Irmãos e Irmãs

by RNPD

Irmãos e Irmãs

Irmãos e Irmãs faz parte da nova vaga de séries norte-americanas exportadas para o mundo inteiro com a chancela de série premiada nos Emmy e Globos de Ouro e aclamada pela crítica.

Acompanha os dramas quotidianos de uma família de classe média-alta norte americana depois da morte do marido de Nora, a matriarca. E, para não variar, episódio atrás de episódio, a audiência é submetida durante cerca de uma hora à “politiquice correcta” costumeira, sobretudo através destes três temas do seu enredo:

1ª Tema: O elemento feminino acima do masculino

A morte do patriarca (já de si um homem de ética duvidosa), que dá início à trama, tem um valor simbólico: o do apagamento do elemento masculino daí para a frente. Essa menorização é depois reforçada pelo facto dos personagens femininos serem psicologicamente mais fortes e complexos do que os personagens masculinos. Na maior parte dos episódios são elas que acabam por ter a capacidade de resolução dos problemas que vão afectando a harmonia familiar, sendo os homens relegados para um plano secundário.

2º Tema: Os gueis

Como se todas as famílias tivessem o seu guei, em Irmãos e Irmãs o tema é omnipresente. Há gueis por todo o lado…Temos o irmão de Nora, que é guei, e temos um dos filhos que também o é, e depois temos os namorados deles… Em quase todos os episódios a audiência é confrontada com a vivência quotidiana dos casais gueis…a normalização sociológica da homossexualidade é um dos temas recorrentes da narrativa.

3º Tema: conservadores politicamente correctos

Na vida da família a política é um assunto recorrente. Uma das filhas de Nora foi comentadora política, de “direita”, e acaba por se casar com um senador conservador. Na impossibilidade de ter filhos o casal decide adoptar, e opta por um pretinho. Adoptar criancinhas negras ou de “proveniências exóticas” é uma daquelas provas de “moralidade, abertura e modernidade” próprias da burguesia cosmopolita e endinheirada. Até porque não há crianças brancas pobres e abandonadas e querer um filho com um fenotipo parecido ao dos pais é “retrógrado e intolerante”… Desta forma a família torna-se também um retrato exemplar da diversidade, sexualmente e racialmente plural. Mais tarde o marido afasta-se do cargo e passa a apoiar a carreira partidária da mulher, que entretanto se torna candidata, invertendo assim a lógica de relevância sóciopolítica no seio do casal.