Month: Setembro, 2010

O mal americano

«Protestante, a América é fundamentalmente calvinista. Ao contrário de Lutero, que compreende e admite que a força seja o fundamento da política e que, em certa medida, as regras do evangelho são inaplicáveis neste mundo (e como consequência é preciso, em primeiro lugar, obedecer ao príncipe, porque ele foi colocado por Deus), o calvinismo articula-se inteiramente em torno de uma moral. Afirma que a política não é mais que uma aplicação da moral. Os puritanos propõem-se como objectivo moralizar a vida social, cristianizar o Estado, malgrado os obstáculos acumulados no seu caminho (muito influenciado por Santo Agostinho, o puritanismo é caracterizado por uma hipersensibilidade ao mal, denunciado em seu redor em todas as circunstâncias). É moralizando a sociedade, esforçando-se por criar na terra a Cidade de Deus, que o cristão, regenerado pela Graça, obedece à vontade do Criador. Certo, ele não é salvo apenas pelas suas obras, mas, se tem a graça, as suas ‘virtudes sociais’, testemunham que age em conformidade com o plano divino. A mesma filantropia está na base do credo americano e isso explica o prodigioso sucesso do ‘biblismo social’, ao mesmo tempo consumado localmente e ininterruptamente exportado.
(…)
A partir das suas origens os americanos extraem assim quatro convicções fundamentais: a convicção de que a América, nova Terra Prometida, é a prefiguração da cosmopolis futura, e que a missão dos americanos consiste em dar o exemplo, ou melhor, em tentar exportar o modelo universal do Bem, a convicção de que a política é um ramo da moral, sendo o seu propósito instituir a Cidade de Deus na terra, a convicção de que todos os homens são iguais e que, com a eventual ajuda de Deus, todos podem alcançar qualquer meta, por fim a convicção de que a autoridade é uma coisa nefasta e odiosa em si mesma, e que as instituições que devem socorrer-se dela não são mais do que males necessários. Toda a educação americana assenta sobre a repetição, sobre a adoração, destes quatro princípios, que os alunos ouvem repetir durante a semana na escola, ao domingo na missa, por ocasiões das ‘festas patrióticas’, e que estão na base dos meandros da vida política e social»

Giorgio Locchi e Alain de Benoist, Il Male Americano, pags.4 e 8, L’Uomo Libero

11 de Setembro – A nossa sentida homenagem

As boas causas da nova ordem mundial

Estão a começar a ver o que se pretende aqui? Os governos deixarão, agora, de exercer qualquer controlo sobre algo significativo, para além do direito que a ONU lhes concede de partilharem a «governação». Estados – antes, se alguém vos invadisse, poderíeis esperar que a comunidade internacional viesse socorrer-vos; mas, agora, se tentardes sair do nosso sistema globalista ou vos desviardes, será a própria comunidade mundial que levará a cabo a invasão. É esse o significado de soberania exercida colectivamente! Porquê? Porque fareis parte de um Estado mundial que responde perante um poder único, isto é, as Nações Unidas. E para que sejas progressivamente enfraquecido até atingires o ponto de não resistência, nós estaremos diligentemente a dizer aos teus cidadãos, que as pessoas são mais importante que os Estados e a referir-nos a vós como «meras nações». Oh, e bem-vindos à nossa comunidade. Conjugadas com as suas recomendações de um desarmamento mundial – excepto no que se refere à ONU, é claro, que conservará uma impressionante, leal e fortemente armada «Força de Reacção Rápida» (conhecida também como «o exército do novo mundo») que deixará os Estados impotentes militarmente perante a agressão internacional sob a forma de «policiamento» (…)

Daniel Estulin, Clube Bilderberg – Os Senhores do Mundo, Temas e Debates, p.117

As peças que faltam encaixar…

Quais são as peças que faltam encaixar no puzzle do “processo Casa Pia”?

Espécie de elegia heróica

«[O herói] vem em ajuda dos fracos e dos velhos mas não suporta os preguiçosos, nem os oportunistas e ladrões. Considera-os como “fardos da terra”, um peso para a Terra-mãe. Sabe ser corajoso face ao perigo e paciente perante as dificuldades da vida quotidiana sem, contudo, procurar a aflição e a adversidade. Sabe tirar proveito das alegrias da vida onde as encontra, ao escutar uma canção, depois de um beijo, face a uma paisagem idílica ou a hilaridade de uma criança porque ele sabe que cada instante é único e que talvez nunca mais se reproduza. Ademais, ele não é estúpido. Sabe utilizar a sua inteligência de cada vez que tem necessidade. Representa a superioridade do homem face ao animal. Sabe rir das suas próprias infelicidades, porque o riso é como o vento que afugenta as nuvens da miséria e do derrotismo. Tenta resolver sozinho os seus problemas respeitando a natureza, que considera viva e sagrada.(…)

E hoje quem poderia ser considerado como um herói? Citemos alguns exemplos: o empregado que recusa enriquecer à custa dos outros sabendo que arrisca perder o seu emprego, a mãe que educa sozinha o seu filho e enfrenta com orgulho os boatos da vizinhança, aquele que apaga a sua televisão para ler um livro ou ouvir música, a mulher que decide fazer os seus estudos numa escola que até então não admitia senão homens. O heroísmo reconhece-se em milhares de pequenas e grandes coisas da vida quotidiana.

Os modelos de referência dos nossos antepassados eram os seus próprios deuses. Os do Olimpo, os deuses dos celtas e os dos escandinavos eram eles mesmos heróis, isto é, seres que lutavam contra o seu próprio destino, batendo-se como homens, com os seus defeitos e qualidades, à procura do seu próprio despertar.(…)»

Thomas Mastakouri, L’exemple du héros

O nexo dos anjos

classe pulhítica

“A classe política repete que a política não deve exercer funções económicas mas apenas criar um marco de condições apropriadas para que se desenvolva uma boa economia. E se reformulássemos invertendo a ideia? Diríamos: a economia não deve fazer política mas apenas criar um marco de condições apropriadas para que a política alcance as suas melhores metas: autarcia, soberania, justiça social.

Uma e outra tese são, em si mesmas, imagináveis. Estranhamente a segunda jamais foi pronunciada por um representante da classe política. Porquê? Falta de imaginação? Ou definir-se-á essa classe política como delegação do poder económico ante a massa eleitoral?”

Carlos Dufour