Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade

by RNPD

«”O sistema de justiça português é constituído por lojas maçónicas e controlado pela maçonaria. Além de controlar as decisões dos processos – incluindo os casos da Universidade Moderna, Portucale, Casa Pia, Apito Dourado e Isaltino Morais -, controla igualmente a carreira dos juízes e dos magistrados do Ministério Público e dos altos funcionários do Estado”, diz José da Costa Pimenta, em carta para a actual ministra e os principais protagonistas do sector.

As acusações vão surgir em livro. Eis os vários processos:

CTT: (Citações do Ministério Público) Em escutas telefónicas, um indivíduo faz alusões à sua condição de maçom para obter informações do caso da venda de prédios

Moderna: (Citações do Ministério Público) Uma conspiração maçónica, com a Moderna como ponto de reunião, para tomar conta das estruturas do poder em Portugal, é revelada num documento de Nandim de Carvalho.

Portucale: (Citações de Abel Pinheiro) Nos governos de Guterres, o GOL era conhecido por o “gabinete”, dado o número de socialistas por metro quadrado. (…) É uma rede de relações humanas única.»

In Diário de Notícias, 13-11-2011

O problema

O Diário de Notícia levou a cabo, de 12 a 14 de Novembro, uma interessante investigação sobre as teias de influência das lojas maçónicas em Portugal. Das maiores empresas, passando pelos partidos políticos, com particular incidência no PS (conhecido como o braço político da maçonaria irregular portuguesa, nomeadamente do “famigerado” GOL – Grande Oriente Português), pelos tribunais, pelas forças se segurança e forças armadas, pelos serviços secretos e acabando, naturalmente, nos principais cargos dirigentes do aparelho de Estado, uma grande parte dos principais responsáveis são membros da maçonaria. Isto implica a suspeita de que uma parte importante dos cargos de poder do país são decididos e atribuídos em reuniões secretas de grupos secretos e não são o resultado de processos de decisão abertos, transparentes e assentes exclusivamente no valor pessoal e não na pertença a determinadas redes grupais de influência. A maçonaria é, pois, uma inversão e uma perversão daquilo que é, idealmente, uma sociedade de mérito.

O estafado argumento maçónico

Num artigo sobre o assunto de 14-11-2011, Ferreira Fernandes levanta a questão fulcral: Por que razão a maçonaria, as suas práticas e os seus membros são secretos? Escreve o jornalista: “O culto do segredo, por tão anacrónico, hoje, entende-se mal. A explicação mais imediata é que os maçons ganham por o ser, e fazem-no em segredo para ganharem ainda mais. Mas, ontem, António Reis, que liderou o Grande Oriente Lusitano, disse ao DN que não: serem maçons “pode-lhes causar dificuldades nas suas carreiras profissionais”. Engraçado, tinha ideia do contrário: os maçons que exercem a minha profissão são mais do género de terem estátua sem eu saber porquê do que não a terem embora a merecessem.”

Pois…este é que é o cerne do problema: os maçons pretendem continuar a sê-lo em segredo porque isso os beneficia nos negócios e nas nomeações, porque saber quem são explicaria como é que alguns nomes de honestidade duvidosa e méritos incomprovados conseguem certos lugares…bastaria saber “quem nomeou os nomeados” para se perceber qual a ligação entre uns e outros. Assim, permanecendo em segredo, os membros da organização podem continuar a encher os cargos directivos sem que se estabeleça a ligação que explica certas ascensões profissionais, ou sem que se perceba por que razão o Estado subsidia, com o dinheiro de todos, certas instituições ou faz certos negócios com determinados particulares.

Uma exigência necessária sob a forma de uma oportunidade política

Ninguém pretende impedir os maçons de o serem, e de procurarem nas lojas o tal “aperfeiçoamento espiritual” que, pelo visto, não conseguem alcançar por outros meios ou vias. O que se pretende é que nas lojas não se prepare o “aperfeiçoamento profissional e salarial” dos maçons à custa dos portugueses sem loja e do bom funcionamento do Estado.

Repare-se que mesmo nas organizações que têm por objectivo a tomada do poder político (algo que a maçonaria nega ter por finalidade), isto é, os partidos, a lei exige, apesar do direito de reserva da lista de filiados, princípios de transparência. Da lei dos partidos políticos:

Artigo 6.º

Princípio da transparência

1- Os partidos políticos prosseguem publicamente os seus fins.
2- A divulgação pública das actividades dos partidos políticos abrange
obrigatoriamente:
a) Os estatutos;
b) A identidade dos titulares dos órgãos;
c) As declarações de princípios e os programas;
d) As actividades gerais a nível nacional e internacional.
3- Cada partido político comunica ao Tribunal Constitucional, para efeito de anotação, a identidade dos titulares dos seus órgãos nacionais após a respectiva eleição, assim como os estatutos, as declarações de princípios e o programa, uma vez aprovados ou após cada modificação.
4- A proveniência e a utilização dos fundos dos partidos são publicitadas nos termos estabelecidos na lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais.

Assim, a bem da transparência e da verdade cívica, uma exigência e uma exigência apenas se deve colocar à maçonaria: conhecer os nomes dos seus membros – no mínimo dos que servem o Estado – e as suas – da maçonaria – actividades gerais. O que não conspira não teme, o que é honroso não precisa de se esconder, as práticas viciosas e as ideias inconfessáveis é que precisam de secretismo para se defenderem e propagarem. “Discreta” é a máfia. Em prol de uma comunidade aberta e não de uma chusma sombria.

Isto pode ser feito através de uma petição popular que reúna as assinaturas necessárias para levar esta exigência ao Parlamento. Nem que seja para ver quem são os “irmãos” que lá estarão para rejeitar a proposta de forma a protegerem os seus interesses privados.

Não percebo o que espera o movimento nacionalista, por que não através do próprio PNR, para iniciar esta luta.