(Na fotografia Curtis Allgier, skinhead norte-americano a cumprir pena de prisão)
Se algum dia a minha raça for representada por indivíduos como este saberei que já não há nada a preservar. Ser de raça “branca”, como ser “negro” ou “amarelo”, não diz nada sobre o mérito ou o carácter de um homem, e certamente não constitui em si um sistema de valores. Nenhum sistema político pode resumir-se ao determinismo racial, porque a raça em si não hierarquiza uma comunidade homogénea nem lhe estabelece os princípios e os valores, não é mais que um factor, importante como outros, de caracterização da identidade colectiva, mas a partir daí é a inteligência, a força moral, ou o espírito dos homens, se quisermos, que definirá a solidez, o destino e as capacidades de uma comunidade. Da mesma forma que rejeitamos as fantasias dos que pretendem que a raça não tenha relevância para coisa alguma rejeitamos os delírios dos que pretendem que a raça baste para alguma coisa.

Cavaco Silva é a antítese de tudo aquilo em que acreditamos.
Sim…Cavaco Silva é o candidato que melhor serve os interesses dos abutres financeiros internacionais que têm vindo a destruir a identidade e a autonomia dos povos europeus desde há décadas.
Sim…Cavaco Silva é o candidato que assegura a continuidade de uma direita sem valores para além do mercado, uma direita que reduz as suas batalhas à defesa das privatizações económicas e que não tem capacidade ou força moral para se bater no campo dos princípios civilizacionais.
Mas… acima de tudo o resto, Cavaco Silva é a personificação do tipo de homem que desprezamos e que pulula na sociedade moderna e essa é a principal acusação que lhe fazemos. Talvez nenhum outro momento o exemplifique melhor do que quando Cavaco aprovou a lei que permitia o casamento homossexual ao mesmo tempo que dizia não concordar com o que acabara de aprovar. Ele podia não concordar, mas não lhe era útil reprovar, não lhe seria benéfico pessoalmente e não teria resultados práticos pois a lei voltaria a passar na Assembleia da República.
Esse é o tipo de homem da modernidade, o que pensa e age em função do que é útil, o que decide as suas causas e posições em função dos benefícios que delas pode retirar e daquilo que lhe parece pragmático, que fica do lado das causas vencedoras. Nós, ao invés, revemo-nos noutro tipo de homem, naquele que permanece fiel às suas ideias e convicções mesmo quando elas são causas perdidas e fardos pesados, mesmo quando elas não trazem mais do que dificuldades. Para além das vãs divisões ilusórias que a política moderna impõe entre esquerdas e direitas é, no fundo, na defesa de tipos psicológicos, de carácter, de atitude, de estilo, que a nossa área política se distingue (ou tenta), porque, ao contrário de outras áreas ideológicas, com os seus livros sagrados cheios de postulados teóricos e respostas para todos os problemas, explicando os passos para construir a utopia social, nós definimo-nos doutra maneira, nós definimo-nos não por conceitos escritos abstractos mas por imagens concretas dos homens, a nossa área admira um determinado tipo de homem e ambiciona comportar-se à sua altura…aristocrático, intransigente, romântico, vertical, fiel a princípios.
Tomemos o caso concreto que Spengler um dia escolheu e que tão bem serviu depois à pena de Giorgio Locchi; o daquela sentinela romana que, em Pompeia, se deixou engolir pela lava do vulcão porque nenhum superior o havia dispensado do dever. Insinuava Locchi que as sensibilidades igualitaristas que hoje abundam nos habitantes do Ocidente vêm aquela conduta como tola ou servil ou incompreensível. Mas há um certo tipo de homem que vê aquela atitude como magnânime e própria de um carácter excepcional e aristocrático. Os “Cavaco Silva” deste mundo concordam com os primeiros, nós estamos com o segundo tipo de homem. Não há nada de tolo, servil ou incompreensível naquela atitude, muito pelo contrário, aquela sentinela manteve-se no seu posto até ao fim trágico porque tinha feito um juramento, aquele soldado não agiu em função do que lhe era útil, fácil ou conveniente, mas sim para cumprir a sua palavra, o seu dever, para viver e morrer coerente com os seus princípios.
Não temos a pretensão de dizer que o que distingue os homens da nossa área ideológica é a capacidade de se comportarem à altura daquela sentinela, mas temos a pretensão de dizer que os homens da nossa área compreendem-na e admiram-na. Estivesse Cavaco no lugar daquela sentinela e teria deitado a lança ao chão e desatado a correr ao primeiro sinal de erupção do vulcão, e no final ficaria deleitado com a sua esperteza e com a utilidade e sensatez pragmática da sua actuação. Os homens da modernidade aplaudiriam e diriam sorrindo que fariam a mesma coisa, orgulhosos da sua própria astúcia. Mas os nossos, se fugissem, sentiriam certamente o peso da vergonha e reconheceriam o momento de fraqueza.
Desprezamos os homens que agem por calculismo em vez de serem coerentes com as suas convicções, isto quando as têm! Desprezamos Cavaco e o que ele personifica e temos mais respeito por aqueles que, por mais afastados que estejam das nossas ideias, têm ao menos a hombridade de defenderem as suas causas sem cedências ou vacilações.

«A partir do momento em que não levantas qualquer objecção contra a excelência do regime parlamentar, os «direitos do homem», tal como os concebem os seus defensores oficiais, a ideia da ignominia absoluta de Mussolini ou Hitler, as «reparações» devidas ao Terceiro Mundo, a elevação do nível de vida, o carácter sagrado da maioria, em todos os domínios, a cultura intelectual para todos, a legitimidade da «Resistência» armada, o «bloco» da Revolução Francesa, a pureza da infância e a generosidade da juventude, a infalibilidade da ciência e sobretudo a igualdade das raças, podes ser de direita, democrata-cristão, socialista, comunista, anarquista ou liberal, radical ou trotskista, porque isso não é mais que um caso de polémica jornalística e de lutas eleitorais. Desde que respeites os tabus essenciais, inexprimíveis, subentendidos, permanecerás na ordem burguesa, mesmo se reclamas a ditadura do proletariado e a expropriação sem indemnização dos patrões, o bacharelato para todos, o direito de voto dos escravos.»
Robert Poulet, J’accuse la bourgeoisie