O sistema de reservas fraccionárias da Banca é uma farsa

by RNPD


(Rene Magritte, Les complices du magicien, 1926)

«De onde é que veio o dinheiro? Veio – e isto é a coisa mais importante que importa reter sobre a banca moderna – do nada. Os bancos comerciais, isto é, os bancos que funcionam com reservas fraccionárias, criam dinheiro a partir do nada. Essencialmente fazem-no da mesma maneira que os falsificadores. Também os falsificadores criam dinheiro a partir do nada, imprimindo papel que passa por dinheiro. Deste modo extraem fraudulentamente recursos do público, das pessoas que genuinamente ganharam o seu dinheiro. Da mesma maneira, os bancos que operam através das reservas fraccionárias contrabandeiam recibos de depósitos, depósitos que depois circulam pelo público como equivalentes a dinheiro. Há uma excepção a esta comparação, é que a lei recusa-se a tratar esses depósitos como falsificações.

Uma outra forma de olhar para a falta de solidez essencial e inerente do sistema de reservas fraccionárias da Banca é lembrar uma regra crucial de um sistema financeiro sólido, uma regra que é cumprida em todo o lado excepto no negócio bancário: nomeadamente, que a estrutura temporal (ou seja, o prazo) dos activos da firma não deve ser mais longa do que a estrutura temporal dos seus compromissos ou responsabilidades. Sucintamente, suponha que uma firma tem uma dívida de $1 milhão a pagar aos credores até ao próximo 1 de Janeiro, e $5 milhões até ao 1 de Janeiro seguinte. Terá de arranjar forma de ter activos disponíveis no mesmo montante naquelas datas, ou um pouco antes. Ou seja, terá 1 milhão a entrar, disponível, no dia 1 de Janeiro ou um pouco antes, e $5 milhões no mesmo dia do ano seguinte. A estrutura temporal dos seus activos não é mais alargada, preferencialmente até deverá ser um pouco mais curta, do que o prazo de liquidação das suas responsabilidades.

Mas os bancos de depósitos não respeitam e não podem respeitar esta regra. Pelo contrário, as suas responsabilidades – os seus depósitos – são devidas no imediato, assim que forem pedidas pelos depositantes, enquanto os seus empréstimos aos devedores só estarão, inevitavelmente, disponíveis após algum período de tempo, mais curto ou mais longo, conforme o caso. Os activos de um Banco são sempre a mais longo prazo do que as suas responsabilidades, que são imediatas. Posto de outra maneira, um Banco está sempre inerentemente falido, e ficaria de facto falido se todos os seus depositantes se apercebessem que o dinheiro que acreditam ter disponível quando quiserem não está realmente lá.»

Murray Rothbard, in The Mystery of Banking, pgs.98,99, Ludwing von Mises Institute, Auburn, Alabama