O projecto farol

by RNPD

“O inquérito feito pelo projecto Farol a 1002 pessoas mostra que 94% dos portugueses desconfiam ou confiam muito pouco na classe política, 89% nos partidos políticos, 84% na Assembleia da República e 90% nos governos. E, quando é pedido um diagnóstico do País, 46% consideram que as actuais condições económicas e sociais são “piores ou muito piores quando comparadas com a vida há 40 anos”. Em relação a um passado mais recente, 58% dos inquiridos entendem que a situação está pior ou muito pior do que antes da entrada na União Europeia. E o pessimismo é elevado em relação aos próximos dez anos: 53% admitem que a situação económica será pior ou muito pior.”

Resultados do inquérito do Projecto Farol sobre a situação do país

O “Projecto Farol” é um lóbi criado pelos mesmos do costume e com a agenda política do costume, não traz nada de novo à vida política nacional e não propõe qualquer alteração de paradigma político-económico, visa penas defender alguns interesses bem instalados na sociedade portuguesa e não podemos deixar de manifestar o nosso desdém pela análise que alguns dos alarves endinheirados ligados a esse projecto pretenderam fazer dos resultados acima transcritos. Desacreditar os resultados afirmando que são fruto da ignorância das pessoas, como se eles fossem parte de uma elite intelectual superior, única capaz de alcançar a verdade, enquanto todos os outros que deles discordam fossem parte de uma massa de estúpidos, é de uma baixeza assinalável. Mas, no fundo, nada disso é assim tão surpreendente, afinal de contas, não há dúvida de que o 25 de Abril foi óptimo para alguns dos mentores do “Projecto Farol”. Belmiro de Azevedo é um desses casos, homem que no Portugal democrático se passeia nas televisões com fama de grande empreendedor quando na realidade não passa de um novo-rico dono de hipermercados e cadeias de retalho que contribuem mais para aumentar a dependência nacional da importação de bens de consumo do que outra coisa qualquer, sem nada produzir que traga verdadeiramente valor acrescentado ao país e quanto a Daniel Proença de Carvalho, o excelso regime democrático permitiu, só a título de exemplo, que passasse a ganhar, em média, 15.800 euros de cada vez que perde uma hora ou duas do seu precioso tempo em reuniões de empresas do PSI 20 como “administrador não executivo”. Como é que não haviam de vir a terreiro cheios de indignação em defesa daquilo que lhes garante os privilégios vergonhosos? Paciência para eles…enquanto isso Salazar vai rindo do fundo da sua tumba. Qualquer um com responsabilidades político/empresariais neste regime, a quem restasse resíduo de dignidade, coraria de vergonha e faria uma reflexão séria sobre o estado a que chegou o sistema, mas aqueles a quem a vergonha já nada diz, limitam-se, como habitualmente, a criticar quem não vota como pretenderiam.