Categoria: Modernidade

Complementares, jamais iguais…

(A Gentlemanly Act, quadro de George Goodwin Kilburne)

“O gesto de um homem que abre uma porta para uma mulher ilustra como os homens e as mulheres se relacionam. Todos sabemos que uma mulher é capaz de abrir uma porta. Mas quando um homem o faz, está a afirmar a feminilidade, beleza e graça dela. Quando ela aceita graciosamente, está a validar-lhe a força masculina. Esta troca, uma mulher abdicando de poder físico em prol da protecção de um homem (i.e., amor) é a essência da heterossexualidade. Para poderem evoluir emocionalmente, os homens e as mulheres precisam desta validação mútua tanto quanto de sexo propriamente dito. O sexo é uma expressão deste contrato exclusivo. Sob a influência tóxica do feminismo as mulheres passaram a abrir as suas próprias portas. Nenhuma das identidades sexuais é validada, nenhum dos sexos amadurece emocionalmente. Os homens sentem-se redundantes e impotentes, as mulheres sentem-se rejeitadas e mal-amadas”

Henry Makow

O que é que o PIB diz sobre uma nação?

(idolatria do Bezerro de Ouro, desenho de Henri Meyer)

«Em excesso e durante demasiado tempo, parece termos submetido a excelência e os valores da comunidade à mera acumulação de coisas materiais. O nosso PIB, se devêssemos julgar a América por isso, – inclui poluição do ar e publicidade ao tabaco e ambulâncias para limpar as nossas auto-estradas de carnificinas. Inclui cadeados especiais para as nossas portas e prisões para aqueles que os arrombam. Inclui a destruição das nossas florestas e a perda das nossas maravilhas naturais na caótica expansão urbanística. Inclui o napalm e o custo de uma ogiva nuclear, e carros blindados para a polícia que combate motins nas nossas ruas, inclui a espingarda de Charles Whitman e a faca de Richard Speck e os programas de televisão que glorificam a violência para venderem brinquedos às nossas crianças.

Contudo o PIB não providencia a saúde das nossas crianças, a qualidade da sua educação, ou a alegria das suas brincadeiras. Não inclui a beleza da nossa poesia ou a solidez dos nossos casamentos, a inteligência do nosso debate público ou a integridade dos nossos funcionários públicos. Não mede nem o nosso engenho nem a nossa coragem, nem a nossa sensatez nem o que aprendemos, não mede a nossa compaixão nem a nossa devoção à pátria, mede tudo, em resumo, excepto o que torna a vida valiosa. E diz-nos tudo sobre a América excepto a razão pela qual nos orgulhamos de ser americanos»

Robert F. Kennedy, University of Kansas, Lawrence, Kansas, 18 de Março de 1968

O gosto pela vulgaridade

«A incidência dos processos regressivos que descrevemos nas páginas precedentes, no plano geral dos costumes e dos gostos, manifesta-se numa das suas formas mais típicas no gosto pela vulgaridade, com o seu subsolo mais ou menos subconsciente constituído por um prazer pela degradação, pela autocontaminação. As diferentes expressões de uma tendência para a deformação e de um gosto por aquilo que é feio e baixo são-lhe próximas. (…)

Até ontem, víamos exactamente o contrário: muitas pessoas, homens e mulheres, das classes mais baixas procuravam, mais ou menos artificialmente e desajeitadamente, imitar os modos, o linguajar, o comportamento das classes superiores. Hoje faz-se o oposto e julga-se não ter preconceitos, quando na realidade se é apenas vulgar e imbecil.»

Excerto do imperdível texto “o gosto pela vulgaridade”, publicado no nº 11 do Boletim Evoliano

Hoje, no regresso…

Senta-se no banco em frente ao meu. Loira, com cerca de 30 anos, aspecto não muito cuidado…começa a falar ao telemóvel: “ya…acredita, era mesmo tipo isso…fogo…ya…ya,ya…bem, isso era bueda fixe…hahaha…não, não! Era mais assim tipo aquela cena do outro dia, tás a ver?…bué mesmo, tens razão. Bem eu adoro esses, são bueda fixes, adoro os meus alunos do nono ano, às vezes tamos na aula e a gente começa-se a rir sem parar, tás a ver?…ya…”

30 anos, educação universitária,professora, curte bué os alunos fixes do nono ano e às vezes passam as aulas a rir bué.

A CIA financiou a divulgação da arte abstracta

(o quadro sobre o qual escrevemos a pertinente pergunta é do “artista” Robert Motherwell, intitulado “two figures”, de 1958)

Durante anos o expressionismo abstracto foi exclusivamente visto como uma emanação do esquerdismo burguês, a arte da “nova esquerda”, com a sua promoção do disforme, do relativismo estético, contrapondo-se à tensão superadora e transcendente da arte clássica. Muitas vezes, aliás, denunciada como uma das vanguardas culturais de demolição do gosto e dos valores tradicionais das sociedades europeias.

A CIA vem agora admitir que foi a grande promotora da divulgação no Ocidente desse tipo de “arte”. Nelson Rockefeller, que foi um dos grandes financiadores dessa divulgação, considerou mesmo a arte moderna abstracta a expressão cultural da sociedade capitalista livre.

Cada um que retire as suas conclusões, sobre os Estados Unidos, os seus serviços secretos, o seu modelo social capitalista e a pretensa defesa do ocidente que levaram (e levam) a cabo durante as suas guerras…

VALORES MODERNOS:TRABALHA-COMPRA-CONSOME-MORRE!

Enquanto Roma arde…

«Encostar o Presidente da República à sua vertente mais conservadora, capitalizando com isso os votos de um eleitorado que não se revê nos mesmo valores, vai ser a estratégia dos partidos da esquerda para a próxima sessão legislativa. Depois de Cavaco ter promulgado na semana passada a nova Lei das Uniões de Facto, ainda que com reservas, a esquerda – PS e Bloco de Esquerda – promete voltar com os temas fracturantes no próximo ano parlamentar. O BE avançará com um projecto para alterar o Código do Registo Civil, permitindo a pessoas transexuais a mudança do registo do sexo no assento de nascimento, e o novo líder da JS já disse que a adopção de crianças por casais homossexuais faz parte do seu programa, embora admita que é necessário fazer antes um trabalho pedagógico. Na calha estará também o testamento vital, que o PS deixou na gaveta na legislatura passada.
A ideia é, ao que apurou o Diário Económico, obrigar Cavaco a tomar uma posição que o penalize perante o seu eleitorado mais conservador, se promulgar, ou perante o eleitorado menos conservador, se vetar, numa altura em que se espera uma recandidatura do actual Presidente a Belém
(…) Pedro Alves, líder da JS, acredita que, se Cavaco fizer destas questões temas fracturantes, “pode ser contraproducente na perspectiva do próprio Presidente não acompanhar o sinal dos tempos”»

Diário Económico, 23-08-2010

Esta estratégia que a esquerda planeou para desgastar o presidente da república só pode resultar num país onde desde há muito se perdeu o vislumbre de qualquer cultura de direita autêntica, e com um personagem – no caso Cavaco Silva – que não faz ideia do que isso seja porque não foi, não é e nunca será um verdadeiro homem de direita.

Porque para a direita autêntica “não acompanhar o sinal dos tempos” não assusta, pelo contrário, a verdadeira direita sabe perfeitamente que é exactamente isso que a distingue da esquerda, ou seja, a rejeição do progressismo como sendo algo de bom em si mesmo. O que os verdadeiros conservadores simbolizam não é a vontade de conservar ou manter as coisas paradas no tempo, mas sim a fidelidade a um conjunto de valores cuja validade é eterna e cruza as épocas, independentemente de estarem ou não “na moda” ou “em sintonia com os sinais dos tempos”.

Na realidade, o grande problema do Ocidente tem sido, desde meados do século passado, a inexistência de uma direita que seja capaz de se erguer em público e dizer, alto e em bom som, que não está ali para acompanhar os costumes dominantes, os novos tempos e modas, mas para permanecer fiel aos seus imortais princípios de virtude.

E se os tempos forem de baixeza?…

Os que acompanham os sinais dos tempos são aqueles que continuarão a comer, a dançar e a foder quando “Roma” já estiver a arder.

O que a esquerda fez à nossa cultura

«Supor-se-ia que, dadas as circunstâncias, uma das preocupações principais dos intelectuais, que afinal de conta são supostamente capazes de ver mais longe e pensar mais profundamente do que os homens e mulheres vulgares, seria a manutenção das fronteiras que separam a civilização da barbárie, uma vez que essas fronteiras se revelaram frequentemente tão frágeis nos últimos cem anos. Enganar-se-ia quem assim pensasse, contudo. Alguns abraçaram conscientemente a barbárie, outros permaneceram sem saber que as fronteiras não se mantêm a si próprias e precisam de manutenção e por vezes defesa vigorosa. Quebrar um tabu ou transgredir são termos merecedores do maior louvor no vocabulário dos críticos modernos, independentemente do que tenha sido transgredido ou de que tabu tenha sido quebrado. Uma recente biografia do filósofo positivista A.J.Ayer, no suplemento literário do Times, enumerava-lhe as virtudes pessoais. Entre elas estava o facto do filósofo ter sido inconvencional – mas o autor da biografia não se sentiu na necessidade de explicar de que forma Ayer era inconvencional. Para ele o alegado desrespeito de Ayer pela convenção era uma virtude em si mesma. Claro que pode muito bem ter sido uma virtude, ou pode igualmente ter sido um vício, dependendo do conteúdo ético e efeito social da convenção em questão. Mas restam poucas dúvidas de que uma atitude de oposição em relação às regras sociais tradicionais é o que permite ao intelectual moderno ganhar os seus galões aos olhos dos outros intelectuais»

Prefácio a “Our Culture, What’s Left of It: The Mandarins and the Masses” de Theodore Dalrymple

O que eles fizeram aos nossos povos…

«Não somos nada; na verdade, aos horrores do século XX, as nossas democracias responderam com a “religião da humanidade”, ou seja, pela universalização da ideia do semelhante e pela condenação de tudo o que divide ou separa os homens (…) Isso significou que, para não mais excluir ninguém, a Europa teve de se desfazer de si mesma, “desoriginar-se”, não guardar nada mais das suas origens do que o universalismo dos direitos do homem. Esse é o segredo da Europa. Nós não somos nada.»

Alain Finkielkraut, em entrevista ao Le Monde, 11 e 12 de Novembro de 2007

Uma sociedade para consumidores de publicidade