Os mesmos esqueletos de sempre

by RNPD

Tantos anos depois verificamos, com pesar, que persiste o principal problema que impediu, durante décadas, o desenvolvimento do movimento nacionalista português, que continua perdido num labirinto do qual não consegue sair. E o problema é este: o movimento nacionalista continua dividido entre dois grandes grupos que não se suportam e que já deveriam, há muito, ter deixado de contar para qualquer coisa: saudosistas do salazarismo e das colónias de um lado e grupos skinheads de outro.

Os primeiros incapazes de perceber o mundo em que vivem e agarrados a uma ideia de Estado Português que já não existe – e não existirá mais – confundindo, por isso, os conceitos de Estado, Império e Nação, ou seja, confundindo a comunidade nacional com a comunidade linguística, tornam-se assim comoventes serviçais dos que pretendem a destruição etno-cultural dos povos na era da Nova Ordem Global. Muitas vezes movidos por um messianismo católico misturam, ainda por cima, a identidade nacional com o Canon da Igreja ou os interesses do Vaticano e não reconhecem quando essas coisas são opostas. O discurso permanente e repetitivo contra a revolução democrática de Abril e o regime daí saído nunca é complementado com qualquer proposta alternativa, permitindo retratá-los como nostálgicos da velha ditadura, ou ávidos de uma nova que eles próprios não conseguem explicar.

Os segundos vivem encerrados num mundo imaginário criado por Hollywood. Com um discurso básico, uma imagem excêntrica que reflecte um mau-gosto notório, e tatuagens por tudo o que é lado (alguns até no pescoço e cabeça as têm!) causam aversão na maioria da população. Dizem-se nacional-socialistas mas os antigos heróis do Terceiro Reich lutaram precisamente contra a vulgaridade dos gostos e dos hábitos que esses skinheads fazem gala de exibir. A verdade crua e dura é esta: nenhum movimento político pode ter qualquer tipo de aspiração enquanto tiver a sua imagem associada a esses grupos. Basta ouvir o povo para saber que ninguém no seu perfeito juízo entregaria os destinos da nação nas mãos de pessoas com aquele aspecto e discurso.

Oiço agora novamente muitos a falarem na necessidade de união de todas as tendências, para acabar com as divisões internas, quando na verdade, o que era verdadeiramente necessário, e desde há muito tempo, era que o movimento se livrasse daquelas duas tendências (pelo menos daquelas duas…). Não é de uma união de ineptos que o movimento precisa mas de uma ruptura com os pesos-mortos…

Um movimento nacionalista deve hoje assentar em dois pressupostos: na defesa da identidade étnica e cultural do povo e na rejeição da vulgaridade e da fealdade.