Categoria: Internacional

Temos de ser o esgoto do mundo inteiro

Mais de um milhar de imigrantes africanos chegaram à ilha italiana de Lampedusa, num dia apenas…é a Europa transformada no esgoto do mundo, incapaz de se defender, cheia de medo da culpabilização colonialista.

Reescrever os clássicos

Depois das várias acções levada a cabo na Europa para proibir a venda do álbum de banda desenhada “Tintim no Congo”, sob a acusação de retratar os negros como seres infantis, pouco inteligentes e de feições “amacacadas”, chegou agora a vez dos grandes clássicos da literatura mundial serem alvo de uma “re-escritura”. Nos Estados Unidos uma nova edição das Aventuras de Huckleberry Finn, clássico de Mark Twain que desde há décadas faz parte dos currículos escolares norte-americanos, propõe um texto alterado, substituindo as palavras “niger” por “slave” e “injun” por “indian”. Aparentemente alguns consideram a versão original do autor ofensiva e para evitar a censura de algumas escolas achou-se mais adequado reescrever o livro de forma politicamente mais correcta. Não precisamos de chegar a queimar livros, a sociedade multirracial e multicultural ou os proíbe ou os reescreve.

O exemplo da UDC na Suiça

Publicamos uma recensão de Yvan Blot a um livro que procurava analisar o que caracteriza a actual UDC suíça, enquanto partido identitário, e perceber o seu sucesso. Para reflectir sobre o exemplo…

«Segundo o autor a UDC renovou-se, rejuvenesceu e radicalizou-se aplicando uma “fórmula vencedora” original. Essa fórmula corresponde a quatro temas dominantes:

– A crítica do sistema e da classe política (para blocher, líder do partido, blufistas pretensiosos sedentos de privilégios) em nome da democracia verdadeira;
– A defesa da singularidade suíça e da identidade nacional, particularmente face à U.E e sobretudo face à imigração;
– O liberalismo económico limitado pela preferência nacional em matéria social e de protecção dos agricultores;
– O conservadorismo moral fundado sobre a luta contra a insegurança.

Tradição e Inovação, conservadorismo e modernidade

(…) Blocher renovou os métodos do partido a partir da secção de Zurique. Tem meios financeiros importantes, uma imprensa que não é negligenciável, particularmente com o hebdomadário nacional de alto nível “Weltwoche”. Dispõe também de uma importante associação, a «Associação para uma Suíça Neutra e Independente». Soube mobilizar a clientela dos desiludidos do sistema político, dos abstencionistas e de numerosos jovens ao mesmo tempo que fidelizava os seus partidários (…)

A UDC: Um movimento democrata-identitário

No fim o autor interroga-se sobre a etiqueta a dar a um tal partido. Recusa os termos “extrema-direita”, ou «direita radical», ou “nacional-conservadorismo” para preferir nacional-populismo. Na realidade o autor não quer pisar o risco e reconhecer o carácter profundamente democrático da UDC, daí a escolha depreciativa da palavra “populismo”. Na verdade estamos na presença de um partido democrata-nacional ou democrata-identitário. Mas a sua fórmula vencedora não é dupla mas quádrupla:

– Democracia directa (crítica da oligarquia no poder)
– Conservadorismo de valores (crítica do laxismo e discurso securitário)
– Liberalismo económico (crítica do fiscalismo e do estatismo)
– Defesa da nação (nomeadamente face a uma imigração exagerada)

Desta forma a UDC conseguiu vitórias eleitorais únicas na história recente da Suíça sem contar os sucessos nas iniciativas e referendos que ela promoveu beneficiando da ajuda da democracia directa.»

Pedro Varela condenado por vender livros

Pedro Varela, o proprietário da Libreria Europa, acaba de ser condenado em Espanha a 1 ano e 3 meses de prisão, pelo crime de “difusão de ideias genocidas”!?

Esclarecendo: Pedro Varela foi condenado à prisão por vender livros. Nada mais. O problema é que alguns desses livros contestam a historiografia oficial do holocausto judaico e no Ocidente os interesses judaicos determinam os limites daquilo que podemos dizer e pensar.

Que liberdade existe quando não há liberdade para duvidar dos factos oficiais, seja de que história for? Se o holocausto aconteceu e se aconteceu como é apresentado pelos sistemas de poder no Ocidente, por que é que têm medo que as pessoas possam ler opiniões divergentes e ser apresentadas a outros dados? Se o sistema não confia na capacidade das populações distinguirem a verdade num assunto que é supostamente tão evidente como o holocausto, o que é que isso diz sobre a capacidade da democracia funcionar com base no voto e na capacidade de decisão das populações?

Há quem, perante esta decisão do sistema judicial espanhol, lembre o livro de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451”. Nessa famosa ficção somos transportados para uma realidade em que as pessoas estão proibidas de ler livros, são detidas se tiverem livros e estes são queimados…mas a verdade é que esta realidade ultrapassa aquela ficção. Porque naquela ficção a censura era evidente e declarada. Na nossa realidade, ela é dissimulada, o sistema não nos impede de ler ou publicar livros, o sistema até encoraja determinada leitura, porque a sua propaganda também se faz dessa forma. Não! Na nossa realidade só alguns livros são perigosos, só alguns livros não devem ser escritos ou editados… e são “eles” que decidem o que “nós” podemos ler.

Uma nota final para o imenso silêncio que, mais uma vez, se fez sobre esta condenação. É impressionante que entre tantos dedicados defensores da liberdade que existem nas sociedades ocidentais, as pessoas possam ser presas por vender livros sem o mínimo ruído. Terrivelmente revelador.

Saudações à bela e corajosa Suiça: vanguarda da resistência europeia

Era polémica, mas foi aprovada por referendo na Suíça, a iniciativa da extrema-direita para a expulsão automática de estrangeiros que tenham cometido crimes.

Segundo a contagem dos votos dos 26 cantões o “sim” venceu com 52,9 por cento dos votos, tendo o “não” contabilizado 47,1 por cento da votação, enquanto uma contra-proposta apresentada pelo governo, prevendo que cada caso de deportação fosse analisado por um juiz, foi recusada por 54,2 por cento dos eleitores.

Recorde-se que a aprovação desta proposta ocorre cerca de um ano depois da proibição da construção de minaretes na Suíça, que suscitou forte polémica não só na Suíça como no estrangeiro.

A expulsão dos estrangeiros já é possível em determinadas condições, mas o texto agora aprovado vai mais longe, propondo a retirada automática do direito de permanência na Suíça dos estrangeiros condenados, independentemente dos delitos ou das circunstâncias.

A expulsão passa por exemplo a ser possível se um estrangeiro for condenado por “abuso da ajuda social”.

Fonte: RTP

Islamização da Europa: Será que, afinal, “teremos sempre Paris”?

As boas causas da nova ordem mundial

Estão a começar a ver o que se pretende aqui? Os governos deixarão, agora, de exercer qualquer controlo sobre algo significativo, para além do direito que a ONU lhes concede de partilharem a «governação». Estados – antes, se alguém vos invadisse, poderíeis esperar que a comunidade internacional viesse socorrer-vos; mas, agora, se tentardes sair do nosso sistema globalista ou vos desviardes, será a própria comunidade mundial que levará a cabo a invasão. É esse o significado de soberania exercida colectivamente! Porquê? Porque fareis parte de um Estado mundial que responde perante um poder único, isto é, as Nações Unidas. E para que sejas progressivamente enfraquecido até atingires o ponto de não resistência, nós estaremos diligentemente a dizer aos teus cidadãos, que as pessoas são mais importante que os Estados e a referir-nos a vós como «meras nações». Oh, e bem-vindos à nossa comunidade. Conjugadas com as suas recomendações de um desarmamento mundial – excepto no que se refere à ONU, é claro, que conservará uma impressionante, leal e fortemente armada «Força de Reacção Rápida» (conhecida também como «o exército do novo mundo») que deixará os Estados impotentes militarmente perante a agressão internacional sob a forma de «policiamento» (…)

Daniel Estulin, Clube Bilderberg – Os Senhores do Mundo, Temas e Debates, p.117

Há um “Brasil” que não é de cultura africana

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«Nos últimos 50 anos, tornámo-nos muito mais brasileiros, graças à televisão e às ditaduras nacionalistas, que tentaram impor uma “identidade brasileira” a todos, mas ainda somos gaúchos. E gaúcho não é brasileiro, é gaúcho. Por isso nenhum estrangeiro consegue entender a absurda e contraditória frase dita por muitos gaúchos: primeiro gaúcho, depois brasileiro.

Quando vejo algo brasileiro aqui na Europa, observo-o com distância. Conheço, mas não é meu.(…) Quando vejo apresentações de Carnaval ou capoeira, é algo que conheço e até faz parte da minha realidade, mas não sou eu. No entanto, quando encontro alguém tomando chimarrão no meio da rua em Berlim, posso apontar e dizer: sou eu!
Pois esse “eu” chamado gaúcho ainda é o mesmo do mate, das pilchas, do vocabulário e do temperamento. É um povo à parte, com uma história à parte, que ainda vive nos três lados da Pampa (Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai) e que, mesmo separado e falando línguas diferentes, não aprendeu seus costumes na televisão. Ele é.»

Felipe Simões Pires, Professor de Filologia Alemã da Universidade de Berlim

A violação da Europa pela especulação financeira internacional

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«O governador do FED, Ben Shalom Bernanke, foi recentemente obrigado a confirmar ao congresso norte-americano as manobras especulativas da Goldman Sachs, que já em 1992 havia lucrado com os mesmos métodos aquando da desvalorização da lira italiana. Transformando em derivados (SWAPS) o que era necessário à Grécia em 2001 para cumprir as normas da zona Euro, a Goldman Sachs, através dessa operação, ganhou cerca de 250 milhões de euros. Depois os juros multiplicaram-se. Agora a Grécia tem necessidade de 25 mil milhões apenas para “refinanciar” o seu endividamento.» (1)

No Senado norte-americano, em resposta a uma observação do senador Christopher Dodd de que estaremos perante uma situação em que grandes instituições financeiras de Wall Street estarão a ampliar a crise pública nalguns Estados europeus para lucros privados, Bernanke respondeu:

«Estamos a analisar uma série de questões relacionadas com a Goldman Sachs, outras instituições, e os seus contratos de derivados financeiros com a Grécia (…) usar esses produtos de uma forma que destabilize intencionalmente uma empresa ou um país é contra-produtivo.» (2)

Algumas instituições financeiras estão sob acusação de terem ajudado a Grécia a esconder o seu défice orçamental, para cumprir os critérios da Zona Euro, servindo-se de contratos de Credit Default Swaps e conseguindo grandes lucros com essas operações.

Vários analistas tinham vindo a alertar que a crise grega, bem como a sua ramificação a outros países europeus, nomeadamente a Espanha e Portugal, seriam o resultado da acção de fundos de especulação financeira contra os Estados europeus e a própria Zona Euro (hoje as suspeitas concretizam-se na Goldman Sachs e nos Hedge Funds de John Alfred Paulson).

Simplisticamente, o mecanismo funciona assim, e note-se que os mercados onde se negoceiam estes contratos de CDS (Credit Default Swaps) são essencialmente desregulamentados, ou seja, são um bom exemplo do mercado privado entregue a si mesmo:

Um determinado Estado (ou uma empresa) necessita de dinheiro. Há uma instituição financeira (um Fundo ou um Banco, por exemplo) que o empresta, contra o pagamento de uma taxa de juro.

A instituição financeira em causa decide então fazer uma espécie de seguro contra a possibilidade do Estado a quem emprestou o dinheiro não cumprir as suas obrigações. Para isso compra um produto financeiro chamado CDS (Credit Default Swap). O vendedor do CDS promete pagar o empréstimo no caso do tomador inicial não o conseguir fazer. Naturalmente o preço do CDS é tanto mais elevado quanto maior o risco de incumprimento por parte do Estado.

No fundo, o que sucedeu à Grécia é que, por causa do expediente que arranjou para fazer baixar o seu défice, ficou refém dos especuladores financeiros e encontra-se agora prisioneira numa tenaz que aperta por dois lados.

Por um lado, no mercado dos CDS associados à dívida do país, fazem-se apostas, como num casino, com o seu risco. Quanto maior for o risco do país, e portanto, quanto maior a instabilidade na Grécia, mais sobe o preço dos seus CDS. Temos assim que existem especuladores que jogam nesse mercado interessados na destabilização interna do Estado grego para lucrarem com as transacções desses CDS.

Por outro lado, os bancos que inicialmente emprestaram dinheiro de forma sub-reptícia à Grécia sabem também que, ao aumentar o risco do país, aumentam os juros que vão receber para pagamento desses empréstimos e têm por isso também interesse na instabilidade interna dessa nação. Acresce que esses próprios bancos são suspeitos de andarem também a especular sobre os CDS associados à dívida grega.

Resumindo, há uma série de especuladores financeiros interessados em fazer baixar o rating do país, ou dito de outra forma, em criar instabilidade para lhe aumentar o nível de risco associado.

Apesar de tudo a Grécia ainda se encontra de alguma forma escudada pela Zona Euro… agora imagine-se o que pode suceder a empresas e Estados mais desprotegidos quando são vítimas deste tipo de acções especulativas por parte dos poderes financeiros. Muitas empresas acabam na falência, muitos Estados acabam reféns da banca, com serviços de dívida cada vez mais elevados. Quem paga, em última análise, são sempre os trabalhadores, lançados no desemprego ou vítimas das crises económicas nacionais, enquanto os especuladores financeiros (quais modernos jogadores de casino que apostam com a vida das pessoas) enriquecem despudoradamente sem terem produzido qualquer riqueza.

Não deixa de ser sintomático que tenha sido o Senado norte-americano a abrir um inquérito a esta situação sem que a U.E., que foi vítima directa desta actuação, tenha feito o que quer que seja.

Por outro lado, é bem sabido que estes mercados de derivados financeiros estão na origem da criação de bolhas especulativas que, quando rebentam, arrastam para a pobreza milhares ou milhões de pessoas em todo o mundo, e aliás, ainda recentemente entrámos numa grande crise mundial que continua a afectar a economia de vários países ocidentais originada precisamente a partir das esferas financeiras.

Na sequência dessa crise ouvimos todos os responsáveis políticos falarem na necessidade de se reformular e regrar o funcionamento do sistema financeiro. Para além dos dinheiros públicos que foram dados a vários bancos para os salvar o que é que foi efectivamente feiro para alterar os mecanismos de especulação financeira que originaram a crise? Zero! Conversa e acções de mera cosmética para enganar o povo.

Tudo permanece genericamente como estava, e as economias reais, a esfera produtiva, continua hoje tão refém como estava da especulação financeira e da sua ganância.

É curioso… apesar dos países ocidentais estarem cada vez mais obrigados a uma disciplina orçamental que lhes retira margem de manobra política e obriga à contenção salarial dos trabalhadores, temos que:

Enquanto os Estados nacionais perdem autonomia na política monetária, os mecanismos de criação de moeda continuam tão perversos como eram e os câmbios flutuantes das moedas continuam a ser uma fonte de risco sistémico e ganhos especulativos com jogos de arbitragem cambial.

Não há qualquer medida tomada contra os offshore.

Não há qualquer medida séria tomada para regular os mercados de derivados financeiros, como os CDS, e limitar o que se pode fazer com este tipo de produtos!

E depois, Ângela Merkel tem o descaramento de afirmar, angelicalmente, que: «seria uma desgraça se acabasse por se verificar que os bancos que já nos haviam empurrado para a beira do abismo – referindo-se a esta ultima crise mundial – também estão envolvidos na falsificação das estatísticas da Grécia». (3)

Enfim, a festa está para durar.

(1)Editorial da Rinascita de 25-02-2010

(2)MarketWatch

(3)Financial Times

Acabem com a ajuda externa!

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Passou uma semana desde que Porto Príncipe foi destruída por um terramoto. Nos próximos dias os haitianos irão passar por outro trauma à medida que as equipas de resgate lutarem, e falharem regularmente, para se manterem a par das novas urgências. Depois disso – e mais desastroso que tudo – será a chegada dos soldados do bem, cada qual com o seu brilhante plano para salvarem os haitianos de si mesmos.

“O Haiti precisa de uma nova versão do plano Marshall – agora”, escreve Andres Oppenheimer no Miami Herald, como forma de se queixar de que as centenas de milhões até agora gastas são miseráveis. O economista Jeffrey Sachs propõe gastar entre 10 e 15 biliões de dólares num programa de desenvolvimento a 5 anos. “ A forma óbvia para Washington cobrir este novo financiamento”, escreve, “é introduzindo impostos especiais sobre os bónus de Wall Street”. No New York Times, os antigos presidentes Bill Clinton e George W. Bush afirmam querer ajudar o Haiti a “atingir o seu melhor”. Que grande trabalho fizeram para isso quando estavam de facto no governo.

Tudo isto serve para apaziguar as consciências de pessoas cuja superficial intenção benigna é “fazer algo”. É uma bonança potencial para os profissionais da miséria das agencias humanitárias e ONG’s. E permite aos Jeffrey Sachs do mundo vestirem-se de santos.

Para os verdadeiros haitianos, contudo, praticamente todos os esquemas de ajuda concebíveis para além do auxílio humanitário imediato irão levar a mais pobreza, mais corrupção e menos capacidade institucional. Irão beneficiar os bem colocados à custa dos que verdadeiramente precisam, desviar recursos de onde são realmente necessários e provocar um crowding out das empresas locais. E vai fomentar, precisamente, o culto de dependência com o qual o país necessita desesperadamente de romper.

Como é que eu sei isto? Ajuda se lermos um relatório de 2006 da National Academy of Public Administration, apropriadamente intitulado “Por que falhou a ajuda externa ao Haiti”. O relatório sumariza um conjunto de documentos de diversas agências humanitárias descrevendo os seus longos registos de falhanços no país.

Veja-se, por exemplo, o que o Banco Mundial – que agora está prestes a jogar mais 100 milhões de USD no Haiti – alcançou no país entre 1996 e 2002: “O resultado dos programas de ajuda do Banco Mundial é insatisfatório (para não dizer muito), o impacto do desenvolvimento institucional é insignificante e a sustentabilidade dos poucos benefícios que foram conseguidos é improvável”.

E Porquê? O Banco notou que “o Haiti tem sistemas orçamentais, financeiros e de aprovisionamento disfuncionais que tornam impossível a gestão financeira e da ajuda humanitária”. Mais, observou que “o governo não tomou a iniciativa de formular e implementar o seu programa de ajuda”. De forma reveladora também reconheceu a “total desconexão entre os níveis de ajuda externa e a capacidade do governo para a absorver”, que é outra forma de dizer que quanto mais os dadores estrangeiros gastarem no Haiti, mais fundos serão perdidos.

Mas o verdadeiro problema da ajuda para o Haiti tem menos a ver com o Haiti do que com os efeitos da própria ajuda humanitária em si.” Os países que receberam mais ajudas ao desenvolvimento são também os que estão em piores condições”, diz James Shikwati, um economista queniano, ao Der Spiegel em 2005. “Pelo amor de Deus, parem, por favor!”

Tomemos o exemplo de algo tão aparentemente simples quanto a ajuda alimentar:” A dado ponto” explica Shikwati “este milho acaba no porto de Mombasa. Uma parte do milho vai directamente para as mãos de políticos sem escrúpulos que depois o passam para a sua própria tribo para servir a sua próxima campanha eleitoral. Outra parte do carregamento acaba no mercado negro onde o milho é largado a preços extremamente baixos. Os agricultores locais bem podem arrumar as suas enxadas; ninguém consegue competir com o programa de ajuda alimentar das Nações Unidas”

Sachs acusou estes argumentos de serem “chocantemente mal direccionados”. Mas na realidade, Shikwati e outros, como John Githongo do Quénia ou Dambisa Moyo da Zâmbia tiveram o privilégio de ver em primeira-mão como a “indústria da ajuda humanitária” destroçou os seus países. Que essa indústria o faça tipicamente em conivência com os memos governos locais que conduziram o seu povo à ruína apenas serve para manter essas elites no poder.

Uma abordagem melhor é reconhecer a real humanidade dos haitianos tratando-os – assim que as tarefas imediatas de resgate terminarem – como pessoas capazes de fazerem escolhas responsáveis. O Haiti tem algumas das mais fracas protecções à propriedade do mundo e algumas das mais pesadas regulamentações sobre os negócios. Em 2007 recebeu 10 vezes mais em ajuda (USD 701 milhões) do que em investimento externo.

Reverter estes números é uma tarefa que cabe apenas aos haitianos, e o mundo pode ajudar desistindo de os matar com a sua bondade. Qualquer coisa diferente disso e o inferno que foi agora visitado neste infeliz país virá a parecer apenas o seu primeiro círculo.

Bret Stephans, The Wall Street Journal, 20-01-2010