Month: Julho, 2010

Arrivederci!

4000 mil novos “portugueses” por mês!

«Desde 2006, quando foi alterada a lei da nacionalidade, os requisitos mais abrangentes abriram portas a 123 mil pessoas e os números não param de aumentar. Dados do Ministério da Justiça mostram que nos primeiros cinco meses se mantém a subir a linha de processos com luz verde. Em média, 3863 pessoas recebem a nacionalidade cada mês.»

Fonte: Jornal i

Murais de resistência

Asfixiado pelo burguês

«Não se trata aqui do homem conhecido das escolas, da economia política ou da estatística, nem do homem que aos milhões anda pela rua e não tem mais importância do que a areia ou a espuma dos mares: pouco adiantam alguns milhões a mais ou a menos; são material e nada mais. Não, nós falamos aqui do homem no sentido elevado do termo, do largo caminho da encarnação humana, do homem verdadeiramente real, dos imortais. O génio não é tão raro como em geral nos parece, nem tão frequente como pretendem as histórias literárias, a história universal e até mesmo os jornais.(…) É tão estranho e entristecedor que homens de tais possibilidades surjam como lobos da estepe e com “duas almas, ai!” e que mostrem tamanha afeição cobarde ao burguês. Um homem capaz de compreender Buda, um homem que tem noção dos céus e dos abismos da natureza humana, não deveria viver num meio em que domina o senso comum, a democracia e a educação burguesa. Só por cobardia continua a viver nele, e quando as suas dimensões o oprimem, quando a estreita cela do burguês se torna demasiado apertada, ele atribui tudo isto ao ‘ ‘lobo” e não quer aperceber-se de que, às vezes, o lobo é a sua parte melhor. Tudo o que há de feroz dentro de si ele atribui-o ao lobo e tem-no por mau, perigoso, o terror dos burgueses; mas ele que, no entanto, crê-se um artista e supõe ter sensibilidade, não é capaz de ver que fora do lobo, atrás do lobo, vivem no seu interior muitas outras coisas: que nem tudo o que morde é lobo; que dentro de si habitam também a raposa, o dragão, o tigre, o macaco e a ave-do-paraíso, e que todo este mundo é um éden cheio de milhares de seres, formosos e terríveis, grandes e pequenos, fortes e delicados, mundo asfixiado e cercado pelo mito do lobo — tanto como o verdadeiro homem que nele há é asfixiado e preso apenas pela sua aparência de homem, pelo burguês.»

Hermann Hesse in O Lobo da Estepe

Assembleia republicana

Da primazia da weltanschauung sobre a “cultura”

«Se desejamos ultrapassar a “cultura” burguesa, há um terceiro ponto de referência possível para além do intelectualismo e do anti-intelectualismo: uma mundividência (weltanschauung, em alemão). Uma mundividência não é baseada em livros mas numa forma e sensibilidade interior dotada de um carácter inato, em vez de adquirido. É, essencialmente, uma disposição e uma atitude, em vez de uma cultura ou uma teoria – uma disposição e uma atitude que não dizem apenas respeito ao domínio mental, mas também afectam o domínio dos sentimentos e da vontade, forjam o carácter de um homem e manifestam-se em reacções que têm a mesma certeza instintiva, fazendo prova de um sentido inabalável da vida. Usualmente, a mundividência, em vez de ser um assunto individual, provém de uma tradição e é o efeito orgânico de forças que moldaram um determinado tipo de civilização; ao mesmo tempo, a pane subiecti (da perspectiva do sujeito) a mundividência manifesta-se como uma espécie de “raça interior” e estrutura existencial. Em todas as civilizações com excepção da moderna, era uma mundividência e não uma cultura que permeava os diferentes estratos da sociedade; onde a cultura e o pensamento conceptual estavam presentes nunca gozaram de primazia, pois a sua função era de simples meios e órgãos de expressão ao serviço da mundividência. Ninguém acreditava que o “pensamento em estado puro” revelasse a verdade e desse significado à vida: o papel do pensamento consistia em clarificar o que já se possuía e o que já existia enquanto sentimento directo e evidência, antes que qualquer especulação fosse formulada. Os produtos do pensamento tinham apenas um valor simbólico, agindo como sinais – portanto, a expressão conceptual não tinha um carácter privilegiado sobre outras formas de expressão. Em civilizações prévias estas últimas consistiam em imagens evocativas, símbolos e mitos. Hoje as coisas podem ser diferentes, considerando a crescente, hipertrofiada racionalização do homem ocidental. Contudo, é importante não confundir o essencial pelo acessório, e que as relações acima mencionadas sejam reconhecidas e retidas, ou, por outra palavras, onde quer que a “cultura” e o “intelectualismo” estejam presentes podem desempenhar apenas um papel instrumental, na expressão de algo mais profundo e orgânico, uma mundividência. A mundividência pode encontrar melhor expressão num homem sem educação formal do que num escritor, tal como pode estar mais fortemente representada num soldado, num aristocrata ou num agricultor que permanece fiel à terra, do que no intelectual burguês, no “professor” típico, ou no jornalista.»

Julius Evola, Men among the Ruins, Inner Traditions, Vermont, pp.221-222

Aproveita o momento!

Não perguntes o que o partido pode fazer por ti, mas o que tu podes fazer pelo partido


Irmãos e Irmãs

Irmãos e Irmãs

Irmãos e Irmãs faz parte da nova vaga de séries norte-americanas exportadas para o mundo inteiro com a chancela de série premiada nos Emmy e Globos de Ouro e aclamada pela crítica.

Acompanha os dramas quotidianos de uma família de classe média-alta norte americana depois da morte do marido de Nora, a matriarca. E, para não variar, episódio atrás de episódio, a audiência é submetida durante cerca de uma hora à “politiquice correcta” costumeira, sobretudo através destes três temas do seu enredo:

1ª Tema: O elemento feminino acima do masculino

A morte do patriarca (já de si um homem de ética duvidosa), que dá início à trama, tem um valor simbólico: o do apagamento do elemento masculino daí para a frente. Essa menorização é depois reforçada pelo facto dos personagens femininos serem psicologicamente mais fortes e complexos do que os personagens masculinos. Na maior parte dos episódios são elas que acabam por ter a capacidade de resolução dos problemas que vão afectando a harmonia familiar, sendo os homens relegados para um plano secundário.

2º Tema: Os gueis

Como se todas as famílias tivessem o seu guei, em Irmãos e Irmãs o tema é omnipresente. Há gueis por todo o lado…Temos o irmão de Nora, que é guei, e temos um dos filhos que também o é, e depois temos os namorados deles… Em quase todos os episódios a audiência é confrontada com a vivência quotidiana dos casais gueis…a normalização sociológica da homossexualidade é um dos temas recorrentes da narrativa.

3º Tema: conservadores politicamente correctos

Na vida da família a política é um assunto recorrente. Uma das filhas de Nora foi comentadora política, de “direita”, e acaba por se casar com um senador conservador. Na impossibilidade de ter filhos o casal decide adoptar, e opta por um pretinho. Adoptar criancinhas negras ou de “proveniências exóticas” é uma daquelas provas de “moralidade, abertura e modernidade” próprias da burguesia cosmopolita e endinheirada. Até porque não há crianças brancas pobres e abandonadas e querer um filho com um fenotipo parecido ao dos pais é “retrógrado e intolerante”… Desta forma a família torna-se também um retrato exemplar da diversidade, sexualmente e racialmente plural. Mais tarde o marido afasta-se do cargo e passa a apoiar a carreira partidária da mulher, que entretanto se torna candidata, invertendo assim a lógica de relevância sóciopolítica no seio do casal.

Bota o saco neles, Nascimento!