O mal americano

by RNPD

«Protestante, a América é fundamentalmente calvinista. Ao contrário de Lutero, que compreende e admite que a força seja o fundamento da política e que, em certa medida, as regras do evangelho são inaplicáveis neste mundo (e como consequência é preciso, em primeiro lugar, obedecer ao príncipe, porque ele foi colocado por Deus), o calvinismo articula-se inteiramente em torno de uma moral. Afirma que a política não é mais que uma aplicação da moral. Os puritanos propõem-se como objectivo moralizar a vida social, cristianizar o Estado, malgrado os obstáculos acumulados no seu caminho (muito influenciado por Santo Agostinho, o puritanismo é caracterizado por uma hipersensibilidade ao mal, denunciado em seu redor em todas as circunstâncias). É moralizando a sociedade, esforçando-se por criar na terra a Cidade de Deus, que o cristão, regenerado pela Graça, obedece à vontade do Criador. Certo, ele não é salvo apenas pelas suas obras, mas, se tem a graça, as suas ‘virtudes sociais’, testemunham que age em conformidade com o plano divino. A mesma filantropia está na base do credo americano e isso explica o prodigioso sucesso do ‘biblismo social’, ao mesmo tempo consumado localmente e ininterruptamente exportado.
(…)
A partir das suas origens os americanos extraem assim quatro convicções fundamentais: a convicção de que a América, nova Terra Prometida, é a prefiguração da cosmopolis futura, e que a missão dos americanos consiste em dar o exemplo, ou melhor, em tentar exportar o modelo universal do Bem, a convicção de que a política é um ramo da moral, sendo o seu propósito instituir a Cidade de Deus na terra, a convicção de que todos os homens são iguais e que, com a eventual ajuda de Deus, todos podem alcançar qualquer meta, por fim a convicção de que a autoridade é uma coisa nefasta e odiosa em si mesma, e que as instituições que devem socorrer-se dela não são mais do que males necessários. Toda a educação americana assenta sobre a repetição, sobre a adoração, destes quatro princípios, que os alunos ouvem repetir durante a semana na escola, ao domingo na missa, por ocasiões das ‘festas patrióticas’, e que estão na base dos meandros da vida política e social»

Giorgio Locchi e Alain de Benoist, Il Male Americano, pags.4 e 8, L’Uomo Libero