Que liberais, Jacobo?

by RNPD

Os liberais acham uma maior ameaça à sua liberdade (talvez à da sua carteira…) que o Estado não privatize os serviços de saúde, os fundos de pensões ou não facilite o despedimento de trabalhadores do que a supressão da liberdade de pensamento e de opinião dos homens e mulheres da sua civilização. Desde que as limitações não lhes toquem a eles, tudo vai bem com a “liberdade condicionada” dos outros.

Se há causa que deveria mobilizar em permanência os que dizem ter na liberdade individual o seu norte político, deveria ser o combate a todas as leis que, no dito Ocidente, levam ou podem levar à cadeia ou a tribunal pessoas por delito de opinião, como é o caso, entre outras, das que punem os que se atrevem a contestar determinadas “verdades históricas”, e muito em particular o famosíssimo holocausto judaico durante a segunda grande guerra. O que se lhes pediria – aos pretensos liberais – não seria duvidarem do holocausto mas a defesa de que outros, se assim o entendessem, fossem livres para colocar perguntas, debater e até contestar alguns dos supostos factos históricos do holocausto judaico ou de outros holocaustos históricos. Em vez disso, os liberais europeus remetem-se ao silêncio enquanto dezenas de homens e mulheres são levados para a prisão ou às barras dos tribunais pelo simples facto de se terem atrevido a questionar os dados oficiais dessas historiografias.

São inúmeros os casos de pessoas cuja vida pessoal e profissional foi completamente destruída tão-somente por terem emitido opinião ou publicado textos e livros contestando a versão oficial dos acontecimentos que marcaram a narrativa dos judeus durante a segunda guerra mundial. Muitas vezes até os próprios advogados de defesa dos arguidos nesses processos acabam por ser acusados e levados a julgamento. Mas sobre todos esses casos de esquartejamento da mais básica fundação da liberdade, os liberais portugueses e ocidentais tendem a apresentar um mutismo assombroso.

Neles, a defesa da liberdade resume-se a pouco mais que atacar a participação do Estado na economia, que impede o alargamento da esfera de acção dos interesses privados a uma parte da economia que ambicionam e o acesso desses interesses a mais capitais financeiros.

Porque das duas uma, ou o silêncio dos liberais sobre os atentados à liberdade de expressão é consciente e pensado e, nesse caso, têm um estranho entendimento do que é a essência da liberdade (que não é a mesma coisa que a defesa do capitalismo) ou desconhecem que no mesmo Ocidente que gosta de apregoar a defesa da liberdade de expressão há várias vidas destruídas por delitos de opinião. Ou cúmplices ou ignorantes, é esse o retrato dessa gente.