Enquanto Roma arde…

by RNPD

«Encostar o Presidente da República à sua vertente mais conservadora, capitalizando com isso os votos de um eleitorado que não se revê nos mesmo valores, vai ser a estratégia dos partidos da esquerda para a próxima sessão legislativa. Depois de Cavaco ter promulgado na semana passada a nova Lei das Uniões de Facto, ainda que com reservas, a esquerda – PS e Bloco de Esquerda – promete voltar com os temas fracturantes no próximo ano parlamentar. O BE avançará com um projecto para alterar o Código do Registo Civil, permitindo a pessoas transexuais a mudança do registo do sexo no assento de nascimento, e o novo líder da JS já disse que a adopção de crianças por casais homossexuais faz parte do seu programa, embora admita que é necessário fazer antes um trabalho pedagógico. Na calha estará também o testamento vital, que o PS deixou na gaveta na legislatura passada.
A ideia é, ao que apurou o Diário Económico, obrigar Cavaco a tomar uma posição que o penalize perante o seu eleitorado mais conservador, se promulgar, ou perante o eleitorado menos conservador, se vetar, numa altura em que se espera uma recandidatura do actual Presidente a Belém
(…) Pedro Alves, líder da JS, acredita que, se Cavaco fizer destas questões temas fracturantes, “pode ser contraproducente na perspectiva do próprio Presidente não acompanhar o sinal dos tempos”»

Diário Económico, 23-08-2010

Esta estratégia que a esquerda planeou para desgastar o presidente da república só pode resultar num país onde desde há muito se perdeu o vislumbre de qualquer cultura de direita autêntica, e com um personagem – no caso Cavaco Silva – que não faz ideia do que isso seja porque não foi, não é e nunca será um verdadeiro homem de direita.

Porque para a direita autêntica “não acompanhar o sinal dos tempos” não assusta, pelo contrário, a verdadeira direita sabe perfeitamente que é exactamente isso que a distingue da esquerda, ou seja, a rejeição do progressismo como sendo algo de bom em si mesmo. O que os verdadeiros conservadores simbolizam não é a vontade de conservar ou manter as coisas paradas no tempo, mas sim a fidelidade a um conjunto de valores cuja validade é eterna e cruza as épocas, independentemente de estarem ou não “na moda” ou “em sintonia com os sinais dos tempos”.

Na realidade, o grande problema do Ocidente tem sido, desde meados do século passado, a inexistência de uma direita que seja capaz de se erguer em público e dizer, alto e em bom som, que não está ali para acompanhar os costumes dominantes, os novos tempos e modas, mas para permanecer fiel aos seus imortais princípios de virtude.

E se os tempos forem de baixeza?…

Os que acompanham os sinais dos tempos são aqueles que continuarão a comer, a dançar e a foder quando “Roma” já estiver a arder.