económica (CAE). O CAE é um órgão próximo do primeiro-ministro francês, pouco conhecido, pelo seu carácter subversivo, na medida em que agrupa toda a nata dos economistas franceses “oficiais”, aqueles que as televisões e os jornais aceitam receber.

Vão constatá-lo, a demonstração é sem apelo.

Explica-se ali, em primeiro lugar, que o conceito de “escassez” de mão-de-obra num dado sector de actividade não tem sentido em período de desemprego. É contudo sistematicamente este factor que serve para justificar o recurso à imigração: A construção sofre ao tentar recrutar dezenas de milhar de trabalhadores nacionais, é preciso portanto ir procurar essa mão-de-obra no exterior, lemos frequentemente.

“Do ponto de vista da ciência económica, a noção de escassez não é evidente” diz-nos o relatório, acrescentando que “ o facto de certos nativos rejeitarem certos tipos de emprego pode simplesmente significar que os trabalhadores têm melhores oportunidades do que ocupar esses empregos e portanto os salários correspondentes deveriam aumentar para que eles os aceitassem” (pag.45)

Dito de outra forma, uma escassez de mão-de-obra forma-se quando um sector não oferece os salários julgados suficientes para se tornar atractivo. Continuamos o raciocínio e compreendemos que, em vez de aumentar os salários, o patronato tem todo o interesse em criar uma escassez que ultrapassará procurando no exterior uma mão-de-obra disposta a aceitar os salários mais baixos.

É a conclusão à qual o relatório chega, sem ambiguidade:” No caso do mercado de trabalho, isso significa que em vez da imigração dos anos 60 poder-se-ia ter observado uma subida dos salários dos menos qualificados” (pag.46)

O relatório do CAE faz igualmente a recensão de uma série de estudos de vários países que tentaram quantificar o impacto da imigração sobre os salários:” Atlonji e Card (dois dos economistas citados) concluíram que uma subida da proporção de imigrantes em 1% reduz o salário em 1,2%” (pag.37)

“Hunt (um outro economista) conclui que uma subida da proporção de repatriados em 1% reduz o salário em cerca de 0,8%”

“Borjas (professor em Harvard) conclui o seu estudo afirmando que entre 1980 e 2000, a imigração teria aumentado a oferta de mão-de-obra em cerca de 11%, o que teria reduzido os salários em cerca de 3,2% e que essa redução atinge a maioria das categorias de experiência e educação, mas de maneira desigual” (pag. 38)

Aí estão os elementos que deveriam esclarecer o debate público sobre a imigração. É pena que no nosso país uma cortina de fumo irracional torne toda a discussão sobre este assunto quase impossível, o que tem a preciosa vantagem de permitir aos governantes de esquerda como de direita continuar a conduzir as mesmas políticas favoráveis aos desideratos do grande patronato.

Artigo da Fundação Polémia sobre o relatório do CAE

Putas, bêbados, infiéis, vigaristas, hedonistas…só falta a princesa que “era do povo”

Evolucionismo israelo-palestiniano

Este capitalismo é tão sinistro como o comunismo

«Sócrates afirmou que o Mundo mudou em três semanas, mas não tem razão. Foram 25 anos de efeitos combinados de desregulamentação dos mercados; políticas do dinheiro fácil, com taxas muito baixas; multiplicação dos intervenientes, com milhares de “hedge” e outros “funds”; fraquíssima supervisão; bolhas e falsos crashes; e liberdade total de movimentos de capitais entre países. Nasceu uma hidra, com muito mais de sete cabeças. A alta finança é o verdadeiro monstro do século XXI: caótico, anónimo, subversivo, libertino, indomável e letal. Varre tudo à frente: petróleo, arroz, bancos, países, euro. Se políticos e cidadãos não o domesticarem, dará cabo de ambos. Este capitalismo, nesta modalidade desbragada, selvagem e planetária, pode vir a ser tão sinistro como o comunismo foi.»

Domingos Amaral, Correio da Manhã