Mourinhistas e isaltinistas

by RNPD

O episódio em que, aproveitando a confusão entre jogadores e técnicos do Real e do Barcelona, Mourinho, aproximando-se por trás de forma traiçoeira, agride o adjunto do clube rival, é a imagem sublimada do que ele sempre revelou ser: um mau carácter!

Infelizmente, a idolatria que em Portugal sempre se prestou àquele indivíduo revela também que uma boa parte do nosso povo não tem, igualmente, ética e verticalidade.

Em Portugal mostrou-se sempre um homem arrogante e desrespeitador dos adversários. Um hipócrita, sempre disposto a recorrer a jogos sujos quando necessário, mas muito célere em retirar todo o mérito a quem quer que lhe ganhasse (sim, porque na mente do “special one” ninguém o poderia superar por simples capacidade).

A idiolatria nacional a Mourinho revela dois vícios muito presentes no moderníssimo povinho português: um é o disfarçado complexo de inferioridade que se serve de qualquer triunfo individual para o transformar num triunfo de “todos nós”, outro é a avidez de dinheiro e fama sem olhar aos meios, para essa gente apenas importa o “sucesso”, a forma como isso se alcança é um pormenor irrelevante.

O problema é que o tipo de comportamentos que fizeram o sucesso de Mourinho em Portugal, incentivados, aliás, pelo clube que o lançou para o estrelato internacional e cuja filosofia é precisamente a de vencer a qualquer custo e servindo-se de quaisquer meios, por mais porcos que sejam, não são aceites noutros países, nem são considerados “engraçados”, ou traços de “inteligência” e “competência”, mas sim prova de torpeza. Mourinho não percebeu que em qualquer outro país do mundo que não Portugal, actos de corrupção futebolística como os que foram revelados no processo “Apito Dourado” teriam tido consequências judiciais e desportivas muito graves para os envolvidos. Se Mourinho não percebeu, a Itália já lhe tinha dado esse aviso e Espanha está a reforçar a mensagem: ou muda de atitudes ou vai enlamear outras paragens.

Os idólatras de Mourinho fazem-me lembrar os eleitores do Isaltino Morais em Oeiras: reconhecem-lhe a desonestidade e a falta de integridade moral mas isso não lhes interessa porque ele resolveu o problema do trânsito e construiu boas infra-estruturas. Aos do Mourinho não lhes interessa o carácter do homem porque ele vence, ganha muito dinheiro e tem muita fama (e ainda por cima no futebol, esse baluarte de projecção nacional no estrangeiro). É, definitivamente, a era da escória.