O que a esquerda fez à nossa cultura

by RNPD

«Supor-se-ia que, dadas as circunstâncias, uma das preocupações principais dos intelectuais, que afinal de conta são supostamente capazes de ver mais longe e pensar mais profundamente do que os homens e mulheres vulgares, seria a manutenção das fronteiras que separam a civilização da barbárie, uma vez que essas fronteiras se revelaram frequentemente tão frágeis nos últimos cem anos. Enganar-se-ia quem assim pensasse, contudo. Alguns abraçaram conscientemente a barbárie, outros permaneceram sem saber que as fronteiras não se mantêm a si próprias e precisam de manutenção e por vezes defesa vigorosa. Quebrar um tabu ou transgredir são termos merecedores do maior louvor no vocabulário dos críticos modernos, independentemente do que tenha sido transgredido ou de que tabu tenha sido quebrado. Uma recente biografia do filósofo positivista A.J.Ayer, no suplemento literário do Times, enumerava-lhe as virtudes pessoais. Entre elas estava o facto do filósofo ter sido inconvencional – mas o autor da biografia não se sentiu na necessidade de explicar de que forma Ayer era inconvencional. Para ele o alegado desrespeito de Ayer pela convenção era uma virtude em si mesma. Claro que pode muito bem ter sido uma virtude, ou pode igualmente ter sido um vício, dependendo do conteúdo ético e efeito social da convenção em questão. Mas restam poucas dúvidas de que uma atitude de oposição em relação às regras sociais tradicionais é o que permite ao intelectual moderno ganhar os seus galões aos olhos dos outros intelectuais»

Prefácio a “Our Culture, What’s Left of It: The Mandarins and the Masses” de Theodore Dalrymple