Month: Agosto, 2011

O Homem que permanece de pé entre as ruínas

Nocturne

Mourinhistas e isaltinistas

O episódio em que, aproveitando a confusão entre jogadores e técnicos do Real e do Barcelona, Mourinho, aproximando-se por trás de forma traiçoeira, agride o adjunto do clube rival, é a imagem sublimada do que ele sempre revelou ser: um mau carácter!

Infelizmente, a idolatria que em Portugal sempre se prestou àquele indivíduo revela também que uma boa parte do nosso povo não tem, igualmente, ética e verticalidade.

Em Portugal mostrou-se sempre um homem arrogante e desrespeitador dos adversários. Um hipócrita, sempre disposto a recorrer a jogos sujos quando necessário, mas muito célere em retirar todo o mérito a quem quer que lhe ganhasse (sim, porque na mente do “special one” ninguém o poderia superar por simples capacidade).

A idiolatria nacional a Mourinho revela dois vícios muito presentes no moderníssimo povinho português: um é o disfarçado complexo de inferioridade que se serve de qualquer triunfo individual para o transformar num triunfo de “todos nós”, outro é a avidez de dinheiro e fama sem olhar aos meios, para essa gente apenas importa o “sucesso”, a forma como isso se alcança é um pormenor irrelevante.

O problema é que o tipo de comportamentos que fizeram o sucesso de Mourinho em Portugal, incentivados, aliás, pelo clube que o lançou para o estrelato internacional e cuja filosofia é precisamente a de vencer a qualquer custo e servindo-se de quaisquer meios, por mais porcos que sejam, não são aceites noutros países, nem são considerados “engraçados”, ou traços de “inteligência” e “competência”, mas sim prova de torpeza. Mourinho não percebeu que em qualquer outro país do mundo que não Portugal, actos de corrupção futebolística como os que foram revelados no processo “Apito Dourado” teriam tido consequências judiciais e desportivas muito graves para os envolvidos. Se Mourinho não percebeu, a Itália já lhe tinha dado esse aviso e Espanha está a reforçar a mensagem: ou muda de atitudes ou vai enlamear outras paragens.

Os idólatras de Mourinho fazem-me lembrar os eleitores do Isaltino Morais em Oeiras: reconhecem-lhe a desonestidade e a falta de integridade moral mas isso não lhes interessa porque ele resolveu o problema do trânsito e construiu boas infra-estruturas. Aos do Mourinho não lhes interessa o carácter do homem porque ele vence, ganha muito dinheiro e tem muita fama (e ainda por cima no futebol, esse baluarte de projecção nacional no estrangeiro). É, definitivamente, a era da escória.

Repôr as hierarquias

O inimigo é o dinheiro. O reino do dinheiro é o reino do estrangeiro; é também o reino do ventre. A primeira coisa que temos a dizer é que o valor de um homem não se conta em dólares, nem a grandeza de uma nação em cifras de exportações. Acima do dinheiro colocamos o homem, acima dos valores das vendas colocamos a disciplina e a energia. Na sociedade que pretendemos o negociante deverá ser como na Índia: de uma casta abastada mas pouco respeitada. Acima há o soldado, o militante, o trabalhador. Acima dele estão todas as pessoas que fazem algo por coisa nenhuma. Porque a grandeza de uma nação está nos homens dispostos a dar tudo sem nada pedirem em troca, o seu sangue, a sua vida, a sua acção…simplesmente pela honra. Quando uma nação já não tem homens desses, deixa de ser uma nação, não é mais que um aglomerado de interesses, uma sociedade por acções, com prisões e polícias.

Maurice Bardèche

Sejamos pagãos!

Definição

Muitos crêem que viver de forma pagã consiste em dar liberdade aos seus instintos, desfazer-se de toda a ideia de pecado ou exame de consciência, comer bem, beber bem e copular melhor, ou melhor dito, um paganismo de “boulevard” no qual se alude aos actos antigos do culto a Dionísio – bacanais, embriaguez – sem advertir que aquela era a época de decadência do império grego, como também a orgiástica oriental que já foge à norma.

O paganismo é todo o contrário e põe entre o homem e o universo uma relação fundamentalmente religiosa. O paganismo é uma fé que repousa sobre a ideia do sagrado, e sagrado quer dizer respeito incondicional por alguma coisa. O paganismo não é o retorno ao passado, à origem pura, pois o antiquado cai por si mesmo; trata-se de voltar a unir a história com o hoje, unir-nos ao eterno, fazê-lo refluir, voltar à escola do mythos e da vida (Hölderlin).

O paganismo está em conformidade com as leis gerais do que é vivo.

Concepção Pagã

São pagãos todos os que dizem “sim à vida”, por isso Deus é a palavra que expressa o grande sim a todas as coisas (F. Nietzsche, o Anticristo, p.102).

Não se pode discutir que o homem é um animal, um ser físico, porém há dentro dele uma parte metafísica.

No paganismo o mundo, não sendo outro que Deus, é também perfeito e vice-versa, Deus é também imperfeito tal como é o mundo; ademais disso há uma importante visão da criação, para o pagão ao começo foi a Acção (Goethe), enquanto que em outras religiões ao começo foi o Verbo.

Não há necessidade de acreditar em Júpiter ou em Wotan para ser pagão, não há que erigir altares a Apolo ou ressuscitar o culto a Thor; implica buscar por trás da religião a maquinaria mental onde se produz o universo interior que reflecte a forma de conceber o mundo que denota considerar o seguinte:

Deuses: Centros de Valores
Crenças: Sistemas de Valores

Os Deuses e as crenças passam, porém, os valores permanecem.

Valores

Pode-se citar uma lista enorme que justifica o papel decisivo dessa fé dentro dos grandes impérios que existiram na antiguidade, entre eles:

– Ética fundamentada sobre a Honra.
– Atitude heróica diante de inconvenientes da existência.
– Exaltação e sacralização do mundo.
– A Beleza.
– O Corpo.
– A Força e a Saúde.
– Recusa dos paraísos e infernos.
– Inseparabilidade entre estética e moral.

O paganismo não poderia separar o bom do belo e isto é bastante normal, posto que o bom é acima de tudo o conjunto de formas mais excelentes deste mundo. Para os gregos a arte era a forma mais elevada sob a qual o povo representava os Deuses.

O valor de um povo ou de um homem mede-se por seu poder de colocar sobre sua experiência o selo da eternidade (Nietzsche).

Quando Paulo entra em Atenas para tratar de retirar ao povo as suas convicções ancestrais, descreve a cidade como cheia de ídolos (Actos 17), no meio desses ídolos há estátuas de divindades (17-29), porém também de filósofos, epicuristas e estóicos. O que não impede Paulo de declarar: “Atenienses, em todos os conceitos, vós sois os mais religiosos dos homens.”

Paganismo – Religião

O paganismo tem familiaridade com as religiões indo-europeias antigas (história, teologia, simbolismo, mitos, etc.). Não se trata de acumular conhecimentos das diferentes províncias da Europa pré-cristã, trata-se de identificar estas crenças, suas projecções e transposições aos valores que nos concernem enquanto herdeiros de uma cultura.

A religiosidade cósmica “pagã” está vinculada à ideia de que a vida não nunca morre, que se renova sem cessar, que a história pode regenerar-se a si mesma, que há uma eterna solidariedade dialéctica entre a vida e a morte, entre o começo e o fim, entre o homem e os Deuses, daí os sacrifícios oferecidos pelos pagãos.

A religião é indissociável do costume pagão.

A religião pagã regula situações de interesse colectivo, dedica especial atenção à pessoa tendo em conta as suas raízes, logo, no paganismo a pessoa é inseparável de sua raça e de sua família.

Politeísmo vs. Monoteísmo

O politeísmo é a visão política do “mais além”, já que nele se recorre ao pluralismo, procurando a verdadeira identidade do homem com a natureza. Há continuidade entre os seres mais humildes da natureza e os Deuses mais elevados; isto não implica igualdade, ao contrário, formam-se grupos separados e hierarquizados.

No monoteísmo todos os homens são iguais na medida em que foram criados por um único deus e não por vários.

Para o monoteísta é fundamental o perdão das ofensas e o apelo da face esquerda que se estende depois de ter sido golpeada a direita.

O politeísta apela ao “adversário fraterno”, e ambos criam o “duelo”, no qual a guerra religiosa e a luta de classes fica excluída. Prova: David mata Golias à traição.

Para o monoteísta não crer no seu deus é servir o diabo, é o ápice da blasfémia.

Para o politeísta não existe definição objectiva do mal.

No monoteísmo Deus é o único criador e criou os homens.

No politeísmo o homem cria os seus Deuses à sua imagem, dos quais oferece uma representação sublimada. Os homens superando-se a si mesmos.

O deus cristão afirma “meu reino não é deste mundo” (João 18 – 36).

O pagão acredita que um Deus que não pertence a este mundo não é um Deus, já que Deus é o elemento único e distinto deste mundo.

No monoteísmo tem-se a ideia de um deus déspota, ciumento, soberbo, o qual se considera perfeito.

O judaico-cristianismo é uma religião sem mitos.

O odinismo, o celtismo, o hinduísmo, entre outras religiões, são ricas em mitos e são os mitos que reflectem o mundo e o sacralizam.

No politeísmo os Deuses combatem com os homens e também entre eles – a Ilíada. Zeus e Odin são soberanos, não déspotas. Cria-se também a figura do herói, que é um intermediário entre os dois níveis, quer dizer, um semideus.

Os Deuses são homens imortais e os homens são Deuses mortais. Nossa vida é a sua morte e a nossa morte é a sua vida.

Para os cristãos o mundo é “um vale de lágrimas”; para os judeus entre deus e a criação há um vazio.

Para os pagãos a consciência humana pertence ao mundo, pelo que não se encontra dissociada da substância de Deus.

Para o cristão não há curiosidade por nada após ter encontrado a Jesus Cristo.

O pagão não põe limites na sua espiritualidade.

Em resumo, o mártir monoteísta é o extremo oposto do herói pagão. O monoteísta não pode ser orgulhoso, deve ser humilde e rogar por um espaço no céu, enquanto que o pagão é orgulhoso e irrompe no mais além reclamando o seu pedaço de “céu”.

A ideia de que um ser humano possa converter-se após a morte em alguém semelhante a um Deus era corrente na antiguidade e assim demonstram-no grande número de inscrições sobre pedras sepulcrais das épocas helenística e romana. O paganismo de hoje propõe ao homem, no curso de sua vida, a superação sobre si mesmo e participar assim da substância divina. O homem, se foi criado, deverá ultrapassar seu criador da maneira que os filhos ultrapassam seus pais.

Caim foi um homem da revolução neolítica, agricultor enraizado à terra que Jeová amaldiçoou por causa de Adão. Como seu pai Adão, Caim faz prova de orgulho e é por essa razão que é condenado. A morte de Abel não é senão a recusa de Caim em humilhar-se e arrepender-se. Caim foi pois homem civilizador por excelência; dizer-se filho de Caim é dizer-se homem de cultura e civilização.

O paganismo não pode menos que reagir contra o tema cristão da depravação do homem pelo pecado original. Pelo contrário, o homem pode conferir um sentido à sua vida, que não tem que ser lavado de um pecado original hereditário pela mediação de um redentor. O homem, segundo o pensamento pagão, deve assim conhecer a possibilidade de uma união consubstancial com o divino.

Não se trata pois de pôr o homem no lugar de Deus. O homem não é Deus. O homem não deve ambicionar converter-se em Deus, senão, imitando os Deuses, tornar-se como os Deuses.

A intolerância dos povos semíticos é a consequência necessária de seu monoteísmo. Os povos indo-europeus, antes de sua conversão às ideias semíticas, não haviam tomado jamais sua religião como a verdade absoluta, senão como uma espécie de herança de família ou de casta, estranha ao proselitismo.

O paganismo, ao contrário do monoteísmo, é tolerante por natureza e sempre induz à comparação. Enquanto que na época antiga a luta do monoteísmo contra a idolatria autoriza o assassinato (Deut. 13, 7-10).

Conclusão

Na medida em que tudo que é grande e forte era concebido como sobre-humano, como estranho ao homem, o homem reduzia-se e repartia entre duas esferas seus aspectos: um detestável e débil, outro forte e surpreendente. À primeira esfera chama-se homem, e à segunda chama-se Deus (Nietzsche).

Sejamos livres!
Sejamos selvagens!
Sejamos pagãos!

Alain de Benoist (traduzido para português em Legio Victrix e com ligeiras adaptações minhas)

A vista sobre Budapeste está cada vez mais bela

“Em vésperas da visita de Hillary Clinton a Budapeste, os húngaros rebaptizaram a Praça Roosevelt, passando a Praça Széchenyi, nome de um escritor, político e estadista nacionalista do século XIX. Uma escolha muito simbólica que atesta a passagem de um estado de subordinação para um de brio na independência. Consternação e raiva no lado dos democratas pró-atlantistas, cortesãos frustrados da visitante.”

Via NoReporter

Desenvolvimento?

Também suspeito o mesmo…

“Suspeito que muitas das grandes mudanças culturais que abrem caminho para a mudança política são largamente fenómenos estéticos” – J.G.Ballard

Caos, motins e raças

All pigs must die!

É verdade, meus amigos, os Death in June irão mesmo estar em Lisboa. Vai ser épico! Informações e reservas em: deathinjuneportugal@yahoo.com