Month: Novembro, 2011

Coisas incorrectas!

Sê boa, diz-me coisas incorrectas
do ponto de vista político.

Um exemplo: que és loira e que fumas.
Que não crês que o Ocidente
seja um monstro de barbárie
dedicado à sórdida tarefa
de oprimir o planeta.

Outro exemplo: que o multiculturalismo
é um novo fascismo
Só que mais tacanho
ou que te divertes a desancar um pedagogo
ou um psicólogo
e que o mediterrâneo te horroriza.

Diz-me coisas que me levem à fogueira…
directamente. Diz-me, diz-me, diz-me atrocidades
Que questionem verdades absolutas
como: “eu não creio na igualdade”
ou diz-me, diz-me coisas terríveis
como: que tu me queres
ainda que eu não seja do teu sexo.
Que me queres
com loucura e para sempre
como queriam antes
as mulheres da terra.
(…)

Não vim aqui para fazer amigos
mas sabes que podes sempre contar comigo.
Dizem que sou um tanto animal,
mas no fundo sou um sentimental.
A minha família não é gente normal
são de outra época e corte moral.
Resolvem os seus problemas de forma natural.
Para quê discutir, se podes lutar.
Dá-me um sorriso de cumplicidade
E toda a tua vida se deterá.
Nada será o mesmo, nada será igual,
já sabes…
Feio, forte e formal.
No calor da noite, em plena luz do dia,
sempre disposto a alegrar-te o dia.
Homem de bem
de carta cabal
e como o DUQUE:
Feio, forte e formal.
A minha fama me precederá
até ao infinito e mais para lá.
E por Deus, que escrito está:
«Se te dou a minha palavra,
nunca se romperá»

Burn!

Entrevista a Gustavo Zerbino

Aproveitando a deslocação da selecção nacional de rugby do Uruguai o jornal “A Bola” entrevistou o presidente da federação daquele país, Gustavo Zerbino, um dos sobreviventes do tragicamente célebre desastre aéreo dos Andes, que obrigou, inclusive, os sobreviventes a alimentarem-se do cadáver dos companheiros mortos para poderem sobreviver. Uma entrevista deveras interessante, e sem os clichés habituais, talvez porque nada na vida daquele homem tenha sido vulgar, e da qual destacamos estes excertos:

«Hoje, com a crise económica, acha que as pessoas choram demais?

– A crise não é económica. É mentira. Há crise de valores e princípios. A sociedade de consumo busca a gratificação instantânea e consome coisas, inventa coisas de que não precisa, coisas que as pessoas não só não têm tempo para viver como não têm dinheiro para pagar. É angustiante. A felicidade não é um destino, não é ter as coisas, a felicidade é a viagem. Primeiro é preciso ser, depois fazer, e depois, sim, virá um resultado feliz. Na sociedade em que vivemos, vivemos em mentiras. Pensamos demais em sortes e azares.

Não crê no acaso, na sorte?

– Não. É tudo trabalho a 99% e sorte no 1% que falta. Quanto mais trabalhas, mais sorte tens. Se cais, levanta-te. Na sociedade actual, o hábito é cair e ficar quieto, à espera que se resolva, que alguém resolva, que alguém ajude. Em Montevideu, em Lisboa, em Madrid, o desporto nacional é a queixa. Vivemos a chorar pelo chefe, pelo vizinho, pelo que seja, é um auto-boicote.

Com certeza que alguém se queixou na cordilheira dos Andes durante o acidente. Não?

– Sim, mas quem se queixava era ignorado, porque era um terrorista das acções em marcha, perturbava o esforço dos outros. A gente que se queixa é porque ainda está bem. A gente que está realmente a sofrer aperta os punhos, ferra os dentes e age. Temos de transformar os problemas em oportunidades, mas para isso temos de lutar contra a mente que te diz que és feio, não prestas, não te ajudam, és um burro…Desculpas!»

Mentalidade de esquerda

A forma como a esquerda acusa constantemente a Alemanha de ser culpada pela crise que afectou uma parte da Europa do sul, ou de não ser solidária com o resto da Europa, querendo que os alemães assumam, para saldar essa suposta culpa, as dívidas dos outros, é própria da natureza ideológica da esquerda.

A esquerda vive, tradicionalmente, do culto da vitimização do “fraco” e da culpabilização do “forte”. Os princípios de responsabilização própria são estranhos à esquerda. O fraco nunca o é por culpa das suas próprias limitações ou falhas mas sim porque é oprimido, enganado ou explorado pelo forte. A culpa nunca é do indivíduo, mas sim da sociedade, que não assume o seu dever de o tornar igual.

Se os governantes alemães pensaram a U.E. como uma forma de beneficiar a Alemanha e o seu povo fizeram muito bem. Quem, no sul da Europa, andou anos a aceitar subsídios para deixar de produzir e proceder à desindustrialização do próprio país, fez muito mal. Enquanto uns pensaram na sua pátria a médio-longo prazo, outros pensaram no seu bolso a curto prazo. A estupidez e a incompetência não têm nem devem de ser indemnizadas.

A mentalidade que sobressai nos constantes pedidos de solidariedade e ajuda, nas tentativas de obrigar o norte mais rico a partilhar os custos da falta de rigor, seriedade política e competência do sul, é equivalente à do inútil que não quis trabalhar ou não conseguiu produzir nada com excelência mas que se acha no direito de exigir subsídios aos que trabalharam mais e melhor.

Mas o que não é de esquerda vê o mundo de outra forma. Tem orgulho e não mendiga. Sente vergonha da sua própria ingenuidade quando compreende que foi iludido e sente vergonha das suas próprias incapacidades quando comparado com os que lhe foram superiores. Ele não esmola, armado em vítima, culpabilizando pela sua situação os que foram melhores ou mais inteligentes, nem sequer os que o enganaram. Põe as mãos no solo, levanta os joelhos do chão, aguenta em silêncio as dores, e diz: “muito bem, assumo as minhas próprias falhas, vou superar isto com o meu próprio esforço e sacrifício, sem ajudas, mas, nem que seja a última coisa que faça, prometo-vos que voltarei para vos olhar de cima!”

Escolhas que revelam a índole da nossa “classe pulhítica”

(…)Portugal é um dos países que mais depressa celebrarão mil anos de independência.Isto se resistir até 2143. Ou, pelo menos, soprar 900 velas daqui a 32 anos, o que muitos de nós iremos testemunhar. Portugal pode consegui-lo, mas tem contra si tanto problemas económicos estruturais quanto a erosão da vontade de existir como Nação.

É neste quadro que aparece a proposta do Governo para abdicar do feriado de 1 de Dezembro, que celebra o dia em que os Restauradores puseram fim a 60 anos de domínio de Madrid.

Sendo certo que há poucos feriados para oferecer em troca dos religiosos – e que o 10 de Junho está fora dessas contas –, Portugal ficará a ser um dos raros países a deixarem de celebrar a libertação de uma potência estrangeira. Pelo contrário, os países bálticos celebram em duas datas diferentes o adeus ao Império Russo e à União Soviética.

Por cá, faltou coragem para assumir que o 25 de Abril, como simples mudança de regime, era um candidato mais óbvio a juntar-se ao 5 de Outubro entre os ex-feriados. Isso afrontaria mais gente do que varrer a independência para debaixo do tapete. Infelizmente.

Leonardo Ralha, Desistir da Restauração, Correio da Manhã

Comentário mais votado entre os leitores:

“o 25 de Abril é um grande dia para os políticos e para as chefias militares, pois foi o dia que lhes permitiu seguir uma carreira onde é possível enriquecerem.”

Lógica liberal

Os liberais explicam-nos que o Estado português teve e tem de privatizar o capital das empresas estratégicas nacionais (o Estado é mau). Mas não vêem inconveniente na compra desse capital estratégico por investidores ligados a governos estrangeiros, por sinal corruptos (o mercado é bom). A partir da perspectiva que os liberais têm da economia percebe-se a lógica. A partir da perspectiva que os liberais têm do interesse nacional…percebe-se a lógica.

Encruzilhada

«Admitamos um cenário de saída [do euro], com um euro a valer 200$00 mas objecto de uma desvalorização de 30% logo a seguir. Assumamos ainda para o PIB um valor de €165 mil milhões e uma dívida externa de valor equivalente. Neste caso, o PIB passava a medir-se por 33 mil milhões de contos. Mas, como os 200$00 valiam apenas 0,7 euros, a dívida externa pulava para 47 mil milhões, 43% mais. A primeira consequência era negativa.

Mas é no plano social que as comparações devem ser feitas. Do lado das empresas, e uma vez que o preço das exportações baixava, passaríamos a vender mais e a criar mais postos de trabalho: seria óptimo. Mas em termos de poder de compra, e uma vez que o preço das importações subia, os mesmos escudos compravam agora menos coisas e o nível de vida regredia: seria péssimo. Estaremos disponíveis para trocar menos salários por mais emprego?»
Daniel Amaral, Diário Económico de 19/02/2010

O cenário que Daniel Amaral aqui apresenta, de forma naturalmente muito resumida, tem cada vez mais de começar a ser pensado como uma das escolhas que ainda estão nas nossas mãos, enquanto nação. É evidente que, entre prepararmos a saída do Euro com tempo e planeamento, como sugere o Prof. Ferreira do Amaral e sermos forçados a sair do Euro por incapacidade de lá permanecer, a primeira opção é preferível e minoraria os custos sociais e económicos dessa saída.

Em boa verdade, e depois de ultrapassada a fase mais penosa de reintrodução do escudo, i.e., a fase de ajustamento, esta opção traria ainda um outro risco a longo prazo: num Estado tradicionalmente despesista, contaminado por nomeações partidárias e por cunhas, a disponibilização de um instrumento de política monetária que permitisse a manipulação da taxa cambial á vontade, acarretaria o risco de voltarmos, em poucos anos, a não ter contenção com a despesa pública, que foi algo a que, apesar de tudo, o euro obrigou e tem obrigado, com os custos que conhecemos. Isto significa que esta revolução económica deveria, idealmente, ser acompanhada de uma revolução total na classe política portuguesa, com gente consciente de que os novos instrumentos obrigariam a novas e acrescidas responsabilidades. Caso contrário voltaríamos rapidamente aos mesmos problemas de contas públicas, com ou sem moeda própria.

O problema é que a alternativa de permanência no Euro afigura-se cada vez mais como um beco sem saída e em condições humilhantes. Aqueles que nos estão a conceder os empréstimos, a taxas que aliás não sabemos como e quando iremos conseguir pagar, impõem-nos como condição o empobrecimento definitivo da nossa mão de obra, aconselhando inclusive que seja facilitada a entrada de mão-de-obra do norte de África, para baixar os nossos custos de produção (salários). Ou seja, o trade-off que nos é proposto para salvar no imediato a nossa economia da falência passa por transformar Portugal num espaço de mão-de-obra barata dentro da EU, um sítio onde, quando necessário, se possam colocar empresas europeias que precisem de baixos custos de produção, de onde se possam importar alguns bens baratos e onde certos serviços (sobretudo de lazer) sejam disponibilizados aos europeus do norte a baixo preço, como o turismo. O que nos propõem é que assumamos o papel de criadagem empobrecida e agradecida, e consciente do seu lugar, da Europa mais rica.

Quem compete através dos baixos salários e de fracos sistemas de protecção social são países como a Nigéria, a China ou o Paquistão. Até que ponto devem os portugueses empobrecer para serem competitivos com esses países nos mercados internacionais? Isso é aceitável? E alguém acha que isso é possível enquanto exportarmos em euros, que é uma das moedas mais caras do mundo e feita à medida de economias altamente industrializadas como a alemã?

Por outro lado, a ideia de que podemos evitar competir com o terceiro mundo através dos baixos custos produtivos pressupõe uma ideia fantasiosa do país e que alguns costumam debitar nas televisões: a de que, em vez disso, passaremos a competir com os países mais desenvolvidos, porque, por algum milagre, surgirão não se sabe de onde, um conjunto de empresas portuguesas, não de serviços ou construção mas produtivas, capazes de competir nos mercados de produtos de alto valor acrescentado que valem pela sua qualidade e diferenciação. Aqui o euro não seria um factor de desvantagem competitiva porque os mercados desses produtos são por natureza caros – a qualidade paga-se – e os concorrentes têm moedas fortes. Isto é certamente uma formulação bonita quando é feita nas televisões, mas, até ao momento, não passa de uma utopia. Não temos nem teremos essa estrutura produtiva, pelo menos nos anos mais próximos. Qual é então o nosso futuro com uma moeda tão cara como o euro e completamente desajustada das necessidades competitivas de economias como a portuguesa nos mercados internacionais?

O sistema de reservas fraccionárias da Banca é uma farsa


(Rene Magritte, Les complices du magicien, 1926)

«De onde é que veio o dinheiro? Veio – e isto é a coisa mais importante que importa reter sobre a banca moderna – do nada. Os bancos comerciais, isto é, os bancos que funcionam com reservas fraccionárias, criam dinheiro a partir do nada. Essencialmente fazem-no da mesma maneira que os falsificadores. Também os falsificadores criam dinheiro a partir do nada, imprimindo papel que passa por dinheiro. Deste modo extraem fraudulentamente recursos do público, das pessoas que genuinamente ganharam o seu dinheiro. Da mesma maneira, os bancos que operam através das reservas fraccionárias contrabandeiam recibos de depósitos, depósitos que depois circulam pelo público como equivalentes a dinheiro. Há uma excepção a esta comparação, é que a lei recusa-se a tratar esses depósitos como falsificações.

Uma outra forma de olhar para a falta de solidez essencial e inerente do sistema de reservas fraccionárias da Banca é lembrar uma regra crucial de um sistema financeiro sólido, uma regra que é cumprida em todo o lado excepto no negócio bancário: nomeadamente, que a estrutura temporal (ou seja, o prazo) dos activos da firma não deve ser mais longa do que a estrutura temporal dos seus compromissos ou responsabilidades. Sucintamente, suponha que uma firma tem uma dívida de $1 milhão a pagar aos credores até ao próximo 1 de Janeiro, e $5 milhões até ao 1 de Janeiro seguinte. Terá de arranjar forma de ter activos disponíveis no mesmo montante naquelas datas, ou um pouco antes. Ou seja, terá 1 milhão a entrar, disponível, no dia 1 de Janeiro ou um pouco antes, e $5 milhões no mesmo dia do ano seguinte. A estrutura temporal dos seus activos não é mais alargada, preferencialmente até deverá ser um pouco mais curta, do que o prazo de liquidação das suas responsabilidades.

Mas os bancos de depósitos não respeitam e não podem respeitar esta regra. Pelo contrário, as suas responsabilidades – os seus depósitos – são devidas no imediato, assim que forem pedidas pelos depositantes, enquanto os seus empréstimos aos devedores só estarão, inevitavelmente, disponíveis após algum período de tempo, mais curto ou mais longo, conforme o caso. Os activos de um Banco são sempre a mais longo prazo do que as suas responsabilidades, que são imediatas. Posto de outra maneira, um Banco está sempre inerentemente falido, e ficaria de facto falido se todos os seus depositantes se apercebessem que o dinheiro que acreditam ter disponível quando quiserem não está realmente lá.»

Murray Rothbard, in The Mystery of Banking, pgs.98,99, Ludwing von Mises Institute, Auburn, Alabama

Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade

«”O sistema de justiça português é constituído por lojas maçónicas e controlado pela maçonaria. Além de controlar as decisões dos processos – incluindo os casos da Universidade Moderna, Portucale, Casa Pia, Apito Dourado e Isaltino Morais -, controla igualmente a carreira dos juízes e dos magistrados do Ministério Público e dos altos funcionários do Estado”, diz José da Costa Pimenta, em carta para a actual ministra e os principais protagonistas do sector.

As acusações vão surgir em livro. Eis os vários processos:

CTT: (Citações do Ministério Público) Em escutas telefónicas, um indivíduo faz alusões à sua condição de maçom para obter informações do caso da venda de prédios

Moderna: (Citações do Ministério Público) Uma conspiração maçónica, com a Moderna como ponto de reunião, para tomar conta das estruturas do poder em Portugal, é revelada num documento de Nandim de Carvalho.

Portucale: (Citações de Abel Pinheiro) Nos governos de Guterres, o GOL era conhecido por o “gabinete”, dado o número de socialistas por metro quadrado. (…) É uma rede de relações humanas única.»

In Diário de Notícias, 13-11-2011

O problema

O Diário de Notícia levou a cabo, de 12 a 14 de Novembro, uma interessante investigação sobre as teias de influência das lojas maçónicas em Portugal. Das maiores empresas, passando pelos partidos políticos, com particular incidência no PS (conhecido como o braço político da maçonaria irregular portuguesa, nomeadamente do “famigerado” GOL – Grande Oriente Português), pelos tribunais, pelas forças se segurança e forças armadas, pelos serviços secretos e acabando, naturalmente, nos principais cargos dirigentes do aparelho de Estado, uma grande parte dos principais responsáveis são membros da maçonaria. Isto implica a suspeita de que uma parte importante dos cargos de poder do país são decididos e atribuídos em reuniões secretas de grupos secretos e não são o resultado de processos de decisão abertos, transparentes e assentes exclusivamente no valor pessoal e não na pertença a determinadas redes grupais de influência. A maçonaria é, pois, uma inversão e uma perversão daquilo que é, idealmente, uma sociedade de mérito.

O estafado argumento maçónico

Num artigo sobre o assunto de 14-11-2011, Ferreira Fernandes levanta a questão fulcral: Por que razão a maçonaria, as suas práticas e os seus membros são secretos? Escreve o jornalista: “O culto do segredo, por tão anacrónico, hoje, entende-se mal. A explicação mais imediata é que os maçons ganham por o ser, e fazem-no em segredo para ganharem ainda mais. Mas, ontem, António Reis, que liderou o Grande Oriente Lusitano, disse ao DN que não: serem maçons “pode-lhes causar dificuldades nas suas carreiras profissionais”. Engraçado, tinha ideia do contrário: os maçons que exercem a minha profissão são mais do género de terem estátua sem eu saber porquê do que não a terem embora a merecessem.”

Pois…este é que é o cerne do problema: os maçons pretendem continuar a sê-lo em segredo porque isso os beneficia nos negócios e nas nomeações, porque saber quem são explicaria como é que alguns nomes de honestidade duvidosa e méritos incomprovados conseguem certos lugares…bastaria saber “quem nomeou os nomeados” para se perceber qual a ligação entre uns e outros. Assim, permanecendo em segredo, os membros da organização podem continuar a encher os cargos directivos sem que se estabeleça a ligação que explica certas ascensões profissionais, ou sem que se perceba por que razão o Estado subsidia, com o dinheiro de todos, certas instituições ou faz certos negócios com determinados particulares.

Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade política

Ninguém pretende impedir os maçons de o serem, e de procurarem nas lojas o tal “aperfeiçoamento espiritual” que, pelo visto, não conseguem alcançar por outros meios ou vias. O que se pretende é que nas lojas não se prepare o “aperfeiçoamento profissional e salarial” dos maçons à custa dos portugueses sem loja e do bom funcionamento do Estado.

Repare-se que mesmo nas organizações que têm por objectivo a tomada do poder político (algo que a maçonaria nega ter por finalidade), isto é, os partidos, a lei exige, apesar do direito de reserva da lista de filiados, princípios de transparência. Da lei dos partidos políticos:

Artigo 6.º

Princípio da transparência

1- Os partidos políticos prosseguem publicamente os seus fins.
2- A divulgação pública das actividades dos partidos políticos abrange
obrigatoriamente:
a) Os estatutos;
b) A identidade dos titulares dos órgãos;
c) As declarações de princípios e os programas;
d) As actividades gerais a nível nacional e internacional.
3- Cada partido político comunica ao Tribunal Constitucional, para efeito de anotação, a identidade dos titulares dos seus órgãos nacionais após a respectiva eleição, assim como os estatutos, as declarações de princípios e o programa, uma vez aprovados ou após cada modificação.
4- A proveniência e a utilização dos fundos dos partidos são publicitadas nos termos estabelecidos na lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais.

Assim, a bem da transparência e da verdade cívica, uma exigência e uma exigência apenas se deve colocar à maçonaria: conhecer os nomes dos seus membros – no mínimo dos que servem o Estado – e as suas – da maçonaria – actividades gerais. O que não conspira não teme, o que é honroso não precisa de se esconder, as práticas viciosas e as ideias inconfessáveis é que precisam de secretismo para se defenderem e propagarem. “Discreta” é a máfia. Em prol de uma comunidade aberta e não de uma chusma sombria.

Isto pode ser feito através de uma petição popular que reúna as assinaturas necessárias para levar esta exigência ao Parlamento. Nem que seja para ver quem são os “irmãos” que lá estarão para rejeitar a proposta de forma a protegerem os seus interesses privados.

Não percebo o que espera o movimento nacionalista, por que não através do próprio PNR, para iniciar esta luta.

O nome é Legião, o caminho é tradição, o estilo é acção!