Month: Julho, 2010

Uma concepção estética da vida

Os povos europeus enganam-se de cada vez que querem fazer tábua rasa do passado. O seu drama foi terem sido cristianizados… e contudo o cristianismo que eles modelaram, melhor ou pior, para o adaptar ao seu génio próprio, faz parte integrante da sua herança. Mas sabemos que esta religião estrangeira contribuiu para desencantar o nosso mundo. Ela continha em si todos os germes da decadência e eis que, há cerca de meio século, a Igreja decidiu regressar aos miasmas originais do Evangelho: o igualitarismo e o universalismo. Esta ideia de igualdade universal acabou por se laicizar na ideologia dos direitos do homem. Depois de ter contribuído para a queda do Império romano, o cristianismo está em vias de nos minar a partir do interior. E pouco importa que já não haja muita gente na missa, já que a mensagem, recuperada por gentes que se enchem de laicidade, é-nos infligida todos os dias na televisão, nos outros Media e nos bancos de escola.

Como sair deste impasse? A nossa missão não é criar uma nova religião que, nestes tempos de confusão mental, arriscar-se-ia a não ser mais do que uma seita entre tantas outras. Se os europeus conseguirem não desaparecer, reencontrarão um dia as vias do sagrado. Enquanto esperamos é o combate pela sobrevivência que deve mobilizar todas as nossas energias, combate que deve ser travado com as ideias claras, sem nos enganarmos no inimigo.

Ora, dizer-se pagão é, hoje em dia, a única maneira de recusar o igualitarismo cristão e a sua moral do pecado, de substituir as funestas noções de Bem e Mal pelas de Belo e Feio. O Belo e o Feio são noções relativas, que podem variar de uma cultura para outra, mas na Europa, cada um sabe – ou sabia – o que é um belo gesto, uma bela acção, uma bela alma ou uma bela obra. A sabedoria popular diz que não é bonito mentir. Aos jogadores violentos preferimos os que jogam bonito. Diremos de um velho que tem o olhar belo. De uma pessoa fisicamente feia que tem nela uma beleza interior. O que é belo não pode ser mau. Toda a história europeia está impregnada desta concepção estética da vida, indissociável do sentido de honra. E aquilo que mais reprovo na nossa sociedade actual é de nos querer impor o feio: o Centro Beaubourg, a Ópera da Bastilha, a pintura de Picasso e a arte moderna em geral, a música rap, techno, uma certa moda, etc. Ora, tudo o que é feio é pernicioso, porque todos os horrores que somos hoje chamados a admirar têm por função corroer os valores e destruir as referências sem as quais a civilização europeia não teria nunca atingido os cumes que lhe reconhecemos.

Jean-Claude Valla (via Le chemin sous les buis)

Soluções…

O que eles fizeram aos nossos povos…

«Não somos nada; na verdade, aos horrores do século XX, as nossas democracias responderam com a “religião da humanidade”, ou seja, pela universalização da ideia do semelhante e pela condenação de tudo o que divide ou separa os homens (…) Isso significou que, para não mais excluir ninguém, a Europa teve de se desfazer de si mesma, “desoriginar-se”, não guardar nada mais das suas origens do que o universalismo dos direitos do homem. Esse é o segredo da Europa. Nós não somos nada.»

Alain Finkielkraut, em entrevista ao Le Monde, 11 e 12 de Novembro de 2007

Há um elefante no meio da sala…e ninguém abre a boca.


Arrastões de grupos da Quinta do Mocho (quase exclusivamente habitada por negros) nos comboios da linha de Cascais.


Distúrbios com imigrantes brasileiros aquando dos jogos da sua selecção no mundial
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Cenas de violência no Bairro do Asilo, Monte da Caparica (habitado sobretudo por negros), com as forças policiais a serem recebidas com very-lights e bombas artesanais (como se estivessem a entrar em qualquer morro terrorista do terceiro mundo)
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Pessoas baleadas e esfaqueadas em confrontos entre gangues na praia do Tamariz, apedrejamentos a comboios em Algés e esfaqueamentos em comboios dessa linha.

Este é o relato do contributo enriquecedor que a imigração africana e brasileira deu a Portugal nos últimos dias. Portugal tem um problema de imigração, mais em concreto tem um problema social com uma determinada imigração proveniente de locais específicos, cujo contributo positivo para o país é quase nulo mas que está a transformar as ruas das nossas cidades em zonas de selvajaria. O trade-off é francamente negativo para a nação.

Mas Portugal tem também um problema, interligado ao primeiro, com os grupos políticos e associativos que incentivam esta imigração, efabulam a sua “riqueza cultural” e desculpabilizam os seus comportamentos (a cantilena da “exclusão” serve para desculpar tudo), em favor da consecução do seu projecto político, mesmo que isso custe a própria existência da nação e obrigue à deturpação ou negação dos factos e da realidade.

A psicose anti-autoridade e o ódio mal disfarçado às forças policiais que vigora no seio da extrema-esquerda foi transposto com sucesso para os grupos de delinquentes que saqueiam comboios, esfaqueiam pessoas e recebem a polícia à bomba. Ouvi e li alguns desses “jovens” a explicarem alguns dos acontecimentos relatados e o discurso de culpabilização da polícia e da sua suposta violência foi repetido como uma cassete. É a perversão da justiça, os delinquentes sabem que podem desresponsabilizar-se porque há quem politicamente lhes ampare o discurso, aliás, mais do que isso, esse discurso é-lhes muitas vezes ensinado em “acções de formação” que grupos de extrema-esquerda fazem nos bairros problemáticos de imigrantes.

E o problema culmina no facto desse discurso da extrema-esquerda estar salvaguardado por um sistema penal desadequado à nova realidade que o “multiculturalismo” ajudou a criar em Portugal e penetrar os tribunais e uma boa parte dos juízes deste país, como se prova pelo facto de muitos destes criminosos serem libertados depois de detidos (no caso em que o são) ou, para termo de comparação, no facto do polícia que matou o rapper MC Snake, na sequência de uma perseguição policial provocada pela recusa do tal Snake em obedecer a uma ordem de paragem do veículo, ter sido acusado de homicídio qualificado.

Quando os oiço falar em democracia lembro-me do Quino…

Conceito/Imagem

«A noção de Weltanschauung

A Revolução Conservadora, não sendo uma filosofia rigorosa de tipo universitário é uma vaga de Weltanschauungen (NdT: cosmovisão; visões do mundo). Enquanto a filosofia faz parte integrante do pensamento do velho Ocidente, a Weltanschauung surge no momento em que o edifício ocidental se afunda. Anteriormente as categorias estavam bem compartimentadas: o pensamento, os sentimentos, a vontade, não se misturavam em fluxos desordenados. Mas no nosso “interregno”, que sucede ao re-afundamento do cristianismo, as Weltanschauungen mesclam pensamentos, sentimentos e vontades no seio de uma tensão perpétua e dinamizadora. O pensamento, sustentado pelas Weltanschauungen, possui desde logo um carácter instrumental: solicitamos uma multitude de disciplinas para ilustrar ideias já previamente concebidas, aceites, escolhidas. E essas ideias servem para atingir objectivos na própria realidade. A natureza particular (e não universal) de todo o pensamento revela-nos um mundo multicolor, um caos dinâmico, em mutação perpétua. Segundo Armin Mohler, as Weltanschauungen já não são veiculadas por filósofos puros, ou poetas puros, mas por seres híbridos, meio-pensadores, meio-poetas, que sabem conjugar habilmente – e com uma dada coerência – conceitos e imagens. Os gestos da existência concreta jogam um papel primordial nestes pensadores-poetas: pensemos em T.E. Lawrence (da Arábia), Mlraux e Ernst Jünger. As suas existências comprometidas fizeram-nos tocar com os dedos os nervos da vida, transmitiram-lhes uma experiência das coisas bem mais viva e forte do que a dos filósofos e dos teólogos, mesmo os mais audaciosos.

A oposição conceito/imagem

Os vocábulos e os conceitos são portanto insuficientes para abarcar a realidade em toda a sua multiplicidade. A palavra do poeta, a imagem, são-lhe de longe superiores. A nova era reflecte-se desde logo nos trabalhos dos “intelectuais anti-intelectuais”, daqueles que podem, com génio, moldar as imagens. Uma passagem do jornal de Gerhard Nebel, datada de 19 de Novembro de 1943, ilustra perfeitamente as posições de Mohler quando este sublinha a importância da Weltanschauung em relação à filosofia clássica e sobretudo quando ele entoa o seu apelo à intensidade da existência contra o monocronismo das teorias, apelo que ele sintetizou no conceito de “nominalismo” e que teve a ressonância que bem sabemos na maturação intelectual da “Nouvelle Droite” francesa.

Escutemos portanto as palavras de Gerhard Nebel:

“A ligação entre os dois instrumentos metafísicos do homem, o conceito e a imagem, deixa àqueles que se querem exercitar na comparação uma matéria inesgotável. Podemos assim dizer que o conceito é improdutivo, na medida que não faz mais que ordenador aquilo que nos é evidente, o que já descobrimos, o que está à nossa disposição, enquanto a imagem gera a realidade espiritual e traz à superfície os elementos até então escondidos do Ser. O conceito opera prudentemente distinções e reagrupamentos no quadro estrito dos factos seguros, a imagem colhe as coisas, com a impetuosidade do aventureiro e a sua ausência de todo os escrúpulo, e lança-as em direcção ao vasto e infinito. O conceito vive de medos, a imagem vive do fausto triunfante da descoberta. O conceito deve matar a sua presa (se é que não a tomou já apenas um cadáver) enquanto a imagem faz aparecer uma vida fulgurante. O conceito, enquanto conceito, exclui todo o mistério, a imagem é uma unidade paradoxal de contrários, que nos esclarece ao mesmo tempo que honra o obscuro. O conceito é envelhecido, a imagem é sempre fresca e jovem. O conceito é a vítima do tempo e envelhece rápido, a imagem está sempre para além do tempo. O conceito está subordinado ao progresso, como as ciências, que elas também, pertencem à categoria do progresso, enquanto a imagem provém do instante. O conceito é economia, a imagem é prodigalidade. O conceito é o que é, a imagem é sempre mais do que parece ser. O conceito solicita o cérebro mas a imagem solicita o coração. O conceito não move mais do que uma periferia da existência, a imagem, essa, actua sobre a totalidade da existência, sobre o seu núcleo. O conceito é finito, a imagem é infinita. O conceito simplifica; a imagem honra a diversidade. O conceito toma partido, a imagem abstém-se de julgar. O conceito é geral, a imagem é antes de tudo individual e, mesmo onde podemos fazer da imagem uma imagem geral e onde lhe podemos subordinar fenómenos, esta acção de subordinação relembra as caçadas apaixonantes; o aborrecimento que suscita a inclusão, o encerramento de factos do mundo em conceitos, é estrangeiro à imagem…”

As ideias veiculadas pelas Weltanschauungen encarnam-se arbitrariamente no real, de modo imprevisível, intermitente. Com efeito, estas ideias já não são ideias puras, elas já não têm um lugar fixo e imutável num qualquer Empíreo, para lá da realidade. Elas estão, pelo contrário, imbricadas, prisioneiras das aleatoriedades do real, subordinadas às suas mutações, aos conflitos que formam a sua trama. Estudar o impacto das Weltanschauungen, entre as quais as da Revolução Conservadora, é apresentar uma topografia de correntes subterrâneas que não saltam directamente à vista do observador.»

Robert Steuckers, La “Révolution Conservatrice” en Allemagne

Uma sociedade para consumidores de publicidade

Primeiro… romper a apatia.

Não tenho de vos dizer que as coisas estão más. Toda a gente sabe que as coisas estão más. É uma depressão. Todos estão sem trabalho ou com medo de perder o emprego. O dólar vale um níquel, os bancos estoiram, os comerciantes guardam uma arma debaixo do balcão. Marginais andam à solta nas ruas e não há ninguém que pareça saber o que fazer, e não há fim para isto. Sabemos que o ar está irrespirável e a nossa comida contaminada, e sentamo-nos a ver televisão enquanto um jornalista qualquer nos diz que hoje tivemos quinze homicídios e sessenta e três crimes violentos, como se isso fosse o que é suposto acontecer. Sabemos que as coisas estão más – pior que más. Estão loucas. É como se tudo em todo o lado estivesse a enlouquecer, por isso já não saímos à rua. Sentamo-nos em casa, e lentamente o mundo em que vivemos vai-se tornando mais pequeno, e tudo o que dizemos é” Por favor, ao menos deixem-nos em paz nas nossas casas. Deixem-me ter a minha torradeira, a minha televisão e as minhas jantes de metal e não direi nada. Deixem-nos só em paz”. Bem, eu não vos vou deixar em paz. Quero que fiquem furiosos! Não quero que protestem. Não quero que se amotinem – não quero que escrevam ao vosso deputado porque não sei o que vos diria para escreverem. Não sei o que fazer sobre a depressão e a inflação e os russos e o crime nas ruas. Tudo o que sei é que primeiro têm de ficar furiosos. Têm de dizer “Eu sou um ser humano, porra! A minha vida tem valor!”. Por isso quero que se levantem agora. Quero que todos se levantem das cadeiras. Quero que se levantem agora mesmo e vão à janela. Abram-na, ponham a cabeça de fora, e gritem “ Estou farto desta merda e não vou aturar mais isto!”. Quero que se levantem agora mesmo, vão até à janela, abram-na, ponham a cabeça de fora e gritem” Estou farto desta merda e não vou aturar mais isto!”. As coisas têm de mudar. Mas, primeiro vocês têm de ficar furiosos!… Têm de dizer” Estou farto desta merda e não vou aturar mais isto!”. Depois logo vemos o que fazer com a depressão, e a inflação e a crise do petróleo. Mas primeiro levantem o rabo da cadeira, abram a janela, ponham a cabeça de fora e gritem, digam-no:” Estou farto desta merda e não vou aturar mais isto!”

Network (1976)