O gosto pela vulgaridade

by RNPD

«A incidência dos processos regressivos que descrevemos nas páginas precedentes, no plano geral dos costumes e dos gostos, manifesta-se numa das suas formas mais típicas no gosto pela vulgaridade, com o seu subsolo mais ou menos subconsciente constituído por um prazer pela degradação, pela autocontaminação. As diferentes expressões de uma tendência para a deformação e de um gosto por aquilo que é feio e baixo são-lhe próximas. (…)

Até ontem, víamos exactamente o contrário: muitas pessoas, homens e mulheres, das classes mais baixas procuravam, mais ou menos artificialmente e desajeitadamente, imitar os modos, o linguajar, o comportamento das classes superiores. Hoje faz-se o oposto e julga-se não ter preconceitos, quando na realidade se é apenas vulgar e imbecil.»

Excerto do imperdível texto “o gosto pela vulgaridade”, publicado no nº 11 do Boletim Evoliano