A imigração beneficia o patronato e destrói os salários dos trabalhadores

by RNPD

Imigração: Por que é que o patronato quer sempre mais…

Porque a imigração permite pagar cada vez menos aos assalariados. É o que diz um relatório do muito respeitável e muito oficial Conseil d’Analyse Économique (Conselho de Análise Económica) intitulado “imigração, qualificações e mercado de trabalho” (…)

Recordamo-nos do presidente Pompidou reconhecendo, pouco antes da sua morte, que havia aberto as válvulas da imigração a pedido dos grandes patrões, desejosos de poder beneficiar de uma mão-de-obra numerosa, dócil e barata, de uma reserva quase inesgotável em condições de reduzir as reivindicações dos trabalhadores.

Quarenta anos mais tarde, nada parece ter mudado. Pelo contrário, os apelos à imigração vêm sempre do mesmo lado, e sempre pelas mesmas razões. Única diferença: Os sectores económicos afectados são mais numerosos: ultrapassando o sector da construção e obras públicas e da restauração para atingir profissões outrora protegidas como os engenheiros ou os informáticos.

Assim, os relatórios da Comissão Europeia, das associações patronais e empresariais ou do Business Europe não se têm cansado, desde há várias décadas, de apelar a sempre mais imigração. Em 2008, o célebre relatório Attali, encomendado por Nicolas Sarkozy, elaborava um quadro de mais de 300 medidas de inspiração muito liberal, entre as quais uma aceleração da imigração. É de resto esta tendência que segue o presidente da república francesa desde a sua eleição, através daquilo que chamou “imigração escolhida”.

A imigração pretendida pelo grande patronato visa fazer pressão de baixa sobre os salários, foi essa, em resumo, a explicação frequentemente avançada. Pela primeira vez um relatório oficial, que dissecámos, confirma esta intuição.

O relatório data de 2009 e provém do Conselho de Análise Económica (CAE). O CAE é um órgão próximo do primeiro-ministro francês, pouco conhecido, pelo seu carácter subversivo, na medida em que agrupa toda a nata dos economistas franceses “oficiais”, aqueles que as televisões e os jornais aceitam receber.

Vão constatá-lo, a demonstração é sem apelo.

Explica-se ali, em primeiro lugar, que o conceito de “escassez” de mão-de-obra num dado sector de actividade não tem sentido em período de desemprego. É contudo sistematicamente este factor que serve para justificar o recurso à imigração: A construção sofre ao tentar recrutar dezenas de milhar de trabalhadores nacionais, é preciso portanto ir procurar essa mão-de-obra no exterior, lemos frequentemente.

“Do ponto de vista da ciência económica, a noção de escassez não é evidente” diz-nos o relatório, acrescentando que “ o facto de certos nativos rejeitarem certos tipos de emprego pode simplesmente significar que os trabalhadores têm melhores oportunidades do que ocupar esses empregos e portanto os salários correspondentes deveriam aumentar para que eles os aceitassem” (pag.45)

Dito de outra forma, uma escassez de mão-de-obra forma-se quando um sector não oferece os salários julgados suficientes para se tornar atractivo. Continuamos o raciocínio e compreendemos que, em vez de aumentar os salários, o patronato tem todo o interesse em criar uma escassez que ultrapassará procurando no exterior uma mão-de-obra disposta a aceitar os salários mais baixos.

É a conclusão à qual o relatório chega, sem ambiguidade:” No caso do mercado de trabalho, isso significa que em vez da imigração dos anos 60 poder-se-ia ter observado uma subida dos salários dos menos qualificados” (pag.46)

O relatório do CAE faz igualmente a recensão de uma série de estudos de vários países que tentaram quantificar o impacto da imigração sobre os salários:” Atlonji e Card (dois dos economistas citados) concluíram que uma subida da proporção de imigrantes em 1% reduz o salário em 1,2%” (pag.37)

“Hunt (um outro economista) conclui que uma subida da proporção de repatriados em 1% reduz o salário em cerca de 0,8%”

“Borjas (professor em Harvard) conclui o seu estudo afirmando que entre 1980 e 2000, a imigração teria aumentado a oferta de mão-de-obra em cerca de 11%, o que teria reduzido os salários em cerca de 3,2% e que essa redução atinge a maioria das categorias de experiência e educação, mas de maneira desigual” (pag. 38)

Aí estão os elementos que deveriam esclarecer o debate público sobre a imigração. É pena que no nosso país uma cortina de fumo irracional torne toda a discussão sobre este assunto quase impossível, o que tem a preciosa vantagem de permitir aos governantes de esquerda como de direita continuar a conduzir as mesmas políticas favoráveis aos desideratos do grande patronato.

Artigo da Fundação Polémia sobre o relatório do CAE